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Sobre heranças de família: o global bank e o mundo inteiro
Ana Cristina Cavalcante
08 Nov 2008 - 17h36min
Era quase madrugada do dia 5 de novembro, quando o filho de um queniano veio falar com a multidão que o aguardava, num parque de Chicago. Ele repetiu o que já vinha dizendo nos últimos meses: “Yes, we can!”. Na verdade, quem pode é ele. E como pode! O novo presidente dos Estados Unidos - a maior potência econômica do planeta (meio alquebrada, mas ainda a mais poderosa) - não é um americano típico. É um homem jovem, negro e dono de nome ironicamente instigante: Barak Russein Obama.
> Eis a primeira herança deste comentário. O descendente de imigrante com ascendência árabe não terá apenas um país para governar. Sob a perspectiva dos mercados, estamos falando de um mundo inteiro - onde os reflexos de sua atuação serão sentidos. Obama herdou uma nação que quebrou o paradigma do racismo, com um objetivo claro: “Tire-nos da crise na qual o republicano que o antecedeu nos colocou". Seu legado é parecido com o dos primeiros heróis enlatados do cinema americano que respondiam, prontamente, ao apelo do “chamem a cavalaria”.
> Por falar em sétima arte, vamos à segunda herança. Ela vem com DNA da melhor estirpe cultural do País. O Unibanco - propriedade dos engajados milionários Moreira Salles (vide Walter Salles e João Moreira Salles) - junta-se ao Itaú, da família Setubal, para formar o primeiro global bank brasileiro. Percebam que aqui também há uma ironia fina! O “bancão brasileiro” surge bem no meio da maior crise dos mercados financeiros dos últimos anos! Vejam como é a vida...
> Para o Brasil, o resultado do inventário está posto. Da primeira partilha, ganhamos mais protecionismo a prevalecer no mercado do nosso maior parceiro comercial. Talvez não pareça bom, à primeira vista. Mas uma rápida olhada na relação custo x benefício dá o veredito: “melhor” é ter um mundo melhor.
> Da segunda, herdamos o status de ter uma instituição financeira no rol das maiores do planeta. Embora isso represente mais concentração bancária, vale o destaque: no meio da panacéia, o mercado brasileiro é capaz gestar e dar a luz a maior instituição financeira do Hemisfério Sul. E uma do tipo que "nem parece banco!" Por isso não. Obama também não parece presidente da América Profunda. Sinal dos tempos. Que sejam, enfim, good times!
ECONOMIA REAL
Ainda é cedo
O CEO da Gerdau, André Gerdau Johannpeter, ainda não tem opinião formada sobre o que significa para a economia mundial a eleição de Barak Obama. “É muito cedo para fazermos uma avaliação. Torcemos por um mandato de sucesso”, disse em resposta à Coluna, por e-mail. Incertezas à parte, a Gerdau parece passar ao largo da crise. O faturamento da gigante brasileira do aço avançou nada menos que 44% em seu faturamento, este ano (posição contabilizada em setembro).
> O desempenho garantiu aos cofres da companhia, nos nove primeiros meses de 2008, a cifra de R$ 36,2 bilhões. "O momento exige monitoramento permanente. Mas temos expressiva solidez financeira e histórica flexibilidade", finalizou.
O fundo da economia real
Acha que todos os papéis do mercado de capitais privilegiam só os ganhos do jogo especulativo? Nada disso. O private equity (fundo pelo qual o investidor compra participações em empresas) quer rendimento alto, sim. Mas atuando junto com o setor produtivo. “O private é uma boa opção nesse ambiente de falta de liquidez”, ensina o consultor da PricewaterhouseCoopers, Alexandre Pierantoni. O fato é que as empresas se fortalecem por meio do aporte de capitais e esse tipo de participação traz os recursos que faltam no mercado do crédito escasso. Segundo Pierantoni, essa é uma aplicação boa para os dois lados. Ganha o investidor (a remuneração gira em torno de 20% ao ano); ganha a empresa, que sai com fôlego capaz de garantir sua operação.
> Este papel tem uma expectativa de liquidez entre cinco e oito anos. Pierantoni lembra que é uma aplicação de médio e longo prazos. “O private tem que trazer dinheiro inteligente”, sinaliza. Entenda-se dinheiro inteligente como a capitalização da empresa ou oferta primária (que também a irriga com recursos). “O private equity é o investimento na economia real”, arremata.
PENSAMENTO ECONÔMICO
A propósito de fusões que geram superbancos, carta que chegou ao e-mail da Coluna, essa semana, traz uma analogia interessante. Se os bancos fossem padarias, que serviços seriam tarifados? À carta:
“Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina de sua rua. Por qualquer pãozinho, o usuário pagaria os preços de mercado ou, até um pouquinho acima. Que tal?
Vamos imaginar que o padeiro me vende o pãozinho. Cobra o embrulhar. Além disso, me impõe as taxas ‘de acesso ao pãozinho’ e ‘por guardar pão quentinho’ . (...)
Tirei um extrato de minha conta - o único no mês -, os senhores me cobraram R$ 5,00. Olhando o extrato, descobri mais uma de R$ 7,90 ‘para a manutenção da conta‘. Nova surpresa: taxa de R$ 22,00 a cada trimestre - para manter limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizá-lo, pago os juros (preços) mais altos do mundo. (...) Cordialmente, gostaria de alertar que os senhores esqueceram de me cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de seu Banco.”
O autor da carta (que a Coluna prefere preservar, assim como o banco destinatário) financiou um carro e, para tanto, teve que abrir uma conta.
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13/11/2008
07:09
Essa cliente não está longe do contribuinte americano que está sendo pressionado pela indústria automotiva americana a doar 25 bi para ínovações!
Edesio Braga
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