Sérgio Redes
24/04/2008 00:52
Foi com os ouvidos bem abertos que ouvi outro dia num programa do Tom Barros a sugestão dada por um torcedor alvinegro de contratar o time do Horizonte. Se levarmos em consideração que o Ceará está sem plantel e com pouco dinheiro a contratação de uma meia dúzia de jogadores sem dúvidas reforçaria o elenco alvinegro.
Tenho certeza que não atenderia aos interesses dos empresários ou das pessoas envolvidas nas transações, mas seriam inúmeras as vantagens financeiras. Além dos jogadores receberem menos, evitar-se-ia despesas de passagens de avião, hospedagem, transferências das famílias e problemas de adaptação.
Seria uma boa medida até porque é um costume em todo o país às equipes se reforçarem com os jogadores que fizeram um bom estadual. O rodízio constante entre Raul, Stênio, Leó Jaime e Piva, o apoio por dentro do Júnior Cearense com a movimentação alternada dos laterais Ezequiel e Eusébio formaram o melhor conjunto do campeonato.
Quem é contrário às contratações diz que a camisa do Ceará pesa nestes jogadores que já passaram pelos grandes da capital e tiveram o rendimento abaixo do esperado. Segundo eles jogar num time de grande torcida é mais difícil, a cobrança é maior e altera o estado psicológico do jogador levando-o a tremer nas horas de decisões.
A questão é que ninguém tem a menor paciência. Conheci vários jogadores que não deram certo numa equipe e se deram muito bem em outra. Quando o jogador é da região fica como desvalorizado e é visto com preconceito. Não é por acaso o ditado que santo da casa não faz milagre.
Os jogadores citados acima são bons de bola e podem jogar em qualquer lugar. O problema é que puxam para baixo e eles ficam sem moral. É inacreditável como um Estado como o nosso capaz conquistar vários títulos e de produzir talentos extraordinários no futebol de salão não consiga resultados no futebol de campo.
A gestão no futebol é péssima. Alia-se a incompetência o preconceito de que o que vem de fora é melhor. Quem abordou este tema com arte e falou do Estado do Ceará foi à carnavalesca Rosa Magalhães no seu famoso "Mais vale um Jegue que me carregue do que um camelo que me derrube".
O enredo tratava de uma expedição idealizada por D. Pedro II e tinha como objetivo encontrar ouro no Ceará. Os organizadores mandaram buscar quatorze camelos na Argélia. À medida que se aprofundavam nos areais cearenses os camelos quebravam as patas e iam sendo substituídos pelos jegues.
O samba puxado pelo Preto Jóia tinha uma letra primorosa e na última estrofe o poeta da Imperatriz dizia assim: "Mais vale a simplicidade a buscar mil novidades e criar complicação. Esquecendo o bom e o útil, renegar o que é nosso, gera insatisfação".