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De volta para o futuro

Ana Cristina Cavalcante
25 Out 2008 - 18h10min

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CENÁRIO

Não é o clássico do cinema oitentista, mas bem que poderia. A semana econômica veio marcada por cenas típicas do último período estatizante vivido pelos brasileiros. Imediatamente anteriores à onda de privatizações, mercados livres, desregulamentação e ausência do Estado na condução da economia. Ou seja, antes dos tempos do neoliberalismo e da sua “cria” mais importante: a globalização.

Num movimento de fora para dentro (como também foi a abertura do mercado nacional ao resto do mundo), o governo brasileiro atendeu ao apelo das grandes economias mundiais (leiam-se Estados Unidos, União Européia e Grã-Bretanha) e aderiu à estatização como estratégia de combate aos efeitos da crise no País e no resto do Planeta - afinal, a ação “precisa ser integrada” senão dá errado, argumentam europeus e americanos.

Vá lá; que seja!. A vida é mesmo muito irônica.... Quis a seqüência dos fatos que um governo que distanciava-se (mais e mais) de sua concepção à esquerda entrasse para a História como aquele que reestatizou parte do sistema bancário. E mais: aquele que transformou o principal financiador da construção civil em sócio das empresas do setor.

Tudo bem. As construtoras não estão tão felizes assim com esta possibilidade. Só queriam crédito; não um sócio continental! Mas, convenhamos: qual brasileiro não se sentirá mais seguro ao realizar o sonho da casa própria em financiamentos quase vitalícios com o próprio governo? Além disso, é preciso enxergar as oportunidades que a crise oferece.

O governo brasileiro está fazendo isso. Comprar bancos quebrados agora para vender, saneados, depois. Participar como player de um setor pujante da economia nacional, capaz tanto de empregar muita gente quanto de gerar somas fabulosas em faturamento. Isso é enxergar as oportunidades!

E ainda tem a swap de moedas estrangeiras! O Banco Central brasileiro vai poder trocar moedas com outros BCs. Entregará reais e receberá, mediante pagamento de juros, dólares, euros, libras quem sabe! Isso representa elevar o real para o time das moedas conversíveis - e fortes. De quebra, protege as nossas reservas.

CAIXA PRETA
Os líderes das principais economias do mundo são praticamente unânimes. Lord Keynes estava certo! Considerando que a política keynesiana foi eleita o túnel que leva as nações para a superação da crise, abra-se a Caixa Preta para entender o que ela diz.

Keynes é genial porque ultrapassou os limites do maniqueísmo. Pressupôs que a economia precisa de renda circulando, não importa quem a proporcione. Se o mercado não quer (ou, que seja, não pode) estimular a geração da renda; que o Estado o faça.

Com a sua Teoria do Pleno Emprego ensinou que, onde todos têm meios de obter sua renda, haverá consumo que, por sua vez, esvaziará as prateleiras do varejo. Para mantê-las sempre abastecidas, a indústria deverá produzir mais e, numa conseqüência direta, empregará mais pessoas que irão, de novo, ao comércio.

É o círculo mais virtuoso de todos. Uma engrenagem simples, que se convencionou chamar de economia real. A bancos e Bolsas, cabe a função de não deixar faltar recursos para a máquina funcionar. Algo mais que isso, emperrará o processo. Exatamente como acontece hoje.


ECONOMIA REAL

A indústria não pode esperar
Lideranças industriais de todo o País estarão em Brasília, a partir desta terça-feira, para o 3º Encontro Nacional da Indústria (Enai). Na pauta, está a busca de alternativas para conquistar competitividade. Sob o comando do presidente Roberto Macêdo, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) está levando, na bagagem, propostas para discutir os obstáculos ao desenvolvimento do setor industrial e ao crescimento do País. Uma das questões prioritárias está ligada à Política de Desenvolvimento Produtivo. Para a Fiec, é necessário o direcionar políticas para a pesquisa aplicada, diminuindo a distância entre esta e a pesquisa acadêmica, realizada na Universidade e leva de 10 a 30 anos para maturar. “A indústria em desenvolvimento não pode esperar tanto tempo. Carece de ações imediatas e pesquisas direcionadas à solução dos seus problemas. É preciso encontrar caminhos para incentivar as universidades e os centros de pesquisa a contribuir mais com o crescimento industrial do País”, revela Macêdo.

SINAL DOS TEMPOS
Quem pensa que o momento é de absoluta estagnação, engana-se. A Bom Sinal, fábrica de trens de passageiros, localizada em Barbalha, aposta não no futuro; mas no presente. Com crise e tudo. “A Bom Sinal entende que a crise mundial afetará pouco o mercado metroferroviário, em função da existência de convênios firmados anteriormente com organismos internacionais), além dos já previstos no PAC para aplicação até 2010”, diz Ricardo Alves (foto), diretor da empresa. A Bom Sinal já concluiu, com sucesso, a construção dos trens do Metrô do Cariri, que ligará as cidades de Crato e Juazeiro do Norte, a partir de fevereiro de 2009. As duas composições já estão em fase de testes pelo Metrofor. Só lembrando: a fabricação em Barbalha, colocou a região no cenário metroferroviário nacional.

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