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Uma reflexão sobre o Velho Continente...

Ana Cristina Cavalcante
28 Jun 2008 - 14h04min

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CENÁRIO

Os ventos da globalização sopram para oferecer outras possibilidades para os exportadores cearenses. Compradores tradicionais podem ter que dividir espaço com mercados estrangeiros que estão descobrindo o Ceará. Como conseqüência natural da aldeia em que se transformou a economia mundial, os blocos regionais ganharam força e construíram verdadeiras pontes de comércio exterior.

Nos novos tempos, os Estados Unidos estão cedendo seu lugar de importador hegemônico (houve épocas em que esse país já levou metade dos produtos made in Ceara)para novos players. Com a desconcentração dos negócios nas terras do Tio Sam, outras saídas aparecem bem diante dos olhos da indústria local. Uma pista? A Europa tem demandas relevantes; nossa planta industrial tem ofertas significativas. Mantido o hemisfério; redirecionado o ponteiro da bússola.... eis que surge a União Européia!

O caminho é tão desafiador quanto árduo! Para negociar com a UE, são necessários o obrigatório alto padrão de qualidade e muita eficiência. Há obstáculos, traduzidos em forma de barreiras à entrada de produtos estrangeiros. Precisa-se de articulação empresarial. Aqui está a grande conquista a ser focada pela indústria do Ceará: expertise! Sendo assim, é só receber os compradores europeus e correr pro abraço.


ECONOMIA REAL

Efeito economês
O bom observador dos mercados já sabe: em economia, psiquê e realidade caminham juntas. Para alguns teóricos, a primeira até determina a segunda. A consultora de empresas e psicodramatista, Cláudia Blaia (foto), concorda que o que acontece nas esferas econômicas afeta mesmo as pessoas. E mais: faz com que elas acomodem suas ações aos fatos. Mas há um diferencial, segundo Blaia. "Vivemos uma época marcada pelo nível de maturidade e conhecimento das pessoas sobre o que ocorre na economia do Brasil e do mundo. Não temos mais empresários alienados e desprovidos de informações capazes de ajudá-los a prevenirem-se de mudanças ocorridas neste campo. E mais, as mudanças não estão tão absurdas que possam vir a comprometer seu negócio", diz. Ou seja, os players do mercado estão mais preparados para a conjuntura. "Eles (os players) se antecipam para evitar surpresas, atropelos", reforça. Trata-se de efeito psicológico: "O empresário está mais apto para enfrentar mudanças que, no século passado, nos pegavam a todos desprevenidos". Era uma ameaça constante, relembra a consultora. "Hoje, há mais controle, inclusive emocional", sentencia.

Investimento estrangeiro e inflação não combinam
A afirmação é categórica: "A queda do investimento estrangeiro no Brasil, mesmo com o investment grade, é sinal de que os investidores estão com receio da crise inflacionária das commodities". A tese é de Luciano De Biasi, sócio-diretor da De Biasi, empresa de consultoria e auditoria com sede em São Paulo. Segundo De Biasi, essa redução (segundo a posição de maio sobre abril) é sinal de que os fundos de investimentos estrangeiros estão segurando suas aplicações no Brasil, por causa da crise lá fora. Para entender: por mais que a elevação do grau de risco do País signifique maior confiança para o investidor internacional, ainda é muito mais arriscado aplicar recursos no Brasil do que em outros países desenvolvidos, mesmo os que estão com baixo crescimento econômico ou ameaça de inflação.

De Biasi explica que o investimento estrangeiro no Brasil caiu porque esses investidores fortaleceram suas posições lá fora. A crise inflacionária mundial das commodities e também a crise hipotecária norte-americana reduziram o impacto positivo da obtenção do investment grade. E trata-se de uma tendência de, pelo menos, médio prazo, já que a pressão inflacionária nos alimentos não vai se resolver em curto prazo", avalia.

Até eles!
Não é exclusividade brasileira. Lá na (por enquanto) maior economia do planeta, a autoridade monetária também tem preocupações com o movimento de mercado. O Federal Reserve (Banco Central norte-americano, conhecido pela sigla FED) - manteve a taxa básica de juros em 2% ao ano, conforme era esperado. De acordo com o professor da Trevisan Escola de Negócios e consultor do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria, Pedro Raffy Vartanian, "o FED sempre considera as perspectivas de crescimento com estabilidade dos preços nas decisões sobre política monetária. Desse modo, como a taxa de juros real (nominal menos a inflação) é praticamente igual a zero, não havia mais espaço para redução dos juros. Em contrapartida, devido ao cenário de semi-estagnação da economia americana, a manutenção dos juros foi importante no sentido de evitar uma recessão." O consultor ainda destaca que "o cenário para elevação na taxa de juros já no segundo semestre de 2008 é cada vez mais provável, o que dependerá do comportamento dos indicadores de produção, consumo e mercado imobiliário americano".


Pensamento Econômico

"Toda sociedade tem a inflação que merece."
Frase do ex-ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, dita em 1980, quando a taxa inflacionária do País era de inacreditáveis 97,90%. Simonsen foi ministro da Fazenda, no governo Geisel, e do Planejamento, no governo Figueiredo.

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03/06/2008
01:05

Olá, Ana! Desde a segunda guerra mundial que o dólar é âncora cambial para o mundo todo - o mundo todo! A Europa, agora, ameaça com o Euro... Mas os gringos-do-norte já têm aportes estratósféricos dos países do Oriente Médio para manterem o dólar "mandando" no mundo...!!! Briga de cachorro grande! Vamos ver! Europa + Ásia são, sim, alternativas aos EUA...

pcsampaio

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