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Ecologia

ECOLOGIA

Trabalho humano e meio ambiente

Edgard Patrício


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11/08/2007 17:17

"Eu vou preservando a natureza e a abelha vai fazendo a parte dela". A simplicidade com que Tadeu resume sua lida como apicultor expressa sua compreensão da importância do equilíbrio entre o trabalho humano e o meio ambiente, já presente em seu cotidiano. "A gente aprende a viver, a trabalhar a natureza. Com o debate e a experiência, a gente abre a mente e aparecem novos horizontes". É com esse espírito que Tadeu cuida de um lote, com 12 hectares, da Fazenda Nova em Tapuiará, distrito de Quixadá. Na área, herança de família, duas práticas predominam. Apicultura, a principal fonte de renda de Tadeu, e a agrofloresta, principal fonte de vida de todo o sítio. Tadeu vem reflorestando os 12 hectares do sítio onde mantém seu apiário. Em uma área específica, desenvolve a experiência de consorciar, em um sistema agroflorestal, o plantio de milho, arroz, gergelim, feijão e outras leguminosas, com o de plantas nativas e fruteiras.

Na pequena propriedade, seu Aroldo iniciou esse ano um sistema agroflorestal (SAF), introduzindo espécies agrícolas e de recuperação de solo, consorciadas com espécies nativas já existentes. (...) Tudo começou (...) com um plantio consorciado denso no meio de uma área com plantio de mudas. A idéia era provar que se pode recuperar uma área de mata ciliar, garantindo a produção de espécies como feijão, milho, mamona, girassol, gergelim e plantas que vão fazer o trabalho de recuperação do solo, como feijão guandu e a mucunâ, e também de plantas nativas. A experiência vem dando certo. Seu Aroldo sentiu a primeira diferença ao ver como os efeitos da estiagem do começo do ano foram menores no seu sistema agroflorestal do que nas áreas de alguns vizinhos. De acordo com ele, os vizinhos plantaram na mesma época, mas não conseguiram obter sucesso, porque as plantas não resistiram à falta de chuva. Por estar protegido pela biodiversidade, o sistema agroflorestal fica mais resistente às intempéries da região.

"Minha mãe ia capinar e como não tinha com quem me deixar, ela me levava. Armava uma rede na roça e me botava lá, deitadinha. Aí eu ficava lá e ela ia capinando...", relembra dona Terezinha os seus primeiros contatos com a terra. (...) Hoje, cuida da herança familiar - um sítio com cerca de 90 hectares - dedicando-se ao hectare que elegeu para implantar o sistema agroflorestal. Iniciada em novembro de 2005. (...) "Eu me sinto na obrigação de resgatar e preservar a natureza. Reconstruir aquilo que eu ajudei a destruir, sem consciência, junto com meu pai", diz, explicando porque optou pelo manejo agroflorestal. (...) O trabalho com agrofloresta causou e ainda causa estranheza entre a vizinhança, acostumada com as queimadas e desmatamentos para a prática da agricultura. Dona Terezinha fala, com um sorriso nos lábios, sobre a reação dos vizinhos. "Tem uns que perguntam se eu estou doida, porque no lugar de eu tá plantando só o milho e o feijão, eu fico plantando pé de pau. Ficam perguntando pra que eu quero".

Prosas e causos como esses, colhidos por Klycia Fontenele, estão na revista Agrofloresta, editada pela Fundação Cepema, relatos de experiências de agricultores e agricultoras em agroecologia no Ceará. (85) 3223 8005, cepema@attglobal.net ou www.fundacaocepema.org.br

Emprego ambiental
Associação Caatinga abre vaga para gerente de programas em Fortaleza. Entre as atribuições, coordenação de programas, apoio aos coordenadores de projetos, identificação de novas oportunidades e gestão dos projetos. Enviar currículo com pretensão salarial até 31 de agosto. caatinga@acaatinga.org.br

Não à carcinicultura
A Justiça Federal mandou suspender a emissão de licenças ambientais para fazendas de criação de camarão no litoral baiano para os empreendimentos que não têm estudo de impacto ambiental. Ainda determinou que novos projetos de carcinicultura em funcionamento sem o aval do Ibama também sejam paralisados provisoriamente.


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