Isabelle Câmara
26/05/2007 14:23

Se se acredita que a tecnologia fornece novas janelas potenciais para a aprendizagem e o desenvolvimento do indivíduo, temos de olhar com seriedade para a necessidade da alfabetização tecnológica de nossos professores. É certo que, à primeira vista, pode parecer contraditório trazer à tona tal assunto diante de uma realidade que nos parece mais urgente e grave - como a do analfabetismo funcional dos nossos jovens, a da precariedade e falta de estrutura de grande parte de nossas escolas (incluindo falta de aparelhos tecnológicos), a dos baixos salários destinados à área etc. Entretanto, mesmo cientes disto, não podemos perder de vista que o educador de hoje corre um risco que, talvez, o de outrora não corria: o de se transformar em um excluído do próprio século em que vive. Isso toma proporções ainda maiores se pensarmos que o domínio da tecnologia transformou-se hoje em mais um fator de desigualdade social - a tal da exclusão digital. Se, ao longo da história, a alfabetização tem sido uma das mais consistentes aliadas da socialização e da inserção do indivíduo no mundo, hoje ela não mais parece poder desvincular-se da alfabetização tecnológica e da urgente educação para a mídia. Ou seja, o educador atual possui uma função ainda maior, que é o de dominar e intermediar o acesso a essas ferramentas, além de provocar a leitura crítica e reflexiva dos meios. E isso até como uma garantia de diálogo com as novas gerações de educandos, que já começam a experimentar e vivenciar essas mudanças nos primeiros anos de vida.
Mas, afinal, como este processo deve ocorrer? Como as escolas e educadores devem adaptar-se a essas novas exigências? O primeiro passo, certamente, é compreender alfabetização tecnológica como uma nova necessidade pedagógica, mais adaptado e contextualizado com nossa atual sociedade. Fica claro que para ler o mundo de hoje, repleto e indissociável de fortes simbolismos, faz-se necessário uma pluralidade de saberes que não se desvinculam mais dos aparatos tecnológicos - ninguém pode negar que a computação e a conectividade estão a cada dia mais presentes na educação. Vem do próprio conceito de globalização saber fazer uso e alimentar-se dos meios de comunicação de massa (também dependentes das tecnologias). É claro que a tecnologia não é responsável por toda a transformação cultural que ela impulsiona: apenas cria novos espaços de possibilidades a serem, então, explorados (no caso das novas tecnologias da informática seriam a rede de computadores, processamento de linguagem, inteligência artificial, linguagens icônicas, hipertextos, multimídia...) - mas a escola não pode se perder ou ficar para trás nesta evolução e o educador precisa acompanhá-la. A proposta não é treinar crianças no uso das tecnologias, mas, sim, criar um ambiente natural de expressão e comunicação e levar para a escola, para a família e para a comunidade novas ferramentas de troca de idéias, reflexões, criticidade e criatividade.
É fato que este ideal, a priori, parece distante. Mas, talvez, seja o momento de uma tomada de fôlego. Lula sinalizou que deseja “entrar para a história” com o seu Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que destinará, ao longo de seu segundo mandato, 8 bilhões para a área e estabelece metas, como implantar energia elétrica para escolas que ainda não têm luz até o final do ano que vem - parece até idiossincrasia falar em educação digital para estas escolas, não é? Porém quem sabe este não seja o momento de vislumbrar e lutar por essas mudanças?! Será este mesmo, finalmente, o “século da elite da competência e do saber”, Lula? (Colaborou Paula Neves).
EDUCAREDE
Professores do Ensino Fundamental (2º Ciclo) e Médio de escolas públicas brasileiras poderão se inscrever, até o dia 25 de junho, no Concurso Internacional EducaRede: Internet e Inovação Pedagógica, que visa reconhecer boas práticas de uso pedagógico da Internet. Os melhores projetos concorrerão a uma viagem a Madri (Espanha), com participação no IV Congresso Internacional EducaRede (29 a 31 de outubro de 2007), computadores, I-Pods e publicações. As inscrições vão até o dia 25 de julho. Mais informações: http://www.educarede.org.br.