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Das Antigas

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Às minhas amigas...

Demitri Túlio


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31/05/2008 01:13


TINHA ALGUNS COSTUMES. Um deles era pôr perfume no calcanhar. E não exagerava na dose, apenas aspergia gotinhas atrás do pé quase de seda. Tronco um pouco torcido, frasco de cheiro na mão, despida, repetia o ritual quando estava com vontade de desnortear alguém. Homens ou mulheres. Principalmente, meninas de 20 ou 70 anos.

HAVIA UMA EXPLICAÇÃO para os extremos na hora da escolha dos idílios. Foi uma senhora, setentona, que a desposou verdadeiramente como nem sonhava. Pois não imaginava existir prazer como o que experimentou. Vinte anos! Tinha se relacionado com uma fulana que somava idade para ser sua abuela.

MAS FOI A BEM CASADA senhora que a fez feliz pela primeira vez. E vejam, até aquele dia (foram, pelo menos, 10 encontros até a morte (súbita) da septuagenária) não havia homem que chegasse perto dos segredos da que poderia ser sua avó. E que fique anotado, não foi a senhora que cortejou primeiro. Ela foi cercada, até que cedeu aos encantos de quem tem 20 anos.

UM DESTROÇO E, AO MESMO tempo, um surto de felicidade para a senhora. Era casada! Tinha três filhas! Netos e uma história de professora na cidadezinha de Aquidabã. Mas fazer o quê? A menina dos 20 anos havia lhe dado o que o marido não deu em 55 anos de casamento.

PERCEBIA TUDO. FOI A moça, que, ao se baixar para limpar migalhas de bolachas finas no mosaico, sentiu o perfume suave que vinha do calcanhar da senhora. Uma ponta de nariz que levemente tocava as costas nuas dos pés. A septuagenária foi à lua pela primeira vez. Acreditem, o marido nunca fez comentário sequer. E já se iam 55 anos que aspergia a encantos nos calcanhares.

ERA A MENINA TAMBÉM que se encantava com o jeito de a senhora desabotoar o sutiã. Sutílimo e, depois, segurar os seios (ainda hirtos) com delicadeza. E todos os sentidos da moça se enchiam de um prazer brando e delirante. De apertar as pernas, fechar os olhos e grunhir fino.

A SENHORA ENLOUQUECIA com esses e outros ínfimos. Mimos que o único homem de sua vida passava batido. Deixou-se, por exemplo, engordar e só faltava sufocá-la na alcova. Ia sempre antes, rápido, e não se preocupava em qual estação a esposa ficava a contar marias-fumaça. Uma vez, quis sentar abaixo do umbigo do marido, mas foi reprovada com um olhar e volveu. Era embaixo que deveria restar.

EM RETRIBUIÇÃO, A MOÇA era beijada nas dobrinhas dos braços, pescoço, virilhas e costas dos joelhos. Às vezes, nem fornicavam, bastava deitar a perna sobre o dorso uma da outra. Adormeciam e também era bom.

A MENINA APRENDEU A aspergir perfume no calcanhar. Quem fosse sensível e descobrisse, homem ou mulher, a teria para experimentar qualquer possibilidade de fazer.


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