Bolsa S/A
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A onda e o tsunami
Ana Cristina Cavalcante
27 Set 2008 - 20h57min
"a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda"
Manuel Bandeira, no seu poema A Onda
A crise pegou o Brasil em um momento em que o País está muito bem. A afirmação, do economista Octavio de Barros, diretor de Estudos e Pesquisas Econômicas do Bradesco, é tão direta quanto precisa. Como Barros, outro analista experiente avalisa os bons fundamentos econômicos brasileiros. “As coisas são bem diferentes, hoje. Agora, ao contrário do que acontecia antes, os Estados Unidos estão com pneumonia. E o que acontece no Brasil não passa de um resfriado”, compara Paulo Sandroni, professor de Economia da Escola de Administração e Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV).
- É fato que a economia nacional não deve sair ilesa de tamanha turbulência. Assim como surfou a onda do crescimento mundial, desde o início dos anos 2000; encara, nesses dias, o tsunami das perdas globais. Mas o enfrenta com uma solidez que há muito não se via. A ponto de evitar a devastação de um ataque especulativo - que, na prática, representa o desaparecimento do capital estrangeiro investido em Bolsa - e de movimentos quase inconscientes e em massa - também conhecidos como efeito manada. O brasileiro assistiu a todas essas manifestações, em outros tempos. Talvez, por isso, esteja tão tenso agora. Temendo que, a qualquer momento, voltem os velhos tempos.
- O que se pode ler nas entrelinhas desta enorme confusão dos mercados, é que os velhos tempos não voltaram. Até aqui e, muito provavelmente, no médio prazo também. Não voltaram porque o País tem uma economia diferente, com estabilidade, reservas de dólares bastante significativas, autoridade monetária atentíssima, consumo aquecido e melhoria na renda. Esses são pilares importantes. Capazes de mudar a maneira como o Brasil recebe as crises externas. Imunes não estamos; ninguém está. Mas prontos para enfrentar (e superar!)...
Ah, isso quem viver, certamente verá.
PENSAMENTO ECONÔMICO
Subprime no popular
O seu Biu tem um bar e decide que vai vender bebida “na caderneta” aos seus leais fregueses. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose (a diferença é o sobrepreço paga pelo crédito).
O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de MBA, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível. Começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o fiado dos clientes como garantia.
Uns seis executivos financeiros, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outra sigla que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
Os instrumentos financeiros alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu). Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os bêbados não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia que se formou cai junto.
ECONOMIA REAL
Janela de oportunidade
Expansão de 12% no faturamento da publicidade brasileira, no fechamento de 2008. É o que espera o presidente do Grupo Meio & Mensagem (M&M), José Carlos de Salles Neto (foto), reforçando a projeção feita pelo Projeto Inter-Meios. Em 2007, segundo a mesma fonte, o setor faturou R$ 26 bilhões no País. A despeito da crise financeira internacional, Salles Neto aposta em dias felizes. “A publicidade brasileira vai muito bem e deverá ser assim, com o crescimento das novas mídias”, projeta o presidente da M&M. Segundo o executivo, o panorama crítico de hoje trouxe, claro, um pouco de confusão e cautela. “Surgiu justo no momento de preparação dos orçamentos para 2009”, expõe em entrevista rápida à Coluna.
- Mas a publicidade mantém o espírito que a caracteriza: a capacidade de enxergar oportunidade onde todos vêem só dificuldades. E a janela aberta para os negócios nesse setor está nas infinitas possibilidades da tecnologia da informação. Computadores invadem as residências dos brasileiros (que tiveram acesso ao bem, pela via do crédito), as pessoas experimentam uma folga no orçamento (pelo aumento da renda) e, por fim, o consumo está aquecido. “O investimento em publicidade on line foi o que mais cresceu em 2007, atingindo a marca de 45,76%”, conta Salles Neto - que comandará o MaxiMídia 2008, no começo de outubro, em São Paulo. Fortaleza terá transmissão ao vivo da programação e da feira de negócios. O evento tem apoio da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap/CE), Grupo de Mídia do Ceará e Sindicato das Agências de Propaganda do Ceará (Sinapro Ceará)
- A tendência da publicidade mundial é de crescimento. “Enquanto discutimos a sobrevivência do jornal, os maiores diários brasileiros contabilizam números ascendentes. Acredito na real convergência entre os meios, com cada vez menos separação entre eles. Uma ação publicitária estará na TV, jornal, cinema, outdoor, Internet, blog e tudo o que aparecer... Sem fronteiras para criatividade, informação e propagação do conhecimento atrelado ao entretenimento”, descreve.
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