Demitri Túlio
20/10/2007 00:27

DESOLHAVA E AMARRAVA A CARA quando algum visitante, inocentemente, comentava sobre as aparências da cunhantã. Não tinha traços dele e nem da mulher. E teria de quem? De alguma tia, dos avós? Improvável. A família era rosada nas maçãs do rosto e de cabelos de fogo. Sarará. Gente alta de Araçuba e torneada. Fornida, mocotós grossos e tanajura. Quase todo nascente dali vinha ao mundo assim.
TALVEZ PORQUE MEIO tribo. Primo que se casava com a prima legítima. Por isso, um ou outro aleijão ou abestado em fundos de rede. Raro, porque diziam também, que, ao parturir, as descansadas sufocavam os defeituosos no riacho que dava de beber e comer ao cu de mundo. Cafundós. Do inferno da pedra pra dentro.
NO OCO DA TAQUARA não se admitia em conversas, mas era permissivo filha embuchada pelo próprio pai. Irmão também. E no pacto silente da licenciosidade, o vão no de fazer noturno e a lamparina serviam de desculpa. Sem-vergonhice. Coisa de animal, falta de um sacerdote, doutor, cabo de destacamento ou relho.
ERA COMUM NAQUELA BAIXA de égua acontecer desses enviesados e avessos. Mas a cunhantã não era filha da aberração. Carregava traços de gente estranha, moura. Mouros comerciantes davam vez em quando, quando se perdiam, com a curva daquele pé de vento. E para não perder a viagem, se aboletavam. Arranchavam pra dar de comer e beber aos animais e faziam assento morno pra desmondrongarem as hemorróidas.
ERAM CABOCLOZARRÕES, MÃOS grandes. Vendedores de mandibas. Patas firmes e um abraço de lenhador. Narizes, assim dizer, fálicos. Lapas. Motivo pra deixar o lugar-longe atiçado. Havia, além das casadas e solteiras vítimas, mancebos efeminados. Mas só as matrimoniadas fumegavam com os forasteiros. Talvez vingança por terem sido bulinadas pelo próprio pai e, depois, testemunharem-mutemas as filhas serem remexidas.
EMBARRIGAVAM DOS ESTRANGEIROS. Dois ou três noites de riacho e tudo que não tinham com os cornos. Quatro casadas pra cada mouro. Mas, estranhamente, vingavam a honra dos maridos esfolando e dando às águas os efêmeros. Bem depois das fornicações, quando batia a morrinha e o aloprado tirava o sono.