Bolsa S/A
BOLSA S/A
A última crise do capitalismo?
Ana Cristina Cavalcante
13 Set 2008 - 16h39min
CENÁRIO
"O capitalismo gera
o seu próprio coveiro." *
Não faz muito tempo - durante a difícil década de 1990 -, o mundo não se espantava com crises. Estava acostumado. Desde as que vinham da Ásia até as que brotavam aqui mesmo, do lado de baixo do Equador. A montanha-russa da economia mundial vivia em velocidade máxima. Quebras de sistemas financeiros (localizados, é bom que se diga), desvalorizações abissais de moedas, avalanches inflacionárias, desindustrialização... Essas eram as manifestações mais visíveis dos colapsos econômicos dos últimos anos do século 20. Perpassando mercados nos quatro cantos da Terra, as crises fizeram a população mundial compreender que um fenômeno as uniria para sempre: a globalização.
> Depois deste começo abrupto da economia global, chamemos assim, veio a bonança prevista pelo ditado universal. Os anos 2000 trouxeram, até bem pouco tempo, período de fartura e consumo sustentado pelo crescimento das nações - das hegemônicas às emergentes, passando pelas mais pobres. E na esteira dessa expansão espetacular, as locomotivas mundiais dispararam. China, União Européia e Estados Unidos acumularam mais que riqueza - fizeram um estoque inestimável de expectativa. E a sucessão dos fatos (que alguns chamam de destino), acompanhado de sua natureza irônica, ensina de novo: tudo são ciclos.
> A conjuntura atual é perfeita para observar uma particularidade destes tempos. O fato de que surge do mundo rico a megacontradição do capitalismo. Como previu certo gênio do pensamento econômico, chamado Karl Marx... A enorme crise das hipotecas americanas (o subprime) foi a ponta do iceberg. Quase na mesma onda, veio a inflação planetária. Arrematando, a estatização de bancos nos Estados Unidos (Freddie Mac e Fannie Mae) - precedida por providência semelhante na Inglaterra, meses atrás, com o Northern Rock.
> Pronto, o cenário está montado para a globalização encarregar-se de empregar mais lições - só que de outro modo de produção. Entretanto, caros leitores, essa ainda não é a última crise do capitalismo. Mas é a que prova (de novo!) a tese de outro gênio: quando a mão invisível smithiana não funciona, o Estado precisa agir. Mesmo que essa ação seja um passo à esquerda dado por George W. Bush. Que o diga, Sir John Maynard Keynes.
* Frase de Karl Marx, economista e filósofo alemão, principal teórico do socialismo.
O vizinho
O boom do mercado imobiliário do Rio Grande do Norte, definitivamente, despertou o interesse das construtoras cearenses. A Terra Brasilis seguiu a tendência. Especializada na concepção e desenvolvimento de bairros planejados, a empresa aposta suas fichas em terras potiguares e escolhe a cidade de Mossoró por seu potencial de atrair investimentos, inclusive os do petróleo.
"Além de todos os fatores econômicos que a colocam em ascensão, Mossoró tem localização privilegiada entre dois grandes centros do Nordeste: Fortaleza e Natal. Esses fatores nos levaram a optar pela cidade para nosso novo investimento”, explica Fábio Mota, diretor de Gestão Regional da construtora.
> A Terra Brasilis planeja aplicar R$ 120 milhões no Quintas do Lago Mossoró. Desenvolvido em parceria com o grupo inglês Keyworth Partnership.
> Só lembrando: por lá, já estão Colméia, Diagonal, Axial, Esquadros e Mercurius. Todas com obras planejadas ou em andamento no mercado vizinho.
Fibra no Ceará
O Banco Fibra mandou o seu vice-presidente, Maércio Soncini, para apresentar os resultados de suas operações por aqui. Com 1 ano e meio de atuação em Fortaleza, atingiu ativos que rondam os R$ 120 milhões. Segundo Soncini, o banco tem 51 clientes corporativos em 12 cidades, incluindo a capital cearense. As empresas de médio porte, de todos os setores, com faturamento de R$ 40 milhões a R$ 400 milhões, são o foco da instituição. “Temos como diferencial agilidade e eficiência,. Isso nos coloca em posição de destaque nos segmentos em que atuamos e nos permite atender de forma adequada às necessidades de crédito de nossos clientes”, arremata.
Caixa Preta
A Caixa Preta dessa semana está aberta para responder duas perguntas, sobre a crise boliviana e suas repercussões no mercado.
1) Diante da grave crise da Bolívia, por que o Brasil não passa a importar gás de outro mercado?
> Por uma razão bastante concreta. A importação de gás pressupõe logística e infra-estrutura específicas. São necessários quilômetros de gasodutos, que demandam tempo para serem contruídos. Não dá para, simplesmente, trocar de fornecedor. Mas já há um plano de médio prazo: as duas plantas de regaseificação. Uma delas no Pecém, está prestes a entrar em operação. A outra, no Rio de Janeiro, só começa a funcionar no ano que vem.
2) Por que o Brasil continua “pagando o pato” da instabilidade política da Bolívia?
> O Brasil tem papel fundamental na integração da América do Sul.
O mesmo motivo serve para explicar a paciência com os bolivianos e a abnegação com os argentinos - quando o País vende energia mais barata para los hermanos. A globalização não prescinde da integração econômica regional, sob pena de perder competitividade.
PENSAMENTO ECONÔMICO
"O capitalismo é a crença mais estarrecedora de que o mais insignificante dos homens fará a mais insignificante das coisas para o bem de todos".
>> John Manard Keynes, pensador econômico que nos lembra, sabiamente, que “no longo prazo, todos estaremos mortos”.
"O capitalismo gera
o seu próprio coveiro." *
Não faz muito tempo - durante a difícil década de 1990 -, o mundo não se espantava com crises. Estava acostumado. Desde as que vinham da Ásia até as que brotavam aqui mesmo, do lado de baixo do Equador. A montanha-russa da economia mundial vivia em velocidade máxima. Quebras de sistemas financeiros (localizados, é bom que se diga), desvalorizações abissais de moedas, avalanches inflacionárias, desindustrialização... Essas eram as manifestações mais visíveis dos colapsos econômicos dos últimos anos do século 20. Perpassando mercados nos quatro cantos da Terra, as crises fizeram a população mundial compreender que um fenômeno as uniria para sempre: a globalização.
> Depois deste começo abrupto da economia global, chamemos assim, veio a bonança prevista pelo ditado universal. Os anos 2000 trouxeram, até bem pouco tempo, período de fartura e consumo sustentado pelo crescimento das nações - das hegemônicas às emergentes, passando pelas mais pobres. E na esteira dessa expansão espetacular, as locomotivas mundiais dispararam. China, União Européia e Estados Unidos acumularam mais que riqueza - fizeram um estoque inestimável de expectativa. E a sucessão dos fatos (que alguns chamam de destino), acompanhado de sua natureza irônica, ensina de novo: tudo são ciclos.
> A conjuntura atual é perfeita para observar uma particularidade destes tempos. O fato de que surge do mundo rico a megacontradição do capitalismo. Como previu certo gênio do pensamento econômico, chamado Karl Marx... A enorme crise das hipotecas americanas (o subprime) foi a ponta do iceberg. Quase na mesma onda, veio a inflação planetária. Arrematando, a estatização de bancos nos Estados Unidos (Freddie Mac e Fannie Mae) - precedida por providência semelhante na Inglaterra, meses atrás, com o Northern Rock.
> Pronto, o cenário está montado para a globalização encarregar-se de empregar mais lições - só que de outro modo de produção. Entretanto, caros leitores, essa ainda não é a última crise do capitalismo. Mas é a que prova (de novo!) a tese de outro gênio: quando a mão invisível smithiana não funciona, o Estado precisa agir. Mesmo que essa ação seja um passo à esquerda dado por George W. Bush. Que o diga, Sir John Maynard Keynes.
* Frase de Karl Marx, economista e filósofo alemão, principal teórico do socialismo.
O vizinho
O boom do mercado imobiliário do Rio Grande do Norte, definitivamente, despertou o interesse das construtoras cearenses. A Terra Brasilis seguiu a tendência. Especializada na concepção e desenvolvimento de bairros planejados, a empresa aposta suas fichas em terras potiguares e escolhe a cidade de Mossoró por seu potencial de atrair investimentos, inclusive os do petróleo.
"Além de todos os fatores econômicos que a colocam em ascensão, Mossoró tem localização privilegiada entre dois grandes centros do Nordeste: Fortaleza e Natal. Esses fatores nos levaram a optar pela cidade para nosso novo investimento”, explica Fábio Mota, diretor de Gestão Regional da construtora.
> A Terra Brasilis planeja aplicar R$ 120 milhões no Quintas do Lago Mossoró. Desenvolvido em parceria com o grupo inglês Keyworth Partnership.
> Só lembrando: por lá, já estão Colméia, Diagonal, Axial, Esquadros e Mercurius. Todas com obras planejadas ou em andamento no mercado vizinho.
Fibra no Ceará
O Banco Fibra mandou o seu vice-presidente, Maércio Soncini, para apresentar os resultados de suas operações por aqui. Com 1 ano e meio de atuação em Fortaleza, atingiu ativos que rondam os R$ 120 milhões. Segundo Soncini, o banco tem 51 clientes corporativos em 12 cidades, incluindo a capital cearense. As empresas de médio porte, de todos os setores, com faturamento de R$ 40 milhões a R$ 400 milhões, são o foco da instituição. “Temos como diferencial agilidade e eficiência,. Isso nos coloca em posição de destaque nos segmentos em que atuamos e nos permite atender de forma adequada às necessidades de crédito de nossos clientes”, arremata.
Caixa Preta
A Caixa Preta dessa semana está aberta para responder duas perguntas, sobre a crise boliviana e suas repercussões no mercado.
1) Diante da grave crise da Bolívia, por que o Brasil não passa a importar gás de outro mercado?
> Por uma razão bastante concreta. A importação de gás pressupõe logística e infra-estrutura específicas. São necessários quilômetros de gasodutos, que demandam tempo para serem contruídos. Não dá para, simplesmente, trocar de fornecedor. Mas já há um plano de médio prazo: as duas plantas de regaseificação. Uma delas no Pecém, está prestes a entrar em operação. A outra, no Rio de Janeiro, só começa a funcionar no ano que vem.
2) Por que o Brasil continua “pagando o pato” da instabilidade política da Bolívia?
> O Brasil tem papel fundamental na integração da América do Sul.
O mesmo motivo serve para explicar a paciência com os bolivianos e a abnegação com os argentinos - quando o País vende energia mais barata para los hermanos. A globalização não prescinde da integração econômica regional, sob pena de perder competitividade.
PENSAMENTO ECONÔMICO
"O capitalismo é a crença mais estarrecedora de que o mais insignificante dos homens fará a mais insignificante das coisas para o bem de todos".
>> John Manard Keynes, pensador econômico que nos lembra, sabiamente, que “no longo prazo, todos estaremos mortos”.
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