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Das Antigas

DAS ANTIGAS

O buquê

Demitri Túlio


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22/07/2006 02:24


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ANTES DO IMENSO ARROZAL havia um capoeirão-de-machado. Mata virgem desembestada em terra molhada. História que corria, moça que ficou velha e não subiu ao altar. Pelejou. Plantou arroz também porque sonhava chover depois da bênção.

CHUVA DE ARROZ E TUDO. Véu, grinalda e terço. Mas suspirava ser levada aos pés do padre por outra moça. Nem que a vaca cantasse de galo um dia! Amofinava. O sonho era seu, particular e enfurnado nela mesma. Segredava dela pra ela e só. Ninguém mais entrava em suas sentimentalidades.

TIVESSE NUBENTES na cidadela, cidadezinha macho e fêmea, dadivava com quilos de arroz. Não pra ruminar, mas pra profetizar fartura e vida espichada aos acasalados. Punha-se antes de todos, mãos espocando de brancos. A jogar pro céu e chuviscar nos cocurutos dos apaixonados.

CHORAMINGO FÁCIL nos casórios. Umedecidas as ventas encarnadas. Derramava-se. Não casou com moça igual. Homem mesmo... E foi depois dela que inventaram o buquê. Pra começo de conversas, não suportava o cheiro de machos. Óbvio. Inda mais quando excitados. Horror.

PRA ELA FOI PURGANTE se deitar a primeira vez com o estranho. Ora a bufar, ora a relinchar e gotejar. Suores escorridos da ponta do nariz e onde mais houvesse ele. Um invasor e ela enguiando repugnâncias.

VOMITOU PELO ARROZAL o devaneio de se casar com outra. Viveria mesmo, Joãozinho de Maria. Nunca se imaginou assim, mas também não queimaria na fogueira da língua de ninguém e nem deixaria de canto o desejo de experimentar o altar. Tinha vocação pra noiva.

BUSCARIA NO MATO, chá de coisa pra amenizar o entojo. Agüentaria e, pra não enfurecer o touro e não lo fazer suar, o untaria com óleos de outras terras, águas de cheiro e banhos do molho dos cachos da planta da colônia. Olores femininos.

FEZ PARA O DIA tão sonhado uma amarração de flores colhidas durante o sereno. Três dezenas delas. Igrejinha miúda e cheiro no mundo. Olor de excitar abelhas. Foi o jeito que encontrou para suportar o odor do buzo-macho.

ENQUANTO SEGURASSE o buquê, nas ventas não entraria ele. Mesmo lambuzado de aromas, ainda fedia a másculo. Não suportou. O enguio subiu-lhe ao juízo e escureceu o horizonte. Marejou o estômago e quis abortar os bofes. Estava no altar, finalmente. Exultante, mas... Coração,uma bomba. Rodopiou e antes de desabar fenecida arremessou o buquê-de-noiva. Quem pegou também não teve sorte no amor.


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