Ana Cristina Cavalcante
19/07/2008 14:56

Cenário
Uma das áreas mais fascinantes da economia real é a publicidade que, sem dúvida, empresta todo o seu charme ao setor produtivo e o faz girar veloz, acelerando seus mecanismos de venda. E a propósito dela, São Paulo recebeu o ex-secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e Prêmio Nobel da Paz, de 2001, Kofi Annan. Ele veio participar do IV Congresso Brasileiro de Publicidade.
Para uma platéia de quase 1.500 pessoas, Annan aproveitou para ensinar um pouquinho sobre economia global. Ao dar ênfase à necessidade de justiça social, aos riscos do aquecimento do planeta e às parcerias, nos apontou o caminho mais rápido para uma sociedade consumidora, sim; mas responsável, também (por que não?). "No mundo de hoje, os desafios e problemas são tão complexos que os governos, sozinhos, não conseguem resolvê-los. E o setor privado tem um papel importante a desempenhar", ensinou.
Brincando com a confusão que fazem entre ele e o ator norte-americano, Morgan Freeman, lembrou o importante papel dos meios de comunicação, neste universo globalizado. Mas também alertou: "A globalização avançou muito nos últimos anos, só que bilhões de pessoas foram deixadas de lado". "Por isso, convidamos as grandes empresas a assinar o Pacto Global. E muitas o fizeram, porque queriam ser vistas fazendo a coisa certa. Porém, o que vocês diriam a uma corporação que assina um documento sem pretender honrar seus compromissos?", indagou.
Em seu discurso, disse que os publicitários brasileiros contavam com a Abap, "que estabeleceu seu próprio código de ética e de conduta", e pregou a união das organizações em torno de objetivos comuns: "As organizações podem aprender umas com as outras e se beneficiar das parcerias, tão essenciais nos dias de hoje, quando somos confrontados com problemas e desafios que ninguém pode resolver sozinho. Isso exige um trabalho em parceria, de maneira a unir nossos recursos para obter o maior impacto possível". Depois de discorrer sobre preservação do meio ambiente e paz no mundo, fechou sua palestra fazendo um apelo à fraternidade: "Cada um de nós deve ter confiança em seu semelhante. É nisso que os fundadores da ONU acreditavam e é nisso que acredito, assim como acredita um grande número de pessoas no mundo todo".
Caixa Preta
O discurso de Annan, em São Paulo, trouxe à tona uma das iniciativas que pretendem estancar a degradação do meio ambiente mundo afora. É o Pacto Global. Para entender a importância dessa práxis, vale abrir a caixa preta.
- Pacto Global: em inglês, Global Compact, pode ser entendido como o grande desafio colocado pelas Nações Unidas para o setor empresarial dos quatro cantos do planeta. O próprio Kofi Annan, ainda à frente da ONU, foi seu criador, durante o Fórum Econômico de Davos (Suíça), em 1999. O objetivo central do pacto é mobilizar as lideranças mundiais para apoiarem a ONU, na promoção de valores fundamentais em áreas como meio ambiente, direitos humanos e trabalhistas. Annan aproveitou sua vinda ao Brasil para, mais uma vez, provocar os empresários a darem suporte ao Pacto, tanto em suas práticas corporativas individuais como no apoio às políticas públicas. Desde 1999 até hoje, o Pacto Global foi aceito por centenas de empresas em todo o mundo.
Pensamento Econômico
"Não dá para dizer: 'Peãozada'. O cara é tão sofisticado que já não se sente peão."
- Frase de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1997 antes, portanto, de ser presidente da República, sobre os efeitos da globalização na estrutura de relações sindicais.
Economia real
A parceria que vale avanço
O mundo ideal é aquele no qual o pesquisador não precisa sair da empresa para avançar na inovação. Para o presidente do Instituto de Desenvolvimento da Indústria (Indi/Fiec), Jurandir Picanço,iniciativa privada e setor público têm a mesma aspiração, quando se trata de fomento. "O casamento perfeito entre esses dois setores é aquele no qual pesquisadores desenvolvem seus trabalhos dentro da empresa e são pagos pelas instituições de fomento", reforça. A discussão - pertinente sempre - estará em foco durante o Inova 2008 - Seminário de Gestão da Inovação Tecnológica no Nordeste, evento paralelo à Tecnológica 2008 - Feira da Indústria, Tecnologia e Inovação. O encontro acontece entre os dias 6 e 8 de agosto, no Centro de Convenções. Um dos pontos centrais será o painel Como acessar financiamentos e subvenções para inovação nas empresas, que reunirá Ministério da Ciência e Tecnologia, CNPq, Finep, BNDES E BNB. "São muitas as formas de obtenção de recursos, várias fontes de financiamento. Cada uma com suas características e focos diferenciados. O importante é percebermos que esses financiamentos são uma janela de oportunidade preciosa", classifica Picanço.
Marca de família
Empresa e presidente jovens; mas não sem experiência. Aos 35 anos, Deda Studart traz para o concorrido mercado das incorporações imobiliárias sua marca de família: a visão estratégica para perceber ótimos investimentos e trabalhar duro para efetivar resultados. Oficializada há um ano, a Magis Incorporações nasce grande nos projetos e ambições. "Nosso maior desafio foi começar sem errar", diz. Os resultados já contabilizados confirmam que as metas foram atingidas. Nos dois primeiros empreendimentos com o nome da Magis - os edifícios residenciais Fortune Residence Club e José Martins - serão investidos mais de R$ 20 milhões. Os parceiros das duas obras são empresas consolidadas, como a mineira MRV Engenharia e as cearenses Nível Construções e BS Participações. Formado em administração de empresas, Deda começou a trabalhar aos 18 anos, ganhando experiência na Prática Empresarial e Sebrae. Em 1993 foi trabalhar na produtora de defensivos agrícolas Agripec, empresa na época pertencente a seu pai, Beto Studart. Deda explica que o embrião da Magis começou em 2005, com a venda de 49% das ações da Agripec para a australiana Nufarm, uma das maiores fabricantes mundiais de defensivos agrícolas. Capitalizados, Deda e Beto Studart começaram a garimpar novas oportunidades de negócios. "As rápidas vendas dos imóveis em que atuamos como investidores nos deram apetite para atuar ainda mais no setor", conta. Com a venda total da Agripec em 2007 para a Nufarm, Magis Incorporações foi fundada.