Ir para a página sobre a Publicidade
Capa O POVO

O POVO Digital

Leia aqui

O POVO Online

RSS - Noticias em Tempo Real

Saiba mais »

Bolsa S/A

BOLSA S/A

Será que Jung explica?

Ana Cristina Cavalcante
11 Out 2008 - 20h36min

A+ A- Mudar tamanho


"Tudo se transforma no seu contrário."*
Carl Gustav Jung, um dos maiores psiquiatras do mundo. Fundou a Escola Analítica de Psicologia, no começo do século XX.


A histeria continuou por mais uma semana difícil e os mercados protagonizaram outra sexta-feira extremamente tensa. Desde segunda-feira, só na Bovespa, foram três interrupções dos negócios, causadas por quedas maiores que 10% no valor das açõess - os circuit breakers. Sexta foi dia também de ver empresas perdendo valor, presidentes da República irem a público, de novo, pedir calma ou injetar otimismo (leia-se, pela ordem, Bush e Lula) e o G7 (grupo dos sete países mais ricos do mundo) anunciar pacote.

- Diante da constância, vale lembrar. A crise começou com a irresponsabilidade quase criminosa (pelas regras vigentes, especular não é crime - por isso, o “quase”) de um setor do mercado de crédito imobiliário norte-americano - os subprimes. Agora, chega a uma segunda fase. Primeiro foram os bancos e a cadeia financeira que sustenta essa linha de financiamento. E não custa reforçar: o subprime não era o sonho da casa própria realizado. Funcionava como outra forma de fazer dinheiro para cobrir dívidas anteriores ou consumo.

- A bola da vez são as empresas que têm ações na Bolsa de Valores. Isto é, as que negociam pequenas partes de si mesmas para fazer capital, algumas vezes de giro - aquele dinheiro que precisam para tocar seu dia-a-dia empresarial. Grandes indústrias - especialmente as automobilísticas, como GM e Ford - são eleitas as “vilãs” da falta de confiança. O mercado deduz que essas companhias perderam sua capacidade de pagamento e sentenciam: “Vão quebrar!”.

- Puro "achismo". Senão, vejamos. Também na sexta-feira, a GM veio a público reforçar que não vai declarar moratória e nem dar calote em seus fornecedores. Concretamente - que é o que interessa - governos e autoridades monetárias do mundo todo já colocaram dinheiro no mercado, garantiram depósitos dos correntistas, compraram créditos podres e lançaram ação integrada mais abrangente para conter a sanha especulativa.

- A leitura possível de tudo isso é: o quê é preciso para acalmar os players financeiros está posto na mesa. E já passa da hora de o mercado parar com esse surto quase psicótico. O “chilique” não tem mais graça. Ao contrário disso, está tirando o ânimo da economia global e provocando angústia entre as pessoas que querem, todos nos dias, levantar entusiasmadas para mais um dia de trabalho. Talvez, seja essa a palavra-chave do processo de recuperação: T-R-A-B-A-L-H-O. Não precisa nem perguntar para o velho Jung.


CAIXA PRETA

Para entender a segunda fase do caos financeiro, a Caixa Preta traz algumas explicações. A elas, então:

- Existe mais crédito do que recursos na economia. Ou seja, o dinheiro é virtual, representado por papéis que funcionam como vales. Antes da crise, o sistema financeiro (bancos, financeiras, factorings etc) confiava que o crédito estaria lá, sob a forma de redesconto, trocas de financiamentos, rolagem de dívidas e coisas assim. A economia estava crescendo num ritmo acelerado e não havia motivo para cessar apostas.

- de repente, todos perceberam que não existia dinheiro de verdade - a tal liquidez - e tomaram consciência do grande problema que se criou. Dessa "descoberta" repentina, veio a desconfiança. Isto é, os próprios agentes do mercado não confiam mais no sistema financeiro. Acham que não haverá crédito e as empresas vão quebrar, com ações perdendo valor na Bolsa - até “virarem pó”, para usar o jargão da crise. Aí, recomendam aos investidores que retirem seu dinheiro ( o de papel) de lá. Resultado? Mais perdas, claro!

- Um setor importante do cenário é o das construtoras. As empresas brasileiras foram à Bolsa e abriram capital. Com o dinheiro, compraram terrenos apostando que a economia iria crescer o suficiente para que esses terrenos virassem empreendimentos - a serem vendidos rapidamente. O caos pegou essas empresas no contrapé - como acontece com os goleiros que vão para um lado, enquanto a bola vai, caprichosamente, para o outro. Agora, as construtoras estão cheias de terrenos no estoque e com muito medo de apostarem nas vendas, sem o suporte certo e previamente combinado do crédito imobiliário.

- Empresas - indústrias, inclusive - estavam com ações muito valorizadas por causa da onda positiva que a economia global vinha surfando nesses anos 2000. Ancorados no conforto da situação, os agentes apostaram nessas empresas e na sua capacidade de pagamento. Por isso, concederam crédito abundante.

- Resumo da ópera: quando uma crise financeira chega, o primeiro reflexo é a perda de confiança. O mercado começa a achar que as empresas não terão mais condições de pagarem seus empréstimos. Começa o efeito dominó... É uma histeria que não está baseada em fatos concretos. Mas apenas em "achismos" - ou seja, alguém acha que a empresa não terá condições de honrar seus compromissos e todos fecham as torneiras do crédito. Isso bate na Bolsa, com mais desvalorização, e na economia real sob a forma da estagnação.


PENSAMENTO ECONÔMICO

Se as autoridades monetárias estão tomando medidas importantes para conter a sangria do sistema financeiro, o que falta, então, para os mercados saírem desse surto de pânico? Algumas sugestões da Coluna:

1) Farta distribuição de remédio para ansiedade e de calmantes entre os agentes do mercado financeiro para que eles se acalmem, nem que seja pelo efeito da química;

2) Recomendação da prática de yoga e meditação, para conter o nervosismo excessivo;

3) Aplicação da teoria do inconsciente coletivo, de Carl Gustav Jung, para curar o efeito manada que assola o mundo nas últimas semanas; e

4) Se nada disso funcionar, a solução é internar todo mundo e deixar o setor produtivo tomar conta do crescimento da economia mundial!

CONTEÚDO EXTRA
www.opovo.com.br/opovo/colunas/bolsasa

Dê sua nota clicando nas estrelas

Espaço dos leitores:

Comentar esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

Botao para a página sobre a Publicidade

Indique esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2008 O POVO - Todos os direitos reservados