Demitri Túlio
04/11/2006 02:04
QUANDO O MOÇO VIU A recém namorada chupar, vorazmente, um dos pés da galinha, percebeu que a intimidade havia rompido a barreira dos primeiros 30 dias. Sorvia. Ele a cubava, meio avexado... Ninguém roeria um pescoço ou faria confusão dos diabos pelo sobrecu se não fosse íntimo o suficiente! Poderia tá na hora de bastar o idílio.
RELEVOU AS TUNGADAS assobiantes que a zinha dava no pescoço e pés. Mesmo recordando da ciscadeira das galinhas da avó. Absortas, exultantes, embaixo dos girais e no meio do lameiro. Restins de arroz, cachorros d´água, baratas, cobras de duas cabeças e outros acepipes. Até vá lá!
MAS UM SOBRECU!? Era se permitir íntimo demais em tão pouco tempo. O pior, ouviu da boca dela (ainda escorrendo gordurenta) que não se dava por fartada apenas com um. Vez ou outra separava dos miúdos e devorava, especificamente, baciada dele. E ainda alardeava que era o mesmo que apertar uvas entre os dentes. Uma uva!
PERTURBARA-SE. INVENTOU alguma coisa e xispou dali. Não se imaginava beijado pela donaninha após a patuscada. Bebericou-a na testa e ela marcou pra mais tarde outro rendez-vous. No apartamento dele. Lá, óbvio, já havia acontecido coisas. Mas tudo, por enquanto, dentro de um limite de privacidades e disfarçatez.
ELE MESMO AINDA não havia usado das cuecas frouxas e furadas de dormir. E ela não tinha ido por lá com os sutiãs puídos ou calcinhas gastas no forro. Amarelas. Um na frente do outro também não arrotavam, nem soltavam puns, nem enfiavam dedos no nariz, nem tomavam sopa fazendo zoada, nem confidenciavam experiências de dores de barriga vexatórias...
O RAPAZ ERA DESSES que enrolava algodão no palito de fósforo e cutucava os ouvidos. Que palitava os dentes no restaurante e colocava a mão na frente se achando educadíssimo... Ela, por sua vez, falava alto, dava vexame quando bebia, limpava as unhas com a ponta da faca de mesa e adorava enfiar o pão no copo de Sukita. Porém, nenhum dos dois ainda havia colocado as asinhas de fora.
MAS O SOBRECU DA galinha era um presságio. Ninguém, tão cedo, revelaria que apreciava o nojento antes de romper a barreira do sexto mês de namoro? E olhe lá! Imagine quando tivessem casados, chocando as horas e já mornos das convivências! Coçou-se dos aperreios e pavores.
LEMBROU DE UM CASAL de amigas, amancebadas há tempos, que falavam do cúmulo das intimidades. Brigaram e apartaram-se depois que uma pediu a outra que aparasse, com tesourinha, os pelos pubianos da companheira. Estavam já quase irmãs, comuns. Andar pelada dentro de casa já não causava mais suspiros. Um Pão de Açúcar para quem mora no Rio de Janeiro.
ANTES QUE AS COISAS tomassem os mesmos rumos, resolveu findar o namorico. De imediato catou pelo apartamento a escova de dentes dela, uma calcinha enxovalhada que estava atrás da geladeira e um pacote de Modess com abas. Postou e remeteu urgente. A escova de dentes!? A calcinha na grade do refrigerador!? Os absorventes com abas!?