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O meio aristotélico e a inflação brasileira

Ana Cristina Cavalcante
06 Set 2008 - 18h23min

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"A virtude é o meio
justo entre dois defeitos"*


CENÁRIO

A semana econômica foi de boas notícias e não só por causa do pré-sal. Os brasileiros respiraram mais aliviados porque os indicadores de inflação recuaram. A pressão que o preço dos alimentos vinha exercendo há pelo menos um ano arrefeceu. O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, um entusiasta do desenvolvimento, festejou: "Todos os índices estão caindo mês a mês. Estamos muito satisfeitos". Sem entrar no tecnicismo do sistema de metas, o que importa mesmo é que o impacto, no bolso do consumidor, vem sendo menor. Ainda, nas palavras de Mantega, a "inflação planetária" e a "crise financeira mundial" não estão sendo argumentos suficientemente fortes para manter a escalada dos preços no mesmo ritmo dos últimos meses.

A inflação pressupõe economia em movimento e, portanto, em expansão. Desde que, claro, não se aproxime da zona de perigo demarcada pelos dois dígitos. Como seu ministro, o cidadão também deve comemorar. Mas um pouquinho de cautela não faz mal. A tendência pode não se manter. Em outras (e mais antipáticas) palavras, corre-se o risco de a variação para cima dos preços voltar. Há uma explicação para a dúvida: a desaceleração surpreendeu por ter vindo concentrada. Ou seja, toda de uma vez.

Menos otimistas que Mantega, analistas de mercado acham que o Brasil esgotou a sua cota de desaceleração. Mais a longo prazo, a expectativa é que os alimentos permaneçam exercendo pressão sobre os preços. Vivemos numa economia globalizada, dizem, e o mundo não pára de crescer. Isso corresponde a mais demanda e, conseqüentemente, custos em alta. Recorrendo ao conceito aristotélico que a virtude está no meio termo, a inflação pode até voltar, mas a taxas que não chegam a preocupar o mercado. E, como o futuro ainda não chegou, vale viver intensamente o momento.

* Aristóteles, filósofo grego, considerado o pai do pensamento lógico.

PENSAMENTO ECONOMÔMICO
"Me belisca, me belisca. Este sítio é um sonho".

Frase de Dona Benta, personagem do Sítio do Picapau Amarelo, obra de Monteiro Lobato, reproduzida pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no início da exploração do pré-sal, no campo de Jubarte.

ECONOMIA REAL

Correr é bom negócio

Maratonas e corridas urbanas viraram febre nas principais cidades brasileiras. E Fortaleza está totalmente inserida nessa tendência. Oscila entre as terceira e quarta posições em número de corredores do País. É fato: o running virou negócio e dos bons! "Hoje, tem gente que vive de organizar eventos; há assessorias com foco no personal trainer específico para corrida; e estão surgindo lojas só para atender os corredores", conta à Coluna o dono de uma dessas lojas, Marcelo Castelo (na foto, com seus sócios). A VO2 é a meca do consumo dos praticantes de corridas cearenses. Segundo Castelo, só a Adidas (que usou como exemplo) vende algo em torno de R$ 150 milhões por ano, no País. É um negócio de milhões, concorda Castelo que, além da loja também empreende na área de eventos. Ao lado do sócio, Adolfo Perdigão, comanda a Piau - realizadora do Run & Life, seminário mais feira de negócios que acontece sexta e sábado, no Gran Marquise. "Além das marcas que estão aqui, outras que saíram estão voltando e algumas que nunca estiveram aqui, estão vindo. É um momento favorável e as pessoas estão se dando conta disso", arremata Castelo.

Fábricas de vento
A Econergy International estréia no País aqui, mesmo, no Ceará. A primeira unidade da gigante norte-americana em solo brasileiro será instalada na Praia das Fontes, Beberibe. A usina também será o primeiro parque eólico do Proinfa - Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, no Estado. "Vamos montar a primeira fábrica de ventos do Brasil", comemora Edward Hoyt, executivo da companhia. O conceito quase poético é comum no setor eólico dos Estados Unidos. E, se os cataventos tomarem conta do Ceará, seu meio ambiente agradece.

Depois do Texas, Nebraska...
Empresários e representantes do Governo do Ceará desembarcam no estado americano de Nebraska, na próxima quarta-feira. Animados com o interesse que representantes do Porto de Houston demonstraram em fazer negócios com a indústria local, agora, no sentido inverso, a missão cearense vai em busca de oportunidades comerciais. Articulada pelo Centro Internacional de Negócios (CIN), a viagem também serve para intercâmbio de conhecimento. Outro objetivo - esse prático - é prospectar investidores. Um das áreas em foco é a logística. E, considerando que o Estado precisa muito, vale a pena procurar quem possa distribuir produtos cearenses destinados ao mercado norte-americano. O grupo será recebido pelo governador do estado, Dave Heineman. A quem interessar: o PIB de Nebraska é de US$ 68 bilhões de dólares; e a renda per capita de chega a US$ 31,339 mil. O forte do estado é seu setor agrícola, em que é líder nacional na produção de carne bovina e suína, milho e soja. Outros setores importantes são transporte de mercadorias, telecomunicações, tecnologia e seguros.

Cenário a favor
O cenário é mais que positivo. Essa é a constatação de José Maria Cavalcante Lima, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Ceará (Sindimóveis). Lima está à frente do Conaci - XXII Congresso Nacional de Corretores de Imóveis. "Com uma economia favorável para o mercado imobiliário brasileiro, as facilidades de crédito, a preocupação em torno da sustentabilidade e uma forte participação da mulher corretora (em torno de 30% no Brasil), os relevantes resultados de novos negócios, inclusive no âmbito internacional, nada mais apropriado do que reunir corretores de imóveis do País para discutir essas e outras vertentes que influenciam a capacitação da profissão", reforçou à Coluna, na última quinta-feira. Só lembrando: o Conaci acontece de 17 a 20 de setembro, no Gran Marquise Hotel. São esperados, com ansiedade, para o evento, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, confirmam suas presenças.

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