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Das Antigas

DAS ANTIGS

A primeira dama

Demitri Túlio


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02/09/2006 02:10


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ACUDI-LA? ACOSTUMOU-SE a província inteira a ouvir os berros da égua e, ainda assim, restar quieta. Açoites medonhos. A primeira dama tomava na face alva de mão aberta. Mas o nojento tinha das manias de esbofetear também qualquer rameira que cambiasse serviços tronchos de amante.

UM CAVALO BATIZADO metido a senhor de todas as almas e coisas. Não fosse o pai, um lambe-esporas das primeiras Repúblicas, nem teria herdado as rédeas da cidadela. O velho mandava nos bondes a muares, vendia óleo de peixe pra alumiação pública e depois, lógico, tornou a família dona do tempo elétrico. Conchavo alinhavado com os ingleses desacostumados a tomar banho. Uns gambás.

A INSUPORTÂNCIA LHE caía como vício e a estupidez vazava pelas ventas. A senhorinha, coitada, era táboa de amaciar chã de fora. Galinha eternamente no choco. Um Judas acuado em Sábado de Aleluia. Peia, relho. Pisa de escorrer a garapa, tapa de ouvir na Porongaba.

E AINDA HAVIA DOS MALIGNOS de desterrá-la onde lhe desse na telha. Bastava se fumaçar tantinho assim. Em qualquer ermo da província a vomitava. Depois, chegasse a pé ou resgatada pelos capangas do peleador.

CANSOU DE SER ESBOFETEADA a torto e a direito. Não podia se queixar ao bispo e nem ao chefe de polícia. Adiantaria nada. Na rua das Flores, caminho dos finados (Sé-São João Batista), foi ter com uma catimbozeira.

NEM PRECISOU CHORAMINGAR as pitangas. Qualquer corriola alcovitava, a cidade inteira se dava ao fuxico. A mungangueira preveniu que o homem escaparia do mal da Espanhola e da peste. Padeceram mil em uma só tarde e o desgraçado derrotaria também a varíola. Derrota. Um demônio.

MAS, MEXERA COM O improvável e aprisionara o destino. Sem volta. Esperasse pela próxima regra. Catasse retrato do porco-espinho e o enfiasse entre os paninhos que sorviam o fluxo. Ficasse de molhos e esperasse pela próxima sova. Derradeira e última.

E ASSIM ALINHAVOU. Ainda teve a gastura de ter de se servir a ele. Asseou-se no caco de telha, aroeira e asco. Sem ver nem pra quê foi açoitada. Praxe. Vez finda. À mesma hora sentiu ânsia de vê-lo carregado por Asmodeus e, aperreada, remorso judaico-cristão. Ah! Viu morrer, aos tantinhos, se batendo, sangrando por tudo que buraco havia. Um Jaguaribe, até que não restou gota e foi.


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