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Das Antigas

DAS ANTIGAS

Comezaina, minotauros

Demitri Túlio


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21/10/2006 01:46


ESCONDIA-SE EM UM maria-mijona. Vestido longo, além das contas. Passava-lhe das batatas alopradas e ocultava até os pezinhos alvos. Viviam os abestados, raparigueiros, rabos-de-burro, a fantasiar de como seriam os dedos das patas da potra.

POTRA, PORQUE A RAÇA dos homens bostas, nojentos, enxergavam assim as laias das mulheres que furtam das atenções. Éguas. Imaginavam-se minotauros, coitados. Não passavam de quase nada e, tenham das certezas, ejaculavam de véspera. Da boca pra fora, eram Hércules. De vera mesmo, decepções.

POIS ANDAVA A MARIA-faceira a se incomodar com tantos soslaios dos joões-barbudos. Cortejos bestas, piadas cu. Machismo puro. E ela, a dar mole prum efebo. Intocado. O rapazola se empeticava, coisas de menino puro ou quase isso. Afinal, desde os cueiros se forniu entre o catecismo e o atoleiro do bas-fonds.

ESQUINAS DO ASCO, botecos. Hordas de coça-eggs e palitadores de dentes. Muitos deles, casados ou amigados. Récua de filhos e fazedores de outros por aí. Era o que arrotavam e se vangloriavam, batendo nos peitos e provando do dedo mindinho com gosto de cera dos ouvidos. Amargos. Grandes coisas! Só sabiam fazer isso. Incapazes de oferecer uma amarílis ou papola que fosse.

POR CAUSA DAS INFLUÊNCIAS, na cabeça do rapaz, a primeira vez que se meteu debaixo do maria-mijona não foi essas coisas toda. Bom. E o menino era diferente dos pares. Não contou nada, nem espalhou sobre a fornicação com a moça. Enlouqueceram. Encantou-a.

A DÚVIDA DELE ERA saber do gosto. Das salivações e sabores. Das águas na boca e cheiros. Encasquetava. Passou quase toda a vida a ouvir dos Sansões que Dalilas eram pra se mastigar. Comer. Então cria no ato da comezaina, comilança, comedoria. Mesa posta, não soube como proceder. Até machucou-a, mordidas desmedidas pelos braços. Ela se encarregou de acertar no ponto. Foi bom, mas ele se ressentia.

ENTÃO, NUMA OUTRA vez, foi o avesso. Ouviu das inocências dele e percebeu. Pediu apenas que mudasse o dicionário da boca. Deu-lhe sabor ao beijo. Degustado, mais permissivo. Depois, mão na cabeça do probo, fez-se de guia e furdunço. Em pé que estavam, foi ajoelhando-o. Busto, umbigo, virilhas, aromas e cócoras. Era do que procurava e sorveu. Pro resto da vida, até os dedinhos alvos. Dedos também. Pra sempre.


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