Valdemar Menezes
02/06/2007 17:19
Hugo Chávez pisou na bola na questão da RTVC. É certo que não infringiu a legalidade, visto que as transmissões de rádio e TV são uma concessão do Estado e este pode renová-la, ou não, ao findar o prazo do contrato. A RTVC, por sua vez, não conseguiu se desfazer da imagem de golpista que teria agido contra a legalidade democrática ao participar do frustrado golpe contra Chávez, em 2002. Havia a expectativa, portanto, de que fosse chamada a prestar contas de sua insensatez. Mas, isso teria de ser através de uma instância diferente do Executivo: o Judiciário. É certo que a Justiça se pronunciou, mas devido à falta de uma institucionalidade provida de mecanismos claros que isentasse o processo de qualquer pressão do Executivo, o resultado do julgamento ficou sob suspeição. Para ter credibilidade, deveria existir, além do mais, um marco regulatório prévio que explicitasse o modelo de propriedade pública (não estatal), independente, posta sob o controle efetivo da sociedade civil (isto é, fora da pressão do Estado) para substituir a RTVC. E isso ainda não existe de forma acreditada e confiável na Venezuela. Neste caso, postar-se ao lado da ''aloprada´´ RTVC é a alternativa que resta aos defensores da liberdade de expressão, como única maneira de brecar os ensaios de uma escalada autoritária no País. Por mais erros que possa ter cometido a empresa eles são menos perigosos para a saúde política da nação, e mais factíveis de serem sanados, do que um país com uma imprensa acuada e temerosa de criticar o governo. Isso se tornou intolerável na América Latina pós-regimes militares. Chávez terminou trocando os pés pelas mãos. E não receberá a solidariedade dos democratas ''escaldados´´ da América Latina.
CAMISINHA
Sempre foi muito mal posta essa polêmica da camisinha em que a Igreja deixou-se enredar, não se sabe por quê. O único segmento de com o qual ela poderia falar adequadamente sobre o uso de camisinha seria o dos católicos casados. Assim mesmo, a partir do seguinte ângulo: é lícito ou não usar a camisinha como instrumento de planejamento familiar? Aí, sim, o debate teria um ordenamento lógico, segundo a doutrina católica. Por quê? Porque outro tipo de questionamento sobre o uso da camisinha está automaticamente prejudicado pela precedência do seguinte preceito católico: é proibido ter relações sexuais fora do casamento. Esta é a doutrina bimilenar da Igreja, e é de se espantar que alguém ainda a encare como novidade. O enfoque não deveria ser o uso ou não da camisinha (quando se tratar dos jovens solteiros), mas sim a abstinência sexual até o casamento. Essa é que sempre foi a posição da Igreja. É diferente da questão do aborto, em que está em jogo a vida de um ser humano, que passa a existir a partir da concepção - e vale para uma vida gerada dentro do casamento, ou fora dele.
ABSTINÊNCIA
No caso da camisinha, trata-se da morte do espermatozóide, que ainda não é um ser humano. A questão deveria ser posta pela Igreja nos termos da advertência que ela sempre fez: ''Solteiro, seja abstinente até o casamento.´´ Contudo, como a Igreja lida com seres humanos falíveis, e sua missão é ser anunciadora da misericórdia divina e do perdão, acrescentaria: ''Mas, caso sucumba à tentação, pelo menos proteja o outro de uma contaminação: use um preservativo. Não esqueça, porém, que está em falta com Deus, e volte ao bom caminho." É o princípio do mal menor, aceito pela Doutrina Moral católica. Os termos podem parecer bizarros e ridículos para os valores da cultura hedonista prevalecente, que não tem nada de cristã. Mas, ninguém é obrigado a ser católico. Aliás, esse espanto e repúdio aos valores do Cristianismo são os mesmos manifestados pela elite intelectual do mundo grego e romano, que classificou a doutrina cristã de obscurantista quando esta condenou como desregramentos - dentre outros procedimentos - o homossexualismo e o infanticídio (dos primogênitos fêmeas).
CAMINHADA
No próximo domingo, 10, o Movimento Encontro de Jovens Shalom promoverá a 4ª Caminhada Ecológica, como parte da Semana do Meio Ambiente. Serão realizadas diversas atividades na aldeia Jenipapo-Kanindé, na Lagoa da Encantada, em Aquiraz. O evento tem como principal objetivo cultivar a sensibilidade ecológica, potencializando a prática do cuidado para com a vida.
ONGs
Organizações Não-Governamentais (ONGs) estão convidadas a inscrever seus projetos no Conselho Estadual Gestor do Fundo de Defesa dos Diretos Difusos (FDID) do Ministério Público do Estado do Ceará, no período de 10 de junho a 30 de agosto. As entidades interessadas devem acessar a página www.pgj.ce.gov.br/fdid e consultar o edital.
Valdemar, informe-se melhor sobre o caso RCTV. Se a renovação legalmente era prerrogativa do Executivo e o Judiciário não soube punir os culpados pelo golpe (lembre bem, há provas concretas de que a RCTV foi uma das principais articuladoras e alguns dos oficiais golpistas confessos foram inocentados pela mesma justiça que você acusa de correia de transmissão do executivo), agiu bem Chávez em não renovar a concessão. RCTVai pro raio que a parta, tarde demais já!
Clayton Mendonça Cunha Filho
Prezado Waldemar, por tudo o que já vi e li, na mídia nacional e internacional, acerca do fechamento arbitrário da RCTV, posso dizer sem medo de errar, que a sua CONCIDADANIA sobre tal tema está explêndida: clara, objetiva e verdadeira! Parábens, concordo em gênero e número com suas opiniões.
Péricles