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Os sistemas e a tática

Sérgio Redes


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10/04/2008 00:25


Vez por outra se ouve, se lê ou se vê na mídia que um determinado sistema tático está ultrapassado. Esta informação não é correta porque qualquer análise neste sentido deve vir acompanhada de outras variáveis, tipo a qualidade individual dos jogadores e a preparação física da equipe.

Caso alguém se interesse em estudar sistemas deve começar pelo "clássico". Dois zagueiros, três médios e cinco atacantes. Esta configuração está representada naquele jogo da infância dos mais velhos onde se assentavam vinte e dois pregos sobre um triângulo de madeira. Jogava-se dando petelecos com um dos dedos numa moeda.

A transição do sistema clássico para o WM deveu-se a uma modificação no impedimento. Naquela época a lei determinava que um jogador ao receber um passe de um companheiro deveria ter entre ele e a linha de fundo no mínimo três jogadores adversários. As defesas avançavam seus jogadores e deixavam atrás só o beque de espera e o goleiro embolando todos no meio do campo.

Esta manobra tática reduzia o número de gols numa partida. Procurando melhorar a qualidade do jogo e torná-lo ofensivo a Fifa modificou a lei do impedimento para dois jogadores. Os atacantes então avançaram e surgiu o ataque em W com dois pontas abertos, um centro avante e dois meias.

As defesas que até aquele momento levavam vantagem ficaram no prejuízo e depois de algum tempo entenderam que a melhor forma de se opor ao ataque em W era com a defesa em M. Os dois zagueiros abriram para a direita e para a esquerda, o centromédio recuou para ser o zagueiro central e os outros dois médios viraram volantes. Assim surgiu o WM.

O WM passou a servir de base para o entendimento dos sistemas que viriam a seguir e sua representação matemática é um 3-4-3. Daí para frente o leitor vai fazendo da maneira que quiser. Para ter um 4-2-4 recue um do meio campo para a defesa e avance outro para o ataque. Caso queira ter um 4-3-3 recue um do ataque e fortaleça o meio campo.

Estes sistemas com posições definidas existiram no nosso futebol desde seu nascimento até os meados da década de 70 quando a evolução dos métodos de preparação física acabou com a idéia de posição substituindo-a por função. O ganho de resistência e velocidade pelos jogadores passou a permitir a execução das jogadas num ritmo muito rápido e representa um grande diferencial entre o futebol de hoje e o do passado.

Daí o número infinito de sistemas que podem ser criados. O Ceará do Dimas joga num 4-3-1-2. O Fortaleza varia de um 3-5-2 para um 4-4-2 e às vezes um 3-6-1. O Chelsea eliminou o Feenerbach do Zico pela Liga dos Campeões da Europa utilizando um 4-1-4-1. O que importa são as características, a qualidade e o preparo físico dos jogadores.


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