Ir para a página sobre a Publicidade
Capa O POVO

O POVO Digital

Leia aqui

O POVO Online

RSS - Noticias em Tempo Real

Saiba mais »

Bolsa S/A

BOLSA S/A

Ele não é o Flash Gordon?

Ana Cristina Cavalcante
18 Out 2008 - 17h22min

A+ A- Mudar tamanho

CENÁRIO

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, conseguiu o que todos imaginavam que sairia da cartola dos ex-executivos de mercado ou acadêmicos, que ocupam o alto comando da política econômica americana. Apresentou um plano de ação capaz de preservar o que restou do sistema bancário do Hemisfério Norte. Esperava-se isso de Henry Paulson, banqueiro vindo do Goldman Sachs para comandar o Tesouro Americano. Ou de Ben Bernanke, presidente do Fed (BC americano), acadêmico de primeira linha e professor de universidades americanas importantes, como Princeton. Nada disso. A solução veio do tímido premier britânico.

O plano de Gordon (o Brown) não é nenhuma fórmula mirabolante. Mas funciona! Em vez de dar dinheiro público para instituições falidas, promove os empréstimos interbancários e transforma o governo da terra da Rainha em sócio majoritário de alguns bancos. É a cartilha de Keynes - o economista, também inglês, que deu a receita para o mundo sair da depressão, nos duros anos 30. Em rápidas palavras, a estratégia consiste em o governo entrar como agente efetivo do desenvolvimento econômico. Se ninguém quer ou pode investir recursos, o governo faz isso. Simples assim.

Na semana seguinte ao plano inglês - adotado como modelo também pelos europeus -, o mercado continuou no seu surto bipolar. Uma segunda-feira mágica - com recuperações espetaculares -, seguida de dias de absoluta instabilidade e uma sexta-feira mais equilibrada. Não é novidade, nem significa que a idéia inglesa não funcionou.

Reflete, nesse caso específico, o movimento de especulação. Investidores quiseram realizar lucros - ou seja, vender suas ações enquanto estavam valorizadas e, com isso, derrubaram de novo as Bolsas. Soa paradoxal; mas é o jogo especulativo.

Em meio à tanta incerteza, prevalece um fato concreto. Brown (o Gordon) brilhou! Mais até do que o eleito Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman que, inclusive, saudou o premier britânico. Krugman sugeriu, ao comentar as ações do inglês, se esse não “teria salvado a economia mundial”.

Frase de sua campanha, na qual demonstrava uma modéstia capaz de distingui-lo de seu antecessor, Tony Blair -, dizia: Not Flash, just Gordon. A comparação com o herói da ficção científica que derrotou o imperador Ming, salvando a Terra de toda destruição, parece tática publicitária. Só parece. Apesar da resistência, Gordon pode, sim, ser o Flash!

PENSAMENTO ECONÔMICO
“Cadê a solidez da economia americana? Cadê o infalível Banco Central americano? O infalível FMI? O infalível Banco Mundial? O infalível Banco Central Europeu? Ou seja, será que eles não sabiam que o seu sistema financeiro estava envolvido na maior agiotagem financeira que o mundo conheceu? Será que eles não sabiam?”
Comentários do presidente Lula sobre o desenrolar da crise, feitos durante visita a Maputo, em Moçambique, no último dia 16

ECONOMIA REAL

É hora de acreditar
A crise anunciada no mundo não é boa para ninguém, mas agora é imprescindível agir com cautela e criatividade. Essa é a visão do novo presidente do Sinditêxtil, Ivan Bezerra Júnior (foto) sobre o momento econômico mundial. Eleito para mandato que vai até 2011, Bezerra acredita que há oportunidades no meio de tanta confusão. “Alguns países e setores podem encontrar alternativas para saírem fortalecidos. O têxtil, por exemplo, já tem boa infra-estrutura e tem unidades fabris de alta tecnologia e muitos empregos gerados”, disse. Para o dirigente, existe espaço no mercado externo e o “design brasileiro dita a moda mundial”.

Além disso, lembra que o cenário de dólar baixo, que dificultava a concorrência com os asiáticos, pode ser revertido com a valorização da moeda americana no Brasil. “Nessa nova realidade, quando o capital industrial volta a se sobrepor ao capital especulativo, e com o Brasil tendo feito também o seu dever de casa, é importante acreditarmos na economia real e na força do trabalho e da indústria nacional”.

CAIXA PRETA
As Bolsas mundo afora “derreteram” no meio da semana passada. Mas, afinal de contas, o que significa mais esse jargão amplamente difundido, durante a crise financeira de DNA americano? A Caixa Preta explica:

Esse derretimento das Bolsas significa desvalorizações profundas em curtos períodos de tempo. Nas últimas semanas, o mercado de capitais tem experimentado um verdadeiro pesadelo com quedas abissais das ações negociadas nos pregões. Isso se dá não apenas pela conjuntura econômica mundial, determinada pela crise de liquidez do sistema financeiro. >> O jogo especulativo também contribui para as baixas. Senão vejamos: na última segunda-feira, as Bolsas tiveram um dia de alívio, com altas surpreendentes e fechamento histórico. Na terça-feira, foi igualmente histórico o tamanho do tombo. E por que? Os investidores/especuladores entraram vendendo seus papéis para aproveitar a alta do dia anterior. Resultado: novas perdas.

Dê sua nota clicando nas estrelas

Espaço dos leitores:

Comentar esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

22/10/2008
00:35

A crise de confianças que vive o mercado mundial tem seus sintomas melhor interpretados por simples "curandeiros" que pelos os altos dogmas de uma teoria econômica que por muitas eras se mostrou pouco produtiva, premediadora de crises e não apenas uma bolha retórica de chatices evidentes da ordem capitalista, valeu uma opinião simplista e doméstica de Gordon Brown para evidenciar que como afirma MAtton:"melhor uma atitude sensata hoje, que um ato heróico amanhã."

PIva

Este comentário é inapropriado? Denuncie

Ver todos os comentários

Botao para a página sobre a Publicidade

Indique esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2008 O POVO - Todos os direitos reservados