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Das tulipas às hipotecas, a saga!
Ana Cristina Cavalcante
26 Jul 2008 - 15h50min
CENÁRIO
...dizem que a tulipa era a flor dos apaixonados.
Muitos jardineiros dos sultões do império otomano
ficaram sem língua para que não contassem
os encontros amorosos que se faziam junto às tulipas...*
Às vésperas do primeiro aniversário da crise do subprime (as hipotecas de risco do mercado norte-americano), o brasileiro pode respirar aliviado (e orgulhoso): sobrevivemos... E muito bem! O contágio não veio. Nem pelo câmbio - como sempre ocorreu com o Brasil, que sucumbia à cada crise internacional até o final dos anos 90 -, nem pela economia real. O desequilíbrio fiscal ianque não parou o setor produtivo nacional. Muito pelo contrário. O risco que corremos hoje é outro. O da produção não dar conta de acompanhar a demanda, trazendo à tona a nossa cultura inflacionária.
O mundo está convivendo, desde agosto de 2007, com o desarranjo do sistema bancário da maior potência econômica mundial. Assistimos de camarote a quebra de instituições importantes do cenário internacional. Vimos também o governo socorrer bancos que corriam risco iminente de falência. Quem não lembra da reestatização do inglês Nothern Rock? Os bancos centrais europeus também atuaram. E em conjunto, para garantir a liquidez mínima necessária ao funcionamento dos mercados. Vista de um determinado ângulo, a globalização é compulsoriamente solidária.
A crise das tulipas**, no século 17 - quando a Holanda viveu o primeiro ataque especulativo que se tem notícia -, deflagrou a seqüência de crises econômicas mundiais capazes de causar destroços em economias vulneráveis - como era a brasileira, até a consolidação do real como moeda estável. As últimas crises externas que atingiram o País, com força, foram a russa e a asiática, entre 1997 e 1998. Depois, a economia do Brasil sofreu o impacto da mudança do câmbio - uma maxidesvalorização do real, em 1999 - e superou relativamente bem o momento de instabilidade, causado pela eleição de um presidente de esquerda. De lá para cá, temos passado praticamente incólumes pela montanha-russa econômica. Se não fosse assim, será que estaríamos "comemorando" o aniversário do subprime?
* Lenda sobre as tulipas, típica da tradição otomana.
** A tulipa foi o objeto de consumo causador da primeira explosão especulativa da História. Na época, uma dessas flores típicas européias era um desejado símbolo de prestígio. Chegou a valer uma carruagem, dois cavalos e os arreios. Até que um dia, alguém percebeu que uma tulipa não podia valer tudo aquilo. E todo mundo começou a vender.
Pensamento econômico
"Era preciso conter a exuberância irracional dos mercados".
>> A euforia do mercado com as empresas da Internet, também no final da década de 90, fez o então presidente do Federal Reserve (o Fed - banco Central norte-americano), o lendário Alan Greenspan, cunhar a célebre frase acima.
Economia real
Incontinência orçamentária
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e do Centro das Indústrias do Estado de S.Paulo (Fiesp/Ciesp)e empresário do setor têxtil, Paulo Skaf continua sua batalha contra a excessiva carga tributária brasileira. Em artigo enviado à Coluna, ele lembra o excelente desempenho fiscal (vide os recordes de arrecadação) do País que, inclusive, dispensa a criação de novos impostos como a CSS, que pretende substituir a CPMF. Sopa de letrinhas à parte, vale dizer que o problema brasileiro não é falta de imposto; mas, sim, excesso de gastos públicos. "Este ano, se as despesas com pessoal, Previdência Social e custeio crescerem a taxas inferiores a 10%, o Governo, mesmo sem a cobrança da CPMF, terá superávit primário de R$ 30 bilhões, equivalentes a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Considerando-se a mesma rubrica de R$ 46,3 bilhões de estados, municípios e estatais, o total consolidado chegará a R$ 76 bilhões (2,8% do PIB)", afirma Skaf. Ele continua: "No Brasil, infelizmente, o aumento da carga tributária é precedente e indutor de maiores gastos. De 2000 a 2007, enquanto o PIB evoluiu 20%, as despesas públicas tiveram expansão de 62,8%". E, como contra a matemática, não há argumentos, o grande gargalo da economia nacional não é crédito, inflação, tampouco, impostos. É uma boa incontinência orçamentária, mesmo.
Será que a bolha estoura?
A vitaminada oferta de crédito do mercado brasileiro precisa ser colocada em seu devido lugar: o de mola-mestra que movimenta a economia nacional, hoje. Com a tese, concorda Álvaro Musa, diretor da Partner Conhecimento, empresa considerada referência na indústria de serviços financeiros ao consumidor. "Crédito é um dos motores da economia, mas deve vir acompanhado de educação financeira e forte avaliação de risco dos clientes", afirma. Musa lembra que há algumas inquietações em torno desse tema. Entre elas, questões como o risco que os bancos correm ao conceder crédito; o limite máximo do endividamento que se deve atingir; e a polêmica sobre a natureza inflacionária atribuída ao crédito. Tudo isso será posto em debate durante o C4 - Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor, evento que a Partner realiza entre os dias 27 e 29 de agosto, no Hotel Transamérica, em São Paulo. "Bancos e financeiras devem emprestar dinheiro para alavancar negócios e atingir lucratividade. No entanto, avaliar o grau de endividamento destes clientes é essencial para que não haja explosão de consumo que pressione a inflação e torne o País vulnerável a investimentos. Neste aspecto, duas práticas são essenciais: cadastro positivo e educação para o consumo consciente", adverte.
Caixa Preta
À frente do Grupo Spy Store, maior centro de coaching do Norte e Nordeste, Paulo Vieira é hoje um dos consultores mais renomados de seu segmento, naquilo que se relaciona com desenvolvimento empresarial, liderança e gestão comercial. Em dez anos de atuação, já são 80 mil empresários e gestores, de 500 empresas de diversas regiões do País, com o selo Spy Store. O grande segredo de Vieira é sua qualificação: MBA Internacional em Marketing, pós-graduação em Gestão de Pessoas e analista de perfil profissional, pela Thomas International. E já que é assim, a Caixa Preta define coaching, nas palavras de quem entende do assunto.
>> Coaching - "É um programa voltado para quem quer investir em si mesmo, usufruir plenamente do seu potencial e obter excelência na realização de suas metas e objetivos. O coaching permite que o cliente desenvolva suas habilidades e alcance seus objetivos, explorando o máximo de seu potencial criativo, intelectual e emocional. Promove uma grande mudança tanto na área pessoal quanto na profissional".
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