Demitri Túlio
09/08/2008 00:43

DESPEDIU A EMPREGADA doméstica sumariamente. Amanheceu encafifada e chamou a zinha para uma conversa. Pagou seus direitos, mandou que arrumasse suas trouxas e pegasse o beco. A secretária, coitada, marejou os olhos mas quando quis derramar, engoliu seco. A dona da casa não permitiu que choramingasse.
A PATROA, DEPOIS que completou cinqüenta anos, passou a ter atitudes esquisitas. A última cisma era com as meninas que chegavam pra trabalhar em sua cozinha e varrer os cômodos. Em menos de dois meses, não havia parado ninguém por lá. Foram quatro moças vindas do Interior. Chegavam magrinhas, mas com duas semanas de Toddy e Farinha Láctea, entaludavam.
CABOCLAS QUE DEPOIS de gordas e coradas, revelavam suas feições. A última que mandara embora sobrava busto no soutien. Além disso, a patroa havia notado, tinha os mocotós torneados e batatas de não se tirar os olhos e lábios carnudos.
ESTAVA SOFRENDO depois que chegou as cinqüenta. A demissão das empregadas, havia explicado ao marido, era uma questão de ineficiência das zinhas. Não havia correspondido as expectativas, além de serem porcas e dormirem mais que a patroa.
MAS NÃO ERA BEM ASSIM. Uma delas foi mandada embora por que a pele era uma seda. Alva, a patroa não entendia como uma pessoa que tinha vindo das brenhas de um cu de mundo, não tinha uma arranhão nos braços e pernas. E as mãos? Nenhum detergente engelhava o couro e nem fofava os cantos das unhas.
A PATROA ESTAVA COM mais de cinqüenta. O marido era um ano mais novo e ainda tinha gás. E se ele, por algum motivo se encantasse com uma das domésticas? Havia um caso na família que o cunhado largara a mulher por causa de uma empregada que chegou de Quixadá. E isso, quando a esposa ainda era novinha! Do mesmo naipe da fulaninha.
ELA, AOS CINQÜENTA, entrara numa crise daquelas. A pele não era a mesma, os seios já não eram tão hirtos e os músculos haviam flácidos. Mas ela se cuidava, mas por mais que fizesse halteres, não conseguia esconder o tempo. Estava tão assim, que passava pouco tempo nua na frente do marido e não mais tomava banho com ele.
AS FORNICAÇÕES PASSARAM a acontecer no escuro e não havia perigo de usar calcinha ou soutien puídos. Nem pra dormir. Nada que o marido pudesse perceber, que empregadas tinham vinte e poucos anos.