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Juventude e trabalho

Isabele Câmara
23 Fev 2008 - 01h20min

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Trago-lhe papel de jornal para lhe servir de cobertor; cobrindo-se assim de letras vai um dia ser doutor
João Cabral de Melo Neto


Semana passada estive em Limoeiro do Norte para fazer uma matéria sobre a ascensão econômica que o município está experimentando, sobretudo em função da mão-de-obra qualificada que está se formando lá, através do Centec (Centro de Ensino Tecnológico); o que tem atraído empresas das áreas metal-mecânica e dos agronegócios. Deu gosto ver diversos jovens circulando pelos corredores, laboratórios e enchendo salas de aula, todos animados com a educação que estavam recebendo e com a perspectiva de sair do curso com emprego certo. Coisa rara, pois a realidade nacional, e também continental, é bem outra. Além da ausência de uma formação profissional adequada, os jovens brasileiros e sul-americanos se ressentem da ausência de políticas públicas que ofereçam, sobretudo, uma educação pública gratuita e de qualidade, o que pressupõe não só equipamentos e recursos humanos, mas também a aproximação entre educação e qualificação profissional. É o que mostra a pesquisa “Juventude e Integração Sul-americana”, lançada recentemente, em Brasília. Organizada pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais (Ibase) e pelo Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Públicas (Instituto Pólis), a pesquisa retrata os anseios de 960 jovens, entre 15 e 29 anos, de seis países: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia.

Os jovens também apontam outras demandas: transporte público de qualidade e com preços acessíveis, cultura, segurança e ecologia, área para qual eles recomendam a ampliação da noção de “educação ambiental” formal e não-formal e que, para eles, deve ser pensada como espaço de troca de saberes e de experiências, favorecendo a circulação de informações e que fortaleça novas áreas de profissionalização ambiental. Um outro dado interessante que a pesquisa revela é que não há homogeneidade no que diz respeito ao conhecimento ou reconhecimento de políticas públicas de juventude, ou seja, elas podem até existir, mas não se fazem presentes. Vale salientar, entretanto, que, a despeito da presença ou ausência da expressão “políticas públicas de juventude”, os/as jovens sempre evocam os poderes públicos para encaminhar as resoluções de seus problemas - o que também é um problema, pois, mesmo de forma isolada, é preciso que cada um faça alguma coisa por si mesmo. Mas, como os demais países da América Latina, o Brasil não possui um marco legal que reúna normas relativas a políticas públicas voltadas para o público jovem e o órgão público que coordena os projetos e programas específicos para essa faixa etária, a Secretaria Nacional da Juventude, foi criado somente em 2005. As leis, quando existem, são fragmentadas e assistemáticas - além de não considerar a juventude como estratégica para o futuro do país.

Machado de Assis
Continuam abertas até o dia 15 de março as inscrições para o concurso de redação sobre a importância de Machado de Assis. A seleção é promovida pelo Jornal Folha Dirigida e pela Academia Brasileira de Letras. Podem participar professores de todo o Brasil, de todos os níveis, regentes de turma ou não. Informações: (21) 3233-6306 ou: www.folhadirigida.com.br

Fórum Mundial de Educação
O Fórum Mundial de Educação, que acontece de 27 a 30 de março na mesma perspectiva do Fórum Social Mundial, em Nova Iguaçu (RJ), sustenta-se em dois pilares básicos: a construção de uma alternativa ao projeto neoliberal e o pluralismo de idéias, métodos e concepções. Segundo os organizadores, é um espaço plural, não confessional, não-governamental e não partidário. As inscrições para apresentação de trabalhos já estão abertas. Informações: (21) 2667-1086 ou fmeni@forummundialeducacao.org / site: www.forummundialeducacao.org

Ler é bom, participe!
O projeto de incentivo à leitura “Ler é Bom, Experimente!”, que tem o patrocínio da Companhia de Seguros Aliança do Brasil e o apoio do Ministério da Cultura, está com as inscrições abertas até o dia 31 de março. O programa é voltado às escolas da rede pública de todo o país, com turmas a partir da 6ª série do ensino fundamental e tem o objetivo de incentivar o hábito da leitura e escrita, estimular a criação de textos, performances, discussões e debates em sala de aula. Criado em 2000, pelo escritor Laé de Souza, a iniciativa já atingiu cerca de 1.000 escolas com a participação de 40 mil alunos em todo o país. Em 2008, 500 escolas participarão do projeto e receberão gratuitamente 38 exemplares do livro de crônicas “Nos Bastidores do Cotidiano” e material didático: folhas pautadas para redação, questionários e Manual do Professor com sugestões para dinamizar a leitura em sala de aula e plano de aplicação do projeto. As inscrições vão até 31 de março de 2008 pelo Site: www.projetosdeleitura.com.br. Informações: (11) 6743-9491 e 6743-8400. Todo o material é fornecido gratuitamente às instituições de ensino.

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