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Ombudsman

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Tensão eleitoral

Paulo Verlaine


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04/10/2008 15:47

Dois atritos entre a candidata a prefeita de Fortaleza Patrícia Saboya (PDT) - ou integrantes de seu comitê - e O POVO marcaram a última semana da campanha eleitoral que se encerrou na sexta-feira e chega neste domingo ao dia decisivo: a manifestação do eleitorado nas urnas.

O primeiro questionamento deveu-se à não publicação pelo O POVO da carreata da pedetista, ocorrida no último domingo (28). Pior: este jornal, além de não noticiar o evento, publicou, em um quadro da matéria sobre a carreata da prefeita Luizianne Lins, que o evento idêntico da candidata do PDT havia sido cancelado, tendo como fonte um animador do cortejo petista! Um desastre em termos de informação. O outro incidente ocorreu durante entrevista da pedetista à TV O POVO.

REAÇÃO DO COMITÊ
Einhart Jácome da Paz, da área de marketing do comitê de Patrícia Saboya, indignado, manda-nos e-mail em que diz, entre outras palavras duras: "O POVO, ao priorizar a cobertura da carreata da outra candidata, faz um texto panfletário, acrítico e na contramão de todos os princípios jornalísticos que o Grupo O POVO historicamente persegue".

Acrescenta: "Em um determinado trecho, a matéria destaca que 'já a carreata de Patrícia Saboya (PDT), marcada para ontem, teria sido cancelada'". E pasme: a fonte da informação foi o locutor da carreata da candidata Luizianne Lins. Nem o repórter nem o editor tiveram o cuidado de checar a veracidade da informação com a assessoria de imprensa da candidata Patrícia Saboya.

ERRO ASSUMIDO
Na terça-feira (30/9), em quadro idêntico (Emais!) O POVO reconheceu que "errou ao informar na edição de ontem (segunda-feira, 29/9) que a candidata Patrícia Saboya havia cancelado a carreata programada para ser realizada na manhã de domingo, dia 18/9". E o reconhecimento do pior dos erros: "O evento da pedetista, na verdade, aconteceu. A informação (de que não seria realizado) foi passada pelo locutor durante carreata da candidata do PT, Luizianne Lins, e reproduzida sem a necessária apuração com a assessoria de Patrícia". O editor-executivo do Núcleo de Conjuntura, Guálter George, repeliu insinuações de qualquer direcionamento da cobertura.

ENTREVISTA ACALORADA
Mais acirramento de ânimos entre a senadora Patrícia Saboya e O POVO ocorreu na última quarta-feira (1º/10), durante entrevista da pedetista à TV O POVO. Instada pelo jornalista Érico Firmo a divulgar os nomes das principais empresas que financiam sua campanha, a candidata, depois de comprometer-se a divulgar essa relação, desafiou os entrevistadores: condicionou o envio das informações (nomes das empresas financiadoras de sua campanha) à divulgação da importância em dinheiro que a TV e o jornal O POVO recebem em verba publicitária da Prefeitura Municipal de Fortaleza.

A reação de Patrícia Saboya mereceu rebate do editor Gualter George no Ponto de Vista "O limite de uma agressão" (2/10, página 26, Política): "Colocar a intenção de nossas perguntas em dúvida, sob o inconsistente argumento de que o jornal troca sua credibilidade por cotas de patrocínio com a prefeitura de Fortaleza, é uma agressão à nossa honra, minha e dos demais editores e repórteres que formam a equipe atual de Política."

Do ombudsman: duas situações bem distintas. Na primeira, O POVO errou e reconheceu o erro. Na entrevista, a indagação de Érico Firmo é um questionamento natural. Atribui-se a reação de Patrícia Saboya ao acirramento dos ânimos na etapa final da campanha.

SANTA QUITÉRIA
"Compra de voto com dinheiro falso" diz manchete da página 21 (Política, 2/10). Na matéria, o delegado Ribamar Lemos diz que "os envolvidos fazem parte de coligações (sic) dos candidatos a prefeito Carlos Frederico (PSB) e Chagas Mesquita (PSDB)". No dia seguinte (2/10, também página 21) o desmentido: "Candidatos negam envolvimento" e uma estranha declaração do mesmo delegado Ribamar Lemos que "negou, ontem, enfaticamente, que essas pessoas possam fazer parte das coligações dos candidatos Carlos Frederico (PSB) e Chagas Mesquita (PMDB)". Sobre a tremenda confusão, Guálter George, editor de Conjuntura, deu a seguinte explicação:

"O primeiro material publicado sobre a crise de Santa Quitéria, na edição da quinta-feira, 2/10, apresenta um problema que consideramos ter reparado com o texto do dia seguinte, 3/10. O delegado Ribamar Lemos nos procurou para informar que sua declaração acerca do assunto tinha sido mal interpretada e que, na verdade, não acusara qualquer das coligações, muito menos as citadas no texto, de envolvimento com o caso de uso de cédulas falsas para compra de votos.

Fizemos, então, o que nos cabia: publicamos novo material, com informações atualizadas do caso e o esclarecimento do delegado, pondo em destaque (através da ferramenta chamada de ventilação) a frase em que ele diz não ter citado coligações. Além disso, ressalte-se, cuidamos de garantir o mesmo espaço e o mesmo destaque à notícia do dia anterior. Sem dúvida, consideramos que os eventuais problemas ocasionados pela matéria, excluindo-se o seu uso reprovável com fins eleitoreiros, foram reparados".

PERGUNTAS
O ombudsman questiona. Ficam ainda algumas perguntas sem resposta: o delegado disse ou não disse o que foi publicado na edição de quinta-feira (2/10)? Se disse, a declaração foi gravada pela repórter? Como o delegado pode afirmar uma coisa e, no outro dia, desmentir a declaração? Como fica a reputação dos candidatos citados se os envolvidos não são ligados politicamente a eles?


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O jornal passou dos limites do razoável.Escancaradamente assumiu uma postura parcial na eleição, a meu sentir, por conta das verbas públicas .Só não enxerga quem as recebe.Ainda tenta fazer os leitores de imbecis com desculpas esfarrapadas.Nós ainda vamos pagar um alto preço por termos um imprenssa venal e comprometida com os pagantes.Essa feição imparcial que se quer vender ,essa ética ventilada serve apenas de pano de fundo para o comércio de notícias.A solução que se impõe ao leitor que percebe e não concorda é simplesmente não ler mais o jornal.Essa decisão já tomei em relação a algumas revistas, e nessa assentada, afirmo , é minha última leitura ao OPOVO.

ANTONIO OSMIDIO TEIXEIRA ALENCAR

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