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A parceria estratégica... será ?
Ana Cristina Cavalcante
05 Jul 2008 - 13h44min
CENÁRIO
A União Européia quer, efetivamente, a parceria estratégica com o Brasil. Por seu conceito, entende-se como a relação privilegiada que institui, num primeiro momento, e eleva, depois, o patamar do diálogo entre as duas pontas do processo. Mas antes de fechar negócio, há que se aparar algumas arestas. Entre elas, duas muito importantes: o etanol - nosso álcool combustível -; e a duríssima política de imigração européia - cuja diretiva (como se chamam as leis no Parlamento Europeu) foi aprovada no último dia 18 de junho. Segundo a decisão dos deputados europeus (que, diga-se, estiveram divididos entre esquerda e direita, com vitória dos mais conservadores), os imigrantes considerados ilegais podem ficar detidos por um período que vai de seis a 18 meses. "Nós não queremos que a Europa vire uma caixa forte. Queremos uma Europa que respeita tanto os direitos humanos, quanto as nossas regras'' , sintetizou, em rápida entrevista a Coluna, no Parlamento Europa na manhã de quinta-feira, Armando Franca, deputado português, membro do Partido Socialista Europeu. Franca lembra que foi contrário a Diretiva do Retorno, como foi batizada, - diz que detenção de mais de seis meses vira pena. Mas reconhece a necessidade de regulamentação para conter a entrada de "ilegais".
Uma semana em Bruxelas, exatamente no olho do furacão burocrático que caracteriza a União Européia, e suficiente para perceber que algumas questões são, de fato, motivo de grande preocupação para os cidadãos da Zona do Euro. Além da imigração, a energia é tão (ou mais) relevante na avaliação dos europeus. Discute-se em todas as rodas como e determinante para o bem-estar de todos a redução do preço dos combustíveis. Mas, não a qualquer preço. Utilizar etanol e biocombustíveis destrói o meio ambiente e reduz o espaço para o cultivo de alimentos. Ok, tudo tem três lados. A elevação do custo de vida - visível na inflação crescente, nas tarifas de energia mais altas e, numa abordagem mais geral, na redução do poder de compra do euro, internamente - e considerada um resultado direto da crise dos combustíveis.
Também é fácil comprovar "in loco" que as soluções ofertadas por parceiros como o Brasil - dono de álcool de cana-de-açúcar e biocombustíveis suficientes para ajudar a abastecer o mercado do Velho Mundo - não são consideradas como prioritárias. É preciso não devastar a Amazônia; não destruir o Cerrado; não plantar cana no lugar das batatas; não mandar brasileiros 'ilegais' para seus domínios... enfim... são tantas exigências - desproporcionais sob a perspectiva de quem conhece o modus operandi brasileiro de produção de álcool e biocombustível - que da vontade de dizer "então, esta bem. Fiquem com seus problemas e suportem, com garra espanhola, seu aperto monetário".
A América Latina é herdeira das tradições européias - em alguns lugares mais que outros. É óbvio que estamos mais próximos culturalmente da União Européia do que estão os chineses - menina-dos-olhos do resto do mundo. A parceria estratégica com o Brasil parece mais lógica do que com os asiáticos. E não há duvida de que o interesse brasileiro tem reciprocidade na Europa. "O etanol do Brasil e fantástico", afirma, com entusiasmo, o porta-voz da Comissão de Energia, da União Européia, Ferran Tarradelas Espuny. "Há muitas vantagens. Mas é necessário entender que há um objetivo nobre na rejeição do produto, na Europa, que é a proteção da natureza.", disse, sem negar que também existem interesses não tão nobres por trás da questão.
A decantada parceria entre UE e Brasil devera ser fechada. Por que não? Mas não se pode ignorar o oceano inteiro que se interpõe entre essa constatação e a efetivação do processo. Em novembro, na cidade de São Paulo, a Comissão de Energia da União Européia tem encontro marcado com autoridades brasileiras. O tema continuara sendo o etanol. Mais uma oportunidade para os europeus descerem do salto e constatarem que a fome do mundo não e culpa dos nossos biocombustíveis. Afinal, como o próprio Espuny fez questão de, digamos, deixar escapar, "o alimento que sobe mais é o arroz. Mas quanto combustível se tira do arroz? Nada ".
Economia Real
Mercosul para o Nordeste?
A entrada da Venezuela no bloco regional formado entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai - o Mercosul - poderá abrir espaço para a inserção do Nordeste brasileiro. Esta e a opinião do chefe da Unidade Mercosul e Chile, da Comissão Européia, Angel Carro Castrilho. Em almoço com jornalistas brasileiros em Bruxelas, Castrillo, foi enfático ao defender que a União Européia tem, sim, muito interesse em negociar com o bloco sul-americano. "A vinda da Venezuela abre a possibilidade de uma integração maior, incluindo o norte do Brasil", disse, referindo-se as regiões Norte e Nordeste. O "boss" do Mercosul na UE reafirmou que os três pilares das relações comerciais com os europeus são cooperação, comércio e política. Com isso, justificou que a retomada das negociações (paralisadas desde 2004) não deve acontecer no curto prazo. "Há a indefinição das eleições norte-americanas e a própria troca de comando aqui na Comissão Européia', disse. Castrillo também sugeriu que o Brasil, como sócio majoritário, deveria ter uma posição "mais generosa" com os demais parceiros. "Na criação de instituições supranacionais como um tribunal de arbitragem, por exemplo ", arrematou. A primeira vista, parece que Castrillo, embora cuide de Mercosul, não acompanha as questões sul-americanas com afinco. Não lembrou da complacência brasileira com as questões do gás boliviano e do trigo argentino. Mas não surpreende... e o oceano que nos separa.
Na Missão Brasileira
A embaixadora Maria Celina de Azevedo Rodrigues abriu as portas da sua casa tipicamente belga para conversar com jornalistas brasileiros. Durante o encontro, falou sobre temas como a liberação da carne brasileira, autorizada a entrar na Europa na semana passada, e etanol. Direta e com amplo conhecimento de causa, disse: "O objetivo que esta por trás da legislação sobre o etanol e nobre. Mas isso não pode transformar-se em barreira não-tarifária. Isso seria inaceitável". Segundo Maria Celina, uma delegação brasileira chega hoje a Bruxelas para preparar o encontro que o presidente Lula terá com seu colega francês, Nicolas Sarkosy, no dia 22 de dezembro. Sarkosy assumiu no dia 1 de julho a presidência da União Européia, para um mandato de seis meses. A delegação quer garantir que o fim de mandato do francês não seja impedimento para as demandas brasileiras. A despeito das dificuldades que sofre, por um lado, e impõe, por outro, nas palavras da embaixadora, "a Europa e um projeto lindo". Vista pela perspectiva da integração, sem dúvida.
Pensamento Econômico
'O inferno são os outros'.
>> Pensamento que sintetiza a mania dos humanos de transferir suas culpas. Assim como faz a Europa, hoje, em questões como energia e imigração. O autor da frase e o francês Jean Paul Sartre, filosofo, existencialista e genial.
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07/07/2008
01:00
Tenho pouco espaço. Serei direto: Europa não tem muita alternativa... Vai ter de se render ao etanol brasileiro, mais cedo ou mais tarde! Essa "estória" de natureza, batatas, etc., tudo cascata! Comunista Chaves no Mercosul!? Mais problemas, sem dúvida! Se bem que Chavito sofreu duro golpe do inimigo Uribe (Colômbia)... aha aha aha! Chavito ajuda as Farc... e parece estar virando discurso agora! Uau! Tudo encenação! Quem viver, verá!
pcsampaio
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