Demitri Túlio
16/09/2006 02:56

A PRÓPRIA CASA MILITAR grampeou o delegado-geral de Polícia. Sempre foi assim. O coronel, principal puxa-saco do governador, era mais que qualquer coisa. Só não havia mais poderes que o próprio alcaide. Era de um jeito tal que sabia até dos fluxos da esposa do homem e das vezes que ela ia ao dentista. Se houvesse dores de dente além das contas, fuxicava ao patrão.
E POR QUE TANTAS intimidades e saber, inclusive, dos ciclos da primeira-dama? Era combinado. O alcoviteiro alcovitava. O chefe do executivo não poderia falhar com a patroa. Então, o lambe-esporas marcava na agenda dos desfrutes os dias em que o camaleão poderia desperdiçar fôlego com visitas extra-oficiais. No gabinete, mesmo. Passavam-se por executivas e mandavam brasa.
MAS A ESPOSA TAMBÉM não se fazia de rogada. Vigiada, deixava o dentista pra lá e seduzia os brutamontes. Estacionava o Opala particular no Center Um ou no Shopping Portugal e seguia viagem nas viaturas (joaninhas) pros mocós. Carros descaracterizados, placas frias e mil histórias pra confessar. Ah, se gemessem os fusquinhas! Mas eram mudos, parentes dos liquidificadores. Tardes e manhãs com algum sargento ou soldado. Batalhão de Choque.
SIM, MAS O GRAMPO no delegado-geral da Polícia. O talzinho era desses que achava que havia feito muito e a gratidão do governador e do partido lhe seriam eternas. Coitado. Mal sabia que nas curriolas do Palácio era chamado de Garçom. Chacota. Tipinho amiudado, cabeça sem pescoço, bigode nojento, topete, costeletas a Menem e voz abesourada. Sempre no paletó preto, capanga (com um 38 no bolso de dentro) e lenço na mão. A limpar o suor da testa e a catar porcarias nas ventas cabeludas. Um asco.
FOI O TAL QUE FEZ sumir em pé-de-vento uns milhões em plena campanha política. Um Saci presepeiro. Eleição disputada por dois arigós. Um pomba lesa e chupa sangue. Em meio a uma patuscada, comezaina entre iguais, eis que um sururu se fez com a inopinada dos diferentes. E pra não morrerem inimigos ou cair xilindró pros tuchais, fizerem o Delegado-Geral da Polícia comer os milhões.
EMPANTURROU-SE COM TANTOS maços que quase sucumbe. Um papa-breu, tatuzinho comilão a agüentar descer goela abaixo o que não podia ser público. Depois, a Lactopurga fez o resto. De mero esbirro do governador, passou a delegado dos delegados. Geral. Mas de bico calado, sem dar um pio. E como era a autoridade policial constituída, passasse trator em cima de quem duvidasse da honra do alcaide e seu sucessor.
MAS VEIO A CONVIVÊNCIA e o dia-a-dia, muitas vezes, entramela um casamento. Ainda mais desses, arranjados no desespero. Quando viram que o troncho não servia nem pra esconder potocas, deram-lhe com os cascos nos mucumbus. Coice de égua. Antes, invadiram sua casa, queimaram tudo que foi de papel e deram nó na língua do tamanduá. Sim, por quase nada ou coisa pouca, miúda, pomba-lesa sucedeu.