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Ora Bolas

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Vida de jogador

Sérgio Redes


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15/05/2008 00:55

Baseado no salário pago pelos grandes clubes tem gente que acha que jogador de futebol ganha muito. A mídia interessada no sensacionalismo vira e revira a vida dos maiores ídolos do futebol mundial mostrando seus carros, suas mansões e suas mulheres.

A realidade brasileira é bem diferente. Uma pesquisa publicada pelo Instituto Datafolha em 2005 revela que setenta e dois por cento dos jogadores ganham entre um e dois salários mínimos, cinco por cento recebem superior a vinte salários e o restante entre cinco e vinte salários mensais.

O pior é que diferente das outras profissões aonde a pessoa vai se aprimorando com o tempo, o futebolista tem vida curta. Depois que ingressa na casa dos trinta anos o jogador ver rarear as suas oportunidades. Passei por isso quando deixei de jogar e me lembro até hoje.

É um tempo amargo. No meu caso andava meio grogue pelas ruas a espera de um olhar agradecido. Se recebesse um elogio me derramava em mesuras. Outros, por conta do temperamento, reagem de maneira diferente desdenhando a situação, mas é comum a todos à necessidade do reconhecimento.

O depoimento de Tostão é contundente: "Passei 21 anos, de 1973 a 1994, longe do futebol. Fui estudar Medicina, mas quando o inconsciente se manifestava sonhava que estava sendo campeão ou fazendo gols. Com o auxílio da psicanálise aprendi a conviver com o passado".

Evidente que existem exceções, mas a imensa maioria fica vagando saudosa dos tempos que se passaram. Além desta eterna relação com a alegria e o prazer de jogar bola que faz muito bem a todos muitos ex-jogadores disputam as partidas como se estivessem nos velhos clássicos.

Quem cuida desta turma é a AGAP (Associação de Garantia dos Atletas Profissionais) que está de diretoria nova. O Barbosa Pinheiro é o presidente e os outros diretores são o Edílson José, o Pacoti, o Tangerina e o Facó. O time é conhecido joga junto há algum tempo e fará uma boa administração.

A Associação vem sofrendo alguns desfalques. Dois presidentes morreram em menos de um ano e meio. Ambos por problemas cardíacos. Primeiro foi o Gilvan Dias que foi goleiro, técnico e jornalista e recentemente o Agapito Jorge que também foi goleiro e diretor do Fortaleza.

A AGAP cumpre um papel importante no amparo aos ex-jogadores de futebol. Muitos ex-atletas filiados possuem a carterinha vermelha do CREF que lhes permite trabalhar como técnicos de futebol. Implantar escolinhas de futebol em todo o estado deveria ser visto com bons olhos pelo Estado, pelos Municípios e pelos patrocinadores.


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