O POVO na Educação
O POVO NA EDUCAÇÃO
É tudo verdade
Isabelle Câmara
31 Mar 2007 - 14h24min
“A educação é a segunda natureza”
Severo Catalina
Há quem duvide, mas educação e exclusão no Brasil formam uma via de duas mãos: se por um lado a exclusão e as desigualdades socioeconômicas causam impacto na oferta educacional, por outro a oferta educacional contribui para a reprodução destas desigualdades. Explico: em recente pesquisa lançada pela Ação Educativa e pelo Observatório da Educação foi constatado que fatores históricos determinam o perfil de exclusão e desigualdades no País; que esses determinantes interferem no desempenho escolar dos educandos e a atual legislação e modelo de financiamento da educação contribuem para a manutenção das desigualdades no sistema educacional. O estudo Educação e Exclusão no Brasil, coordenado por Sérgio Haddad, doutor em História e Sociologia da Educação (USP), observou que nem sempre o acesso à educação escolar apontado entre especialistas e também no senso comum é causa e conseqüência de processos de inclusão social, bem como a ampliação do grau de escolaridade pode não resultar em melhores condições de vida para as pessoas - é o que a realidade brasileira verificada nos últimos anos aponta. Segundo a pesquisa, a exclusão na educação vem ocorrendo sobretudo de duas formas: falta de acesso às escolas, caracterizada pela insuficiência de instituições; e inserção precária dos alunos nos sistemas de ensino, que não leva em consideração fatores externos como renda, raça, gênero, região do País e bairro de moradia, condições físicas e idade dos educandos, mas que terminam afetando o processo de escolarização - além das condições de trabalho dos docentes e a infra-estrutura da escola. Os dados ainda dão conta de que é falsa a idéia, bastante difundida, de que universalizamos o ensino fundamental. Na verdade, hoje, o Brasil conseguiu colocar grande parte das pessoas de 7 a 14 anos no ensino fundamental, mas a baixa qualidade do ensino, unida à baixa qualidade de vida desta população, faz com que estes alunos não consigam completar sua escolaridade, criando um novo tipo de exclusão social, aquela provocada pela incapacidade de adquirir a escolaridade, mesmo freqüentando os bancos escolares.
A pesquisa reconhece que existem pequenos avanços, como a redução do analfabetismo e da mortalidade infantil; o crescimento das matrículas no ensino público; a melhoria no acesso ao abastecimento de água, saneamento e energia elétrica; e a existência de políticas de transferência de renda, principalmente no Norte e Nordeste. Um estudo recente do Centro Internacional de Estudos da Pobreza da ONU mostra que a desigualdade no Brasil diminuiu um pouco entre os anos de 2001 e 2004. O estudo indica ainda que o Brasil pode estar rumo a um crescimento econômico “pró-pobre”, já que a queda da desigualdade deslocou o efeito negativo do crescimento na pobreza. No entanto, mesmo obtendo um aumento significativo da poupança interna, um maior crescimento econômico e políticas compensatórias de transferência de renda, não seria possível erradicar as pobrezas no Brasil, dadas as elevadas taxas de desigualdade e o padrão excludente de distribuição de riqueza e propriedade. Para que processos de crescimento e desenvolvimento possam ser acompanhados de melhoria na distribuição de renda no Brasil, é preciso considerar mudanças estruturais como: estratégias destinadas a promover redistribuição de recursos, política de emprego, políticas de distribuição de renda e de propriedades, elevação do salário mínimo, taxação das grandes fortunas, reforma tributária de forma que os ricos paguem mais que os pobres, reforma agrária e um sistema de proteção ao trabalho do camponês, com organizações sindicais e regras salariais básicas que permitam a permanência do camponês no campo com condições de dignidade; políticas econômicas e de produção de alimentos duradouros voltados para o mercado interno e consumo de massas; condições de democracias longas, com mobilização e organização social, unidas a processos de luta sindical e popular; políticas de ofertas plenas de bens e serviços públicos universais e com qualidade, fundamentalmente educação, saúde e transporte. Como tudo isso é quase impossível, resta trazer o tema da qualidade para o campo da efetivação de direitos; o que já representaria um grande avanço na luta pela real democratização da educação no Brasil.
LIÇÃO DE CASA
Gibiteca
A Gibiteca de Quixadá está festejando seu primeiro aniversário hoje. O espaço já disponibiliza mais de 600 gibis para crianças, jovens e adultos durante os finais de semana, na Praça José Marques. Lá, além da leitura de gibis, os cerca de 80 visitantes diários assistem a peças de teatro de fantoches, participa de jogos e atividades culturais. A Gibiteca de Quixadá integra o conjunto de ações desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Educação e Desporto com o intuito de promover o gosto pela leitura no município, que a compreende como um passaporte para a cidadania.
Especializações na UECE
A Universidade Estadual do Ceará está com inscrições abertas, até o dia 14/04/2007, para o Curso de Especialização em Metodologia do Ensino da Geografia. As inscrições podem ser feitas no Campus do Itaperi, Bloco E, sala 02. Os candidatos devem levar diploma de graduação, histórico escolar da graduação, dois retratos 3x4 e Curriculum. A taxa de inscrição é de R$ 50,00. Informações: (85) 3101-9785 / (85) 3101-9788.
Severo Catalina
Há quem duvide, mas educação e exclusão no Brasil formam uma via de duas mãos: se por um lado a exclusão e as desigualdades socioeconômicas causam impacto na oferta educacional, por outro a oferta educacional contribui para a reprodução destas desigualdades. Explico: em recente pesquisa lançada pela Ação Educativa e pelo Observatório da Educação foi constatado que fatores históricos determinam o perfil de exclusão e desigualdades no País; que esses determinantes interferem no desempenho escolar dos educandos e a atual legislação e modelo de financiamento da educação contribuem para a manutenção das desigualdades no sistema educacional. O estudo Educação e Exclusão no Brasil, coordenado por Sérgio Haddad, doutor em História e Sociologia da Educação (USP), observou que nem sempre o acesso à educação escolar apontado entre especialistas e também no senso comum é causa e conseqüência de processos de inclusão social, bem como a ampliação do grau de escolaridade pode não resultar em melhores condições de vida para as pessoas - é o que a realidade brasileira verificada nos últimos anos aponta. Segundo a pesquisa, a exclusão na educação vem ocorrendo sobretudo de duas formas: falta de acesso às escolas, caracterizada pela insuficiência de instituições; e inserção precária dos alunos nos sistemas de ensino, que não leva em consideração fatores externos como renda, raça, gênero, região do País e bairro de moradia, condições físicas e idade dos educandos, mas que terminam afetando o processo de escolarização - além das condições de trabalho dos docentes e a infra-estrutura da escola. Os dados ainda dão conta de que é falsa a idéia, bastante difundida, de que universalizamos o ensino fundamental. Na verdade, hoje, o Brasil conseguiu colocar grande parte das pessoas de 7 a 14 anos no ensino fundamental, mas a baixa qualidade do ensino, unida à baixa qualidade de vida desta população, faz com que estes alunos não consigam completar sua escolaridade, criando um novo tipo de exclusão social, aquela provocada pela incapacidade de adquirir a escolaridade, mesmo freqüentando os bancos escolares.
A pesquisa reconhece que existem pequenos avanços, como a redução do analfabetismo e da mortalidade infantil; o crescimento das matrículas no ensino público; a melhoria no acesso ao abastecimento de água, saneamento e energia elétrica; e a existência de políticas de transferência de renda, principalmente no Norte e Nordeste. Um estudo recente do Centro Internacional de Estudos da Pobreza da ONU mostra que a desigualdade no Brasil diminuiu um pouco entre os anos de 2001 e 2004. O estudo indica ainda que o Brasil pode estar rumo a um crescimento econômico “pró-pobre”, já que a queda da desigualdade deslocou o efeito negativo do crescimento na pobreza. No entanto, mesmo obtendo um aumento significativo da poupança interna, um maior crescimento econômico e políticas compensatórias de transferência de renda, não seria possível erradicar as pobrezas no Brasil, dadas as elevadas taxas de desigualdade e o padrão excludente de distribuição de riqueza e propriedade. Para que processos de crescimento e desenvolvimento possam ser acompanhados de melhoria na distribuição de renda no Brasil, é preciso considerar mudanças estruturais como: estratégias destinadas a promover redistribuição de recursos, política de emprego, políticas de distribuição de renda e de propriedades, elevação do salário mínimo, taxação das grandes fortunas, reforma tributária de forma que os ricos paguem mais que os pobres, reforma agrária e um sistema de proteção ao trabalho do camponês, com organizações sindicais e regras salariais básicas que permitam a permanência do camponês no campo com condições de dignidade; políticas econômicas e de produção de alimentos duradouros voltados para o mercado interno e consumo de massas; condições de democracias longas, com mobilização e organização social, unidas a processos de luta sindical e popular; políticas de ofertas plenas de bens e serviços públicos universais e com qualidade, fundamentalmente educação, saúde e transporte. Como tudo isso é quase impossível, resta trazer o tema da qualidade para o campo da efetivação de direitos; o que já representaria um grande avanço na luta pela real democratização da educação no Brasil.
LIÇÃO DE CASA
Gibiteca
A Gibiteca de Quixadá está festejando seu primeiro aniversário hoje. O espaço já disponibiliza mais de 600 gibis para crianças, jovens e adultos durante os finais de semana, na Praça José Marques. Lá, além da leitura de gibis, os cerca de 80 visitantes diários assistem a peças de teatro de fantoches, participa de jogos e atividades culturais. A Gibiteca de Quixadá integra o conjunto de ações desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Educação e Desporto com o intuito de promover o gosto pela leitura no município, que a compreende como um passaporte para a cidadania.
Especializações na UECE
A Universidade Estadual do Ceará está com inscrições abertas, até o dia 14/04/2007, para o Curso de Especialização em Metodologia do Ensino da Geografia. As inscrições podem ser feitas no Campus do Itaperi, Bloco E, sala 02. Os candidatos devem levar diploma de graduação, histórico escolar da graduação, dois retratos 3x4 e Curriculum. A taxa de inscrição é de R$ 50,00. Informações: (85) 3101-9785 / (85) 3101-9788.
Dê sua nota clicando nas estrelas
Comentar esta notícia
Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.
Mais Notícias
Últimas
Indique esta notícia









