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Das Antigas

DAS ANTIGAS

Dia dos namorados, a confusa

Demítri Túlio


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16/06/2007 02:23


PEÇO QUE HOJE DÊ UMA PAUSA em suas libidinas narrativas. Penso, às vezes, que na alcova não és metade do que escreves. Palavreado aprumado e desempenho minguado. Mas são assim os homens. Há outros, por sinal, que fazem de bichos e coisas pessoais extensões do próprio falo. Compensações. Não observas os que se amostram com meio metro de cachorro passeantes nos calçadões?

OU OS QUE OSTENTAM AUTOMÓVEIS aloprados, blazeres e outros medonhos? E aqueles fissurados por armas de fogo? Quanto maior, mais excitante! E os tais que fazem da bola de futebol razão de viver e brocham quando o time do coração levou malho? Acredito, talvez, que todos são querubins... Lindinhos, de render vontades de apertar as bochechas, morder os glúteos, mas de nada valem as fechas.

MAS DEIXEMOS DE MÃO OS HOMENS e seus esconderijos. Caso te envergonhes, ou caiba a carapuça, não publiques o início dessa conversa. O que vem a seguir, se possível e de qualidade, transcreva o que digo em figura de missiva.

NA SEMANA QUE ESTÁ FINDANDO, dia 12 pra ser mais precisa, vi-me angustiada. E nem carecia, não sou dessas melindradas. Falo assim porque não tolero datas marcadas, compromissos fechados e obrigações de ter de presentear e ser cortejada.

HAVERIA DE SER TODOS OS DIAS esse tal dia dos namorados. Afinal, não estão laçados pelo idílio desmedido! Não se permitem provar da língua um do outro! De se mordiscarem as orelhas, muitas vezes ainda com gostos amargos! Não suportam o mau hálito das primeiras horas da manhã!

MUITO ME ABORRECE TER DE amanhecer, só naquele dia, com um sorriso de ponta a ponta. Ora, careço de gentilezas De receber e retribuir por quase nada ou coisa alguma. Deixa eu contar um detalhezinho: já fui casada com homem e hoje vivo com uma psicóloga. Pensei que as coisas fossem diferentes. Sim, são diferentes em obviedades. Mas, no trato, não há grande mudança.

E VOLVI PORQUE PENSEI NA TAL sensibilidade feminina. Balela! Sonhei também com a história besta de que as mulheres amam com o coração, que não miram apenas no que há entre as virilhas. Conversa! Estou pensando, seriamente, em tentar a vida com um amigo que saiu do armário, não gostou e está também sem porto. Quem sabe!

DIA DOS NAMORADOS, 12 de junho de 2007. Não agüento mais receber telefonemas de amigas que não conseguiram homens ou namoradas e estão depressivas. Não agüento mais o chato do Santo Antonio e quem vive a persegui-lo, prometendo deixar de comer chocolate ou parar de beber coca-cola. Não agüento mais o som do violino no trabalho e o entregador, de instante e instante, a trazer flores e cartões adocicados...

GOSTO DE ALGUNS RITUAIS, mas prefiro as datas "desmarcadas", as festas "imprevistas"... Os beijos "descombinados". Esses, sim, não têm gosto de grape da Avon ou sabores de Natura ou Colorama. Aposto nos despropósitos...

DIA 12... RECEBI UMA CACHO DE rosas vermelhas, ganhei uma cesta de café ligth, fiz sem vontade e terei de encarar um jantarzinho romântico... Tô saindo de casa, vou pegar o elevador e, quando a porta se abrir, espero encontrar quem eu nunca esperei e veio me buscar...


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