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A política cearense após 5 de outubro

Érico Firmo


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04/10/2008 15:47

Dois anos depois de conquistar o Governo do Estado, Cid Gomes garantirá hegemonia nas prefeituras do CE(Foto: MAURI MELO)
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Dois anos depois de conquistar o Governo do Estado, Cid Gomes garantirá hegemonia nas prefeituras do CE(Foto: MAURI MELO)

As eleições deste domingo (5) no Ceará representam o fim do período de transição que vem desde 2006 e servirão para demarcar com clareza como fica a nova correlação de forças no Estado. A atual distribuição das prefeituras do Estado entre os partidos políticos ainda remontam ao governo Lúcio Alcântara (2003-2006), cuja sustentação política ficou em farelos depois da eleição do governador Cid Gomes (PSB). O resultado que hoje sairá das urnas irá retratar essa nova hegemonia - bem como o tamanho que ela terá.

Até pelo tamanho da base aliada do governador, praticamente a totalidade dos prefeitos que serão eleitos sairão de legendas da base de sustentação do Palácio Iracema. Mas não haverá nem de longe o predomínio absoluto de um único partido, como havia no auge da era tucana. O nível de fidelidade ao governador varia de uma legenda para a outra. O tamanho que cada sigla terá no Estado depois da eleição de hoje será determinante também para sinalizar quem ganhará força dentro da base aliada e, eventualmente, poderá apontar até para o surgimento de uma alternativa de oposição.

O PSDB, que elegeu 70 prefeitos em 2004 e hoje comanda em torno de 60 prefeituras, certamente ficará menor. Provavelmente até elegerá muitos prefeitos, permanecendo entre as maiores forças em número de municípios administrados. No entanto, sairá derrotado em muitos dos maiores centros. Das maiores prefeituras do Estado, só é favorito no Crato. Em grandes municípios nos quais venceu em 2004, como Iguatu e Quixeramobim, os tucanos nem têm candidato próprio. Corre ainda risco concreto de derrota na principal prefeitura que administra: Juazeiro do Norte.

O tamanho com que ficará o PSDB depois das eleições de hoje será determinante para o nível de adesão ou rebeldia que o partido terá em relação ao Palácio Iracema. Embora tenha dois secretários e integre a base aliada de Cid, a sigla não participou da eleição do governador e, portanto, tem mais autonomia para criticar o governo.

Embora dificilmente vá figurar na lista de partidos que mais elegerão prefeitos, o PT provavelmente sairá fortalecido, principalmente nos grandes centros. É favoritíssimo para a reeleição em Fortaleza e poderá conquistar ainda Juazeiro do Norte, maior município do Interior do Estado. O quase certo fortalecimento petista significará a criação de um pólo de poder dentro da base aliada. Mas não o único. O PMDB também deverá crescer, assim como o partido do governador, o PSB, e sua legenda, digamos assim, alternativa, o PRB.

Com a ascensão dessas novas elites municipais, chegam ao poder, também no Interior, grupos ligados à atual cúpula do Executivo cearense. A manutenção dos grupos de poder municipais, historicamente, tem sido a chave do controle do poder também na política estadual. O resultado de hoje - sobretudo em função da ausência de uma alternativa real - começa a alicerçar o caminho para a reeleição do governador daqui a dois anos.

A Capital
Em Fortaleza, a provável eleição de Luizianne Lins (PT) - quer se confirme neste domingo (5), quer ocorra no 2º turno - significará o fortalecimento desse novo eixo político que há dois anos vem sendo costurado, com o PT, os Ferreira Gomes e o PMDB. São grupos poderosos, com subdivisões internas, cuja convivência precisa ser administrada com cuidado. Caso tenha a vitória em Fortaleza confirmada, a frente política caminhará para consolidar uma estrutura de poder tão ou mais ampla - porque até agora sem contraponto mais efetivo - que a que existiu durante as duas décadas da era Tasso. Desde que sobreviva ao teste de 2010, quando existe possibilidade de os Ferreira Gomes não estarem no mesmo palanque que o presidente Lula e o PT.

Ruins de mira, graças a Deus
Raro foi o dia, ao longo dos três meses de campanha, em que não chegou à Redação do O POVO denúncia de que algum candidato havia sido alvo de atentado. Foram atingidas portas, automóveis, marcas de tiro ficaram nas paredes. Felizmente, não chegou informação de que alguém tenha sido atingido. Graças a Deus, a mira dos pistoleiros contratados pelos adversários políticos não anda nada boa.


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