Das Antigas
DAS ANTIGAS
A Albarrã dos Generosos IV (Bárbaros)
Demitri Túlio
26 Jan 2008 - 00h31min
TAL QUAL UM ALMORÁVIDA, vivia dona Senhora. Encerrada em uma torre da fortaleza dos Generosos. Mas já àquela altura das acontecências, preocupava-se apenas em escrever e ir indo. Quando queria andar descalça e molhar os pés no riacho das ribeiras das frutas-pães, íamos escondidos. Depois, sentada em um rochedo, pedia para que eu lhe esfregasse a palma dos solados com pedrinhas. Grunhia por frouxel quando o vigor passava da conta.
PÉS ROSADOS, UNHAS BEM aparadas e arredondadas. Dedos de menina, anjo em dia de enterro de rebento mal nascido. Estava a cada mês mais menina. Plena. Quanto mais o frotteur apoquentava as caboclinhas, mais dona Amabel fazia o caminho de volta para a meninice. Dava-me arrepio vê-la remoçar. Daqui a pouco estaria com os aperreios de minha adolescência. E não custaria muito, o velho não parava de fornicar.
NO DIA EM QUE FIZ 18 ANOS, quis deixar a albarrã para tomar a bênção de minha mãe. Tive de retroceder das vontades. Iria lampejo, o tempo de secar um escarro numa ventarada. Mas li nos papéis de dona Encarcerada que os bárbaros iriam invadir a terra dos Generosos. Vingança por causa da bolinação nas alheias. Curumins abestalhados que se achegavam no terreiro e acabavam capturadas na alcova do patrão.
INVADIRAM. QUEIMARAM ALGUMAS plantações e escalpelaram alguns dos capangas. Queriam mesmo era lamber o vermelho do velho nojento. Pendurá-lo no mourão ou galho de goiabeira forquilha e vê-lo estrebuchar à cabidela. Pingar em cuia de coité até se ir. Mas não tinham como chegar à casa-mãe da fazenda. Muitos negos (quase livres) de café, portugas, fazedores de charque, vaqueiros e bárbaros de tribos engabeladas.
NOS QUINTAIS SEM FIM do Senhor Generoso havia índios que comiam do cocho do patrão. Em troca, a troça dos cabeças-chatas lidava com a cajuína, rapadura, farinhada e a cachaçada. Pra bem dizer, o que havia de terra ali povoada (pelos generosos, Sampaios, Gonçalves, Alencares...) foram tomadas na marra dos bárbaros. Quem resistiu virou mal querência.
DECIDIU (Era o senhor dos invernos e das secas) que a vingança começaria dali a pouco. Decretou que não haveria mais bárbaros nas terras dos generosos e vizinhança. Lugar nenhum. Todos seriam trucidados. E depois de se ajoujar com os padres, mandou construir uma igreja de pedra em cada aldeia sumida. Não ia existir mais índios.
CONTINUA NO PRÓXIMO SÁBADO
PÉS ROSADOS, UNHAS BEM aparadas e arredondadas. Dedos de menina, anjo em dia de enterro de rebento mal nascido. Estava a cada mês mais menina. Plena. Quanto mais o frotteur apoquentava as caboclinhas, mais dona Amabel fazia o caminho de volta para a meninice. Dava-me arrepio vê-la remoçar. Daqui a pouco estaria com os aperreios de minha adolescência. E não custaria muito, o velho não parava de fornicar.
NO DIA EM QUE FIZ 18 ANOS, quis deixar a albarrã para tomar a bênção de minha mãe. Tive de retroceder das vontades. Iria lampejo, o tempo de secar um escarro numa ventarada. Mas li nos papéis de dona Encarcerada que os bárbaros iriam invadir a terra dos Generosos. Vingança por causa da bolinação nas alheias. Curumins abestalhados que se achegavam no terreiro e acabavam capturadas na alcova do patrão.
INVADIRAM. QUEIMARAM ALGUMAS plantações e escalpelaram alguns dos capangas. Queriam mesmo era lamber o vermelho do velho nojento. Pendurá-lo no mourão ou galho de goiabeira forquilha e vê-lo estrebuchar à cabidela. Pingar em cuia de coité até se ir. Mas não tinham como chegar à casa-mãe da fazenda. Muitos negos (quase livres) de café, portugas, fazedores de charque, vaqueiros e bárbaros de tribos engabeladas.
NOS QUINTAIS SEM FIM do Senhor Generoso havia índios que comiam do cocho do patrão. Em troca, a troça dos cabeças-chatas lidava com a cajuína, rapadura, farinhada e a cachaçada. Pra bem dizer, o que havia de terra ali povoada (pelos generosos, Sampaios, Gonçalves, Alencares...) foram tomadas na marra dos bárbaros. Quem resistiu virou mal querência.
DECIDIU (Era o senhor dos invernos e das secas) que a vingança começaria dali a pouco. Decretou que não haveria mais bárbaros nas terras dos generosos e vizinhança. Lugar nenhum. Todos seriam trucidados. E depois de se ajoujar com os padres, mandou construir uma igreja de pedra em cada aldeia sumida. Não ia existir mais índios.
CONTINUA NO PRÓXIMO SÁBADO
Dê sua nota clicando nas estrelas
Comentar esta notícia
Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.
Mais Notícias
Últimas
- 11:57Cid Gomes enfrenta protesto na Uece
- 01:35Mil e uma razões
- 16:57 Sarney diz a Lula que não pedirá licença ou renunciará ao cargo
- 00:27Cid Gomes vive manhã de protesto, suor e bandejão
- 16:21Arthur Virgílio diz que Lula é refém de PMDB para governar
- 18:07Desabamento de arquibancada será motivo de inquérito policial
Indique esta notícia









