Demitri Túlio
29/09/2007 02:24

CARA LEITORA E LEITOR,
HOJE É UM DAQUELES sábados que peço permissão para não fazer nenhuma história inventada. Sábados, já escrevi, são motivos para troca de gentilezas. Aqui vai a minha retribuição à generosidade vossa pela leitura que dispensam à Das Antigas. Na próxima quinta-feira, 4 de outubro, estarei lançando o livro Das Antigas - Crônicas Escolhidas 1. Será às 19 horas na sala de convivência da reitoria da UFC. Sintam-se, desde agora, convidados. Não enviarei convites formais. Pudesse, mandaria uma Rural (ou fusca) buscar cada um na soleira da casa.
DIA 4 DE OUTUBRO, por sinal, é dia de São Francisco. Por acaso, a festa simples de autógrafos vai acontecer nesta data franciscana. Não me lembrava do dia do santo. Mas acredito, até os fortuitos querem dizer algo e costuram conjugações. Não foi a esmo que o dia do lançamento caiu no dia do Gentil.
TALVEZ AQUELA LÓGICA que falam os sabidos e o dicionário. O acaso, surpreendentemente, é o encontro de pequenas causas independentes entre si, que se prendem a leis ignoradas ou mal conhecidas, e que determinam um acontecimento qualquer.
QUERO CONFESSAR PRA vocês que a Das Antigas nasceu, em 2001, por acaso. Não foi planejada, como uma gravidez de recém-casados que aprontaram o quarto, combinaram as cores, relacionaram nomes e ajuntaram sapatinhos. Veio que nem filho por acaso, mas tão amada (ou mais) quanto a primeira menininha ou os dois varões.
FEZ-ME E FAZ-ME BUSCAR, como Dom Quixote e seu Sancho, moinhos de histórias e ventos. Lugares da memória íntima (despidos aos sábados) e lampejos das pertencências alheias. Subo nos muros, trepo goiabeiras, brecho por fechaduras, flano pelas ruas, escuto o armador ou a cama ranharem. Invento e reinvento histórias que me querem fazer ouvir. E sou agradecido.
DAS ANTIGAS, PERMITIDA pela editora Regina Ribeiro, contribuiu para o experimento de outro texto além da técnica. Repórter sou de carteirinha e, se morrer, quero voltar para a mesma UFC e encontrar Salgados, Góssons, Carvalhos, Honórios e Adísias. Ser de novo jornalista. Mas foi a coluna que me batizou na invencionice. Neste canto de jornal posso, é preciso. Daqui, pra reportagem, carrego o jeito de fabular.
ALÉM DISSO, DAS ANTIGAS costurou uma relação diferente com o leitor. Agora, mais perto. De parar na rua ou no supermercado e prosear sobre o nada. De levar carão ou receber elogio sobre essa ou aquela safadeza escrita. De me abraçarem como se tivesse sido criado na mesma casa. De acharem que sou um senhor de 90 anos... Muito legal. Estejam todos convidados.