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Das Antigas

DAS ANTIGAS

Furtar Dona Antônia II

Demitri Túlio


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04/08/2007 01:43


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SOBRE A HISTÓRIA DO SÁBADO passado, "Furtar dona Antônia", recebi carta de uma leitora que me causou encanto. Voltei às gavetas da infância e fui catar lembranças. Escreveu-me para dizer que recordava da paixão infantil que eu sentia pela senhora mais velha e o quanto a enciumava.

"CARO COLUNISTA, ex-menino de trepar goiabeiras, acendedor de vagalumes e inventor de aeroportos para manés-magros. Não deveria estar te escrevendo. Ainda sou tímida e, só em pensar que me quedas a ler, enrubesço as maçãs e a testa ferve. Mas é que, finalmente, após quase 30 anos, se encheram de coragem os desejos.

POSSO PARECER TOLA e me perder em sentimentalidades. Não importa. Hoje, já és moço feito e de vida (suponho) traçada. E eu, ex-menina de andar descalça e brincar de ser invisível, também tomei rumo. Fiz nascer rebentos apaixonantes e vivo amores possíveis.

UMA DE MINHAS CRIAS, UM adorável menininho feio, nariz afilado, cabelos encaracolados, sorriso de covinhas extremadas e um fio de magrura, me faz volver à meninice. Quase toda hora reinventa coisas e me diz surpresas.

PEDIU-ME NO ÚLTIMO domingo que escrevesse plaquinhas com os dizeres: "Fazenda de sacis livres. Não insista, caça proibida". Fiz e ele saiu pregando pelo jardim e o quintal doce que a casa possui.

NOUTRO DIA TAMBÉM, revelou que a calangada do muro baixo havia pedido a ele que inventasse asas e um jeito de eles cuspirem fogo. Queriam brincar de ser dragões e de raptar a 'pincesa' Sarah do reino da Reriutaba. Ele seria um Artur, Gabriel ou um Pedro Túlio da Pirulitânia.

FAZ-ME RIR, DEIXA-ME sem fôlegos. Já meti o pé na carreira a seu lado, escapulindo de uma tal mula sem-cabeça incendiada. Foi para encher balde d´água e apagá-la dos maus pensamentos e burrices. Ele se arrependeu do que fez e acendemos fogueira pra burrinha parar de chorar (mesmo sem cabeça e olhos pra se derramar!).

POIS BEM, FALO dele pra trazer você nas recordações. Nós três. Enquanto dona Antônia não sabia do amor grande do menino, o pirralho desconhecia a desmedida paixão da menina. Enquanto você a brechava, eu o bisbilhotava. Fiz planos de brincar de se casar e fugirmos numa moto para o Rio Grande do Sul. Friioo!

TOMAMOS OUTROS RUMOS e viramos gente grande, mas amor de infância não foge com o vento. Muda de cor, cria asas de borboleta e, vez ou outra, sentimos seus cheiros e o gosto de tamarindo doce."


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Essa coluna é maravilhosa. É tudo de bom.

jose edmundo filho

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Gosto de ler toda semana estes textos "Das Antigas" e às vezes me vejo brincando entre as histórias contadas como se revivesse a minha infância. Queria que fossem todos os dias e a que mais gostei foi a do "ciúme do filho" estou aguardando na próxima outro desfecho tão interessante como o desta semana.

Sandra Milva de Souza Belarmino

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Adoro essa coluna. Nos leva a um passado tão maravilhoso. Tempo de paz, inocência e, principalmente desses amores que muito nos comove. Tabém tive alguns que viraram gosto de "tamarindo doce". Parabéns!

Maria do Carmo Lins Torres

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