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A dança das moedas na terra de Tim Maia

Ana Cristina Cavalcante
21 Jun 2008 - 14h44min

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CENÁRIO

"Não quero dinheiro
Quero amor sincero
Isto é que eu espero
Grito ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar!"*


Imagine um cenário adornado com pano de fundo estampado de dólares em queda e reais em alta. Essa é a economia nacional, hoje! Marcada por uma inversão (literal!) de valores, capaz de contribuir efetivamente para a estabilidade da nação. Aí está uma boa pista para compreender os holofotes dos noticiários sobre as moedas na última semana - aliás, nos últimos meses. A mecânica da política monetária, no que se relaciona com a sua flutuação, é simples: a valorização do dinheiro, pelo menos onde o câmbio é livre, segue a primeira das leis de mercado: quanto maior a oferta, menor o valor daquilo ofertado. E vice-versa.

Nove entre 10 especialistas explicam a crescente força do real em relação ao dólar como a conjunção de dois fenômenos - um externo; outro doméstico. O primeiro fala da mudança estrutural ocorrida na economia global. Países ricos em commodities, como o Brasil, sempre enfrentaram o desafio do preço de seus produtos. A entrada de China e Índia, no jogo da globalização, mudou essa sina e as cotações subiram a níveis recorde. Resultado: cresceram as exportações verde-amarelas (já que estamos em época de eliminatórias da Copa). O segundo fenômeno revela que o mercado interno ganhou força. Tanta que o consumo doméstico foi elevado à categoria de grande filão do setor industrial brasileiro - trocando de lugar com o antes tão sonhado comércio exterior.

A semana registrou quatro quedas consecutivas da moeda americana. O câmbio bateu na trave da cotação de R$ 1,60 - barreira psicológica estabelecida como piso pelos players do mercado. É fato que a moeda americana influencia a brasileira por uma questão métrica. Sem mistério: apesar do subprime (a crise das hipotecas de risco), os Estados Unidos ainda são a maior potência do planeta e o seu desempenho é referência nos seus quatro cantos. O mesmo acontece com o dólar: é parâmetro de preços no comércio internacional e a poupança cambial de quase todos os países o tem como reserva de valor. Então, caros, até na terra do Tim Maia, onde só se quer amar, é preciso estar atento às ebulições do mercado de câmbio. Para não perder dinheiro e não ficar sem poder comprar chocolate... mas, aí, já é outra música.


* trecho de "Não quero Dinheiro", do Síndico (Tim Maia)


ECONOMIA REAL

Remédio para a inflação é economia aquecida
A inflação brasileira ainda não repercute negativamente sobre as vendas do comércio cearense. Essa é a opinião do presidente da Federação do Comércio do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), Régis Dias (foto). Com a autoridade de quem já comandou os rumos da economia do Estado - na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, do governo Lúcio Alcântara -, garante em rápida entrevista à Coluna que, no curto prazo, o desempenho varejista não corre grandes riscos. A grande questão não é o número de hoje - ainda em um dígito -; mas o tempo. Para Dias, se a escalada de preços continuar ascendente, aí, sim, poderá haver respingos no setor lojista. "A inflação não impacta no curto prazo. Mas nos médio e longo prazos, pode preocupar", reforça. O presidente da Fecomércio também faz um alerta: "Não adianta muito elevar os juros. Nós não temos inflação de demanda; nossa inflação é de custo - os fretes, por exemplo, sobem quando os combustíveis são reajustados e quando nossos caminhões enfrentam estradas ruins", avalia. Mas o antídoto para qualquer sinal de instabilidade, ensina Régis Dias, está na própria economia: "É preciso dinamizar o nosso mercado. Um setor produtivo aquecida, capaz de abastecer as prateleiras, é o melhor remédio para qualquer crise", finaliza.

"Pet evento"
Quem disse que o mercado de animais de estimação não é rentável? É, e muito. Tanto que pela oitava vez é o centro de um evento que movimenta muitos e muitos reais. Trata-se da Feira de Negócios Riovet. Segundo a organizadora, Myriam Vaz Prista, "Todo esse interesse é justificado quando os dados de mercado mostram crescimento de 17% de faturamento na indústria de produtos destinados ao setor pet". O evento acontece, entre os dias 7 e 9 de agosto, no Riocentro e pretende reunir lojistas, tosadores, profissionais de higiene e estética animal, médicos veterinários proprietários de clínicas veterinárias... enfim, pessoas interessadas no mercado pet. Segundo Myriam, o segmento apresenta índices de crescimento constantes nos últimos 10 anos ao ponto de atingir posição de destaque na economia brasileira, pelo volume de negócios movimentado na produção e comercialização de produtos e serviços destinados ao animais de estimação.


PENSAMENTO ECONÔMICO

"O entusiasmo vale mais que o dólar."
Frase estampada em cartão de aniversário enviado à colunista.

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