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Ceará

CEARÁ

Sem água

Tânia Alves


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16/11/2007 00:08

(Foto: Talita Rocha)
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(Foto: Talita Rocha)

Quando falta água no Sertão, a responsabilidade de ir buscá-la nas cacimbas é, geralmente, da mulher. Isso está ocorrendo atualmente no Sítio Boa Vista, na zona rural de Caririaçu, na região do Cariri. O flagrante é da fotógrafa Talita Rocha.

Inclusão digital em cadeia pública
A Cadeia Pública de Maracanaú, que abriga 85 presos, vai ganhar, na próxima segunda-feira, dia 19, um anexo com sala de aula e uma laboratório de informática. O equipamento contará com 16 computadores. Segundo o diretor da cadeia, Lino Mendes, além dos próprios detentos, o projeto de inclusão digital vai atender à comunidade e os filhos deles. A iniciativa, numa parceria da Sejus e da Prefeitura Municipal, beneficiará 70 presos que atualmente estudam em salas na própria cadeia. O anexo vai se chamar Manuel Batista Filho, em homenagem a um ex-professor da cadeia, que já morreu.


MEMÓRIA

De seca, saudade e volta
Quando a seca chegava, já não dava mais para ficar no Sertão. Na roça, estava tudo estorricado. A safra tinha sido perdido. O patrão, que pagava por dia de trabalho, havia dispensado o serviço. A água era buscada muito distante de casa. Com filhos pequenos para dar de comer, o jeito era vender os poucos bichos que ainda restavam no quintal. As galinhas, os porcos e os cabritos, pouco a pouco sumiam do terreiro. Quando a última criação desaparecia, a saída era viajar. Ir para uma cidade grande em busca de emprego. Pedia-se emprestado dinheiro para a passagem. Destino: Sudeste. A comida, feita pela mulher, era levada dentro de uma lata de leite.
Na região, era comum encontrar mulheres viúvas de marido vivo. Ficavam com os filhos a esperar que o marido enviasse dinheiro. Primeiro, para pagar as dívidas. Depois, para a família. Contavam com a solidariedade dos parentes para, pelo menos, consumir uma refeição por dia. Às vezes, o de comer se resumia a rapadura raspada e farinha. Chegava a ter o dia em que o desespero não permitia que os filhos se levantassem das redes. Era melhor passar o dia inteiro deitados para gastarem menos energia.
Nos primeiros meses, a espera por notícia era um suplício. As correspondências não chegavam ou, se chegavam, eram entregues com atraso. Iam aos cuidados dos comerciantes que ficaram responsáveis também por ler as cartas, quando na família ninguém era letrado. No dia de feira, o pouco de comida era comprado fiado na bodega. Se o marido demorasse muito para enviar algum trocado, a conta ficava em débito e o dono da bodega encerrava o fiado.
Difícil mesmo era quando o homem, sem conseguir viver na solidão, arranjava outra mulher na cidade grande. O dinheiro, enviado mês a mês, rareava até nunca mais ser postado. Ela tentava saber por meio de conhecidos por onde andava o marido. Ninguém sabia de nada. Ou se sabia, poucos tinham coragem de comentar. Ele nunca mais voltava. Ela, de tão desesperada, distribuía os filhos mais velhos nas casas de parentes e conhecidos para não morrer de fome. Ficava apenas o mais novinho para lhe fazer companhia. Se o marido um dia voltasse, tinha esperança de novamente reunir a família.
Mas o destino também tinha história de retorno, de abraços, de amores reencontrados. Quando a chuva chegava e os campos ficavam verdes, era tempo da volta para casa. Dava para de novo plantar. A mulher estava lá, disposta a recebê-lo, esperando que ele permanecesse para sempre, ou até a próxima seca.


Bodas de ouro
O casal Valdizar José Pinto de Abreu e Nesse de Oliveira Abreu comemorou bodas de ouro na localidade de Penedo, em Maranguape. A festa, realizada no Clube Recreativo de Penedo, reuniu familiares e amigos de diversas cidades e seis estados. Dona Neci e "seu" Valdizar tiveram 16 filhos.


Bate papo

PEDRA BRANCA
Uma casa do mel está sendo construída na localidade de Chã, a quatro quilômetros da sede do município de Pedra Branca. Trata-se de uma antiga reivindicação da Associação dos Apicultores do Município. Com a estrutura, os produtores aproveitarão melhor o produto, aumentando a produção.

SENADOR POMPEU
Um total de 300 fogões ecológicos está sendo construído em comunidades rurais de Senador Pompeu. Os fogões consomem menor quantidade de lenha, ajudando a reduzir o desmatamento. Garantem ainda maior rapidez no cozimento dos alimentos. A parceria é entre o Governo do Estado e Prefeitura.

JUAZEIRO
A Rádio Iracema de Juazeiro do Norte comemorou ontem 56 anos de existência. A comemoração foi com vesperal no Verde Vales Praia Park.

GUAIÚBA
A Escola Maria De Lourdes, no distrito de Juá, em Guaiúba, realiza hoje a Feira Cultural. Em destaque a importância do jornal na escola.

SÃO GONÇALO
A Câmara Municipal de São Gonçalo do Amarante aprovou na mais recente reunião o orçamento do município para 2008 na ordem de R$ 42.888,200,00.

Milhã
Moradores de Milhã, no Sertão Central, estão sofrendo com a falta d´água. Os carros-pipa são insuficientes, principalmente, nas comunidades de Itabaiana, Tabuleiro e Carnaubinha. O açude Quandu, que abastece a última localidade, secou e os moradores estão recorrendo a cacimbão. Eles pedem a construção do açude Capitão Mor e ações como construção de cisternas, poços, chafarizes e dessalinizadores.

Colaboração Audílio Moura e Frederico Fontenele Farias


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