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O mundo virou gay!?


24 Out 2008 - 00h47min

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O jornalista e escritor André Fischer
Não é tarefa fácil definir a profissão de André Fischer. Entre outras coisas, o moço é responsável pela criação do site MixBrasil, maior portal voltado para o público GLBT (XYZ) da América Latina, e também do Festival MixBrasil de Cinema da Diversidade Sexual. Além disso, é jornalista, escritor, DJ, tradutor, empresário e agitador cultural. Sem falar na coluna GLS que assinou na Folha de S. Paulo, publicada aos domingos durante 10 anos. Em 2007, lançou no mercado a revista Junior, uma das bacanas publicações voltadas para o público gay masculino classe A/B no Brasil, da qual é diretor-geral.

Agora, André Fischer tem mais novidades. E das boas. Ele está lançando seu mais novo livro Como o mundo virou gay? - Crônicas sobre a nova ordem sexual, reunindo suas colunas publicadas na Folha, posts de seu blog e alguns textos inéditos. Em entrevista exclusiva à Cena G, André fala sobre esse novo título, sobre o público gay e sobre o boom de revistas brasileiras voltadas para esse segmento nos últimos tempos.

Na página ao lado, você confere em primeira mão um trecho do capítulo inicial do livro: “Mas será que uma vez Flamengo sempre Flamengo?”, em que André provoca ao afirmar que “ser gay é mais do que simplesmente transar com alguém do mesmo sexo”.

Boa leitura!

O POVO - O mundo realmente virou gay?
André Fischer - Na verdade está relaxando, perdendo seus preconceitos e incorporando muito da maneira gay de ver e viver as coisas. Cada vez mais é difícil dizer quem é gay, bissexual ou hétero...

OP - Quais características diferenciariam esse ­público gay?
André - Apesar de sermos muito diversos, algumas características são comuns entre gays de todos os tipos: temos mais renda disponível para lazer e um interesse maior por moda, design e música e somos vorazes freqüentadores da Internet. Além disso, como geralmente temos todos um histórico de afirmação de identidade, costumamos ser mais exigentes com relação aos serviços e produtos que consumimos.

OP - Como surgiu a idéia de reunir as crônicas em um livro?
André - Quando fui escrever minha crônica de despedida da Folha de S.Paulo, onde fui colunista escrevendo sobre o universo GLS por 10 anos, reli tudo que tinha escrito e vi que na verdade tinha um histórico do movimento e da movimentação gays desde meados dos anos 90. Nesse momento a Ediouro me procurou pedindo um livro. Acrescentei posts do meu blog, outros textos inéditos, um diário de viagens (passei por 35 países conhecendo a cena gay) e ainda alguns dados importantes sobre a noite gay e conquistas de direitos. 
 
OP - Como o livro é estruturado e para quem ele é dirigido?
André - A editora queria um livro direcionado não apenas ao público gay, mas também para simpatizante e sobretudo a heterossexuais que andam perdidos nessa mudança de comportamento ocorrida nos ­últimos anos. 
 
OP – Mudando de assunto, como está sendo a experiência de comandar a revista Junior?
André - Sempre ouvi dizer que fazer revistas era uma loucura e estou agora entendendo exatamente o que isso quer dizer. Além do trabalho insano é um risco empresarial grande que decidimos correr. Mas está valendo a pena demais. Sem dúvida de todos os ­empreendimentos do MixBrasil esse é o que nos dá maior tesão de fazer.

OP - Hoje, existe um boom na publicação de revistas voltadas para o público gay masculino no Brasil. Como você vê esse fenômeno? Ele é sustentável? Há realmente público suficiente para esse setor?
André - É um pouco como as Paradas Gays. Acho que havia um desejo enrustido que isso acontecesse e bastou uma se materializar para virar fenômeno. Há espaço para as publicações que são bem feitas, isso vale para qualquer segmento. No caso específico do segmento gay há uma ilusão grande no mercado de que somos uma mina de ouro. No mundo inteiro não há publicações gays de sucesso que sejam feitas por grandes editoras ou por heterossexuais. Então faz parte do resultado a vontade de fazer uma publicação para a gente.

OP - Realmente mudou a maneira como os gays são ­vistos pelo mercado? Há uma procura específica por esse público?
André - Sim, mas não é um processo rápido. Atuo nesse segmento há 15 anos, sem dúvida ele cresceu, mas não foi de uma hora para outra. E ainda encontra dificuldades relacionadas ao preconceito que não existem em outros segmentos com o poder de compra como o gay.   


Mas será que uma vez Flamengo sempre Flamengo?
por André Fischer

(Primeiro capítulo do livro Como o mundo virou gay? - Crônicas sobre a nova ordem sexual)
 
Para tentar justificar a inexistência de ex-gays, um amigo costuma dizer que nunca viu ex-anão. Vale pela gracinha, mas não posso concordar. Ninguém é obrigado a se comprometer com uma opção. Acredito na completa mobilidade sexual do “vamos ver” na cama. Para que se comprometer com rótulos e papéis determinados?

Perdoem-me os que pensam o contrário, mas quem não está aberto a novas possibilidades só se limita e perde belas oportunidades.

O mesmo pode se aplicar a comportamentos sociais e preconceitos que vem de dentro da própria comunidade. Porque, por exemplo, muitos não aceitam que um gay pode gostar de futebol?

Na última Copa estava assistindo a um jogo emocionante entre duas equipes européias quando recebi o telefonema de um conhecido. Perguntei se era assunto urgente, já que a partida estava em um momento decisivo da prorrogação. Do lado de lá ouvi um riso debochado, quase uma descompostura. Perguntou se eu estava vidrado nas coxas dos italianos, pois teoricamente não deveria gostar de futebol.

Segundo ele, apenas héteros radicais e lésbicas podem ser aficionados pelo esporte. Por conta dessa demonstração de preconceito sem sentido, perdi o gol que levou a Azzura a uma inesperada classificação para a final.

É preciso dizer a esse cidadão que a orientação sexual não é um pacote fechado. O mapeamento do genoma humano não encontrou nenhum cromossomo responsável pela forma como o tesão se manifesta. Logo, o desejo sexual não determina gostos nem caráter.

Não existe um padrão de comportamento para negros, para fumantes ou para italianos, assim como não existem formas estandardizadas de agir e querer para gays e lésbicas. Conheço tanto homo e bissexuais “óbvios” como os que “ninguém diria”, da mesma maneira que conheço fúteis e profundos, tarados e quase assexuados. Até gays malvestidos e malufistas existem.

Os estereótipos podem até ajudar aqueles que estão perdidos em busca de uma identidade e são responsáveis pela existência de uma pequena multidão de impagáveis figuras burlescas que povoam a chamada comunidade GLBT. Comportamentos previsíveis facilitam a vida apenas dos que se orientam por rótulos e podem representar mais uma prisão para os que caem nessa armadilha.

Ceder a referências preconcebidas significa abrir mão da possibilidade de desenvolvimento de uma personalidade própria. São as nuances que tornam as pessoas únicas e interessantes.

O mais impressionante é ver homossexuais teoricamente bem resolvidos reproduzindo esse tipo de pensamento antiquado. Nessas horas, sou obrigado a cair na real e lembrar que muitas vezes gays e lésbicas são mais caretas do que muito careta por aí.

É preciso não confundir gay com comportamento sexual. Ser gay é mais do que simplesmente transar com alguém do mesmo sexo. Um adolescente que faz troca-troca ou um pai de família que dá suas escapulidas em uma sauna não podem, nem devem, ser confundidos.

Classificá-los como bissexuais também pode ser um exagero e provavelmente só irá confundi-los e irritá-los.

Se é para comprar briga, melhor chamar de boiola de uma vez.

Só é gay quem quer, quem opta por um estilo de vida no qual a homossexualidade é apenas um dos pilares. O cineasta francês Jean-Michel Guiguet vai além e diz que não existe homossexual, apenas a homossexualidade como um comportamento sexual. E que a rotulação deixa de lado muitas sutilezas importantes. Como poderiam ser chamados os homens que fazem amor e se relacionam com as mulheres de forma extremamente feminina?

Em que gaveta deve ser colocada a mulher-viado (diferente da mulher-bicha, que está mais para uma drag queen presa no corpo de mulher), que se aproxima dos homens como um homem gay faria e se excita ao ver dois homens fazendo sexo.

Esses tipos “intermediários” são a essência do que chamamos diversidade sexual.

SE JOGUE!

NICE TO MEET YOU (STAR DJs) – Festa hoje, sexta-feira, na boate Meet Music & Lounge (rua Coronel Jucá, 273, Varjota), a partir das 23 horas. Ingresso: até meia-noite a entrada é liberada + R$ 10 de consumação mínima; após a meia-noite: R$ 15 de entrada. Promoter: Monah Monteiro. Outras informações: 8806 5537.

HALLOWEEN MUSIC BOX - 3ª EDIÇÃO - Festa hoje, sexta-feira, no Music Box Bar (rua José Avelino, 387, Centro Dragão do Mar), a partir das 23 horas. Line-up: DJs Thiago Costa, Tuninho e Davi Angel. Decoração especial, kits "Gostosuras & Travessuras" e rodadas de sangria liberadas a cada hora. Ingresso: free até a meia-noite e R$ 15 de consumação mínima após a meia-noite, para quem estiver na lista vip da casa. Outras informações: 3219 3699 / 8730 3032

THE BEST OF SAICK SAMSARA - Festa amanhã, sábado, na boate Donna Santa (rua Dragão do Mar, 308, Praia de Iracema), a partir das 23 horas. Na pista, DJs Daniel de Paula, Doripan e Kacila. A atração especial é o show da top drag Saick Sansara (foto), que retorna a Fortaleza depois de temporada na Europa. Participação especial: Fernanda Scaranze e Khaya Fontenelle. Na área externa, show da banda Forró e Cia com Pollyanna Mell. Cardápio de bebidas clonadas a noite toda. Ingressos: R$ 18 (Até a meia-noite) e R$ 20 (após a meia-noite) Promoters: Leco Lima e Carol Feitosa. Outras informações: 8862 8885 / 8869 5259

JUNIOR – Aniversário de um ano da revista - Festa amanhã, sábado, na boate Music House (rua Dragão do Mar, 218, Centro Dragão do Mar), a partir das 23 horas. Na Pista 1, DJs Renata D!b e Morr; Na Pista 2, DJ LiDJ e banda Upload. Distribuição de exemplares da revista Junior e distribuição de Kaiser Gold em dobro até 1 hora. Sorteio de convites para a festa Gost House, que rola na semana que vem. Ingressos: R$ 20 de consumação mínima para quem estiver na lista vip da casa.
Para entrar na lista, enviar email para contato@musicfortaleza.com, com nome e sobrenome. Os 100 primeiros emails enviados até 24 horas antes da festa, automaticamente entram na lista de convidados. Outras informações: 8886 4625 / 8834 4772

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27/10/2008
22:41

Excelente entrevista! Muito legal diversificar.

Norma

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24/10/2008
08:38

Parabens pela entrevista. Seria bom ter mais entrevistas como essa na coluna. Abracos.

Nelson

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