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Concidadania

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Dos lobbies da sordidez

Valdemar Menezes


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19/07/2008 14:56


A visita do papa Bento XVI à Austrália para as Jornadas Mundiais da Juventude coincide com o sínodo da Igreja Anglicana e que trata da crise vivida por esta igreja em vista das divisões provocadas por facções anglicanas que apóiam a ordenação de mulheres (inclusive como "bispas") e de gays assumidos. Há possibilidade de um grande número de padres e bispos anglicanos aderirem à comunhão com a Igreja Católica Romana como forma - segundo alegam - de preservar os princípios do Cristianismo. O ódio contra o papa por ter reafirmado sua posição contra a ordenação de gays e mulheres levou à formação de um poderoso lobby que tem feito tudo para desmoralizar a visita do papa e a Igreja Católica. Não é por acaso que, nos últimos dias, a imprensa mundial tem destacado, de forma facciosa (por sua insistente repetição), a divulgação de uma suposta estatística de um prostíbulo australiano, trombeteando a meio mundo que seu movimento aumentou, fazendo crescer os lucros durante o evento católico. As notícias sobre a visita do papa, publicadas pelas agências internacionais, vêm sempre acompanhadas de notas escandalosas e manipuladoras, colocadas em destaque, ora sobre prostituição, ora sobre pedofilia, envolvendo membros da Igreja, na tentativa de empanar o evento. Uma manobra sórdida que só passa despercebida aos incautos, mas que provoca justa revolta na comunidade católica.

CULTURA TURÍSTICA
O Ceará precisa criar as condições para o surgimento de uma cultura de serviços turísticos, se quiser, realmente, fazer do turismo uma opção conseqüente. Uma das maneiras de conseguir isso é facilitar o empreendedorismo, no setor, desburocratizando a instalação dos pequenos empreendimentos. Uma das áreas onde esse processo é mais visível é na região serrana, onde proprietários de sítios e chácaras estão transformando-os em pousadas, chalés, etc. (isso começa a acontecer, também, com fazendas no sertão) para abrigar visitantes. É uma revolução cultural e tanto ver pequenos agricultores transformados em empresários de serviços - tudo baseado em uma estrutura familiar. Não devemos esquecer que uma das causas do avanço da economia italiana, em relação à situação anterior (pré-guerra) foi a aposta na pequena empresa familiar. Na área de serviços, então (mas não exclusivamente), a expansão foi impressionante. Lá, o turismo é baseado em uma infra-estrutura de redes de serviços formada, sobretudo, por pequenos empreendimentos familiares, com ênfase no segmento de hotelaria, pousadas, restaurantes, e toda a rede subsidiária desses serviços.

A VACA E A CRIA
Se isso começa a aflorar de maneira quase espontânea (como parece já ser o caso do Ceará) é sinal de que o processo encontra solo fértil para se desenvolver e se enraizar. O elemento inibidor - e inviabilizador - é a burocracia e a voracidade do fisco, dos encargos. As queixas desses novos empreendedores, que saem do setor primário para a área de serviços (sobretudo os donos de pousadas) é que o primeiro a aparecer é o pessoal do fisco, cobrando encargos e mil e uma exigências. O correto seria que o primeiro pelotão a representar a presença do poder público junto a esses pequenos empreendedores fosse o dos facilitadores, os capacitadores, os apoiadores, pois o principal interesse deveria ser a viabilização do pequeno empreendimento. Só depois se cuidaria de "tirar o leite da vaca". Primeiro, é preciso que ela tenha condições de se alimentar, de emprenhar e ter a cria. Além do mais, é preciso um acordo entre as várias instâncias - federal, estadual e municipal - para que ajam articuladamente (dentro da visão de que, primeiro, é preciso garantir a cria) sem superposições sufocantes que matem o processo ainda na fase embrionária.

RESGATE
E por falar em turismo, é preciso que a estratégia traçada para o Estado compreenda não só a filosofia exposta acima, mas procure incorporar de forma sistemática, e dentro de uma visão de parceria, os equipamentos que estão nas mãos das ordens religiosas e que são, por si mesmos, patrimônios arquitetônicos e históricos de primeira grandeza, e inseridos em entornos naturais de grande beleza. Esse é o caso do magnífico mosteiro dos Jesuítas, em Baturité; do mosteiro dos Capuchinhos, em Guaramiranga, e do antigo mosteiro beneditino, da Serra do Estêvão, em Quixadá. São lugares privilegiadíssimos, em termos de atrativo turístico, por sua beleza paisagística e pelo seu valor histórico e cultural. Por que o Estado não lhes dá assessoria técnica e assistência financeira para que ofereçam um serviço de qualidade na área turística, sem que precisem abrir mão de sua missão espiritual, como é direito deles?


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Comentários

Valdemar, é rizível sua recorrente forma de defender o indefensável promovida pela Igreja Católica Romana. Aliás, sua coluna deveria mudar de nome. Sugiro: "EU DEFENDO". SÊNECA disse: "A religião é considerada VERDADE pelas pessoas comuns, MENTIRA para os sábios e ÚTIL para os governantes" (sic). Pelo que eu conheço, isto só basta !!!

José Célio Gomes Andrade.

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Corretíssimo o comentário do Waldemar sobre o turismo em todos pontos analisados.O turismo religioso pelos conventos deve ser incrementado visando os jovens para desenvolver vocações.

Airton Barbosa Gondim

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