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A lição do tigre celta
Ana Cristina Cavalcante
14 Jun 2008 - 15h48min
"Sou um vento sobre o mar,
Sou uma onda do oceano,
Sou uma lágrima do sol,
Sou a mais bela das flores,
Sou um monte dos poetas,
Sou a ponta da lança que dá batalha"*
O Brasil vive um momento econômico espetacular. Mérito de movimentos internos - inclua-se, aqui, a eficiente política monetária adotada desde meados dos anos 90 -; e muita sorte. O mundo todo está crescendo e a globalização (acreditem!) é democrática. Distribui tanto os prejuízos, com as crises transnacionais; como os avanços, por meio de investimentos cada vez mais nômades. Mas há um empecilho ao desenvolvimento do País. E, pior, trata-se de impedimento estrutural. A nação brasileira precisa tirar pelo menos um século inteiro - o 20 - de atraso em sua agenda de educação.
Os últimos dias foram marcados por boas notícias sobre a qualidade do ensino nacional. As crianças estão passando por processos de aprendizagem mais eficazes. Ótimo! Uma economia que se pretende grande, não pode prescindir de educação de base. A questão é: ainda há um gargalo no ensino médio, que será sanado, efetivamente, quando essas crianças chegarem às séries mais avançadas.
Alguns países deram saltos que mudaram sua história. Os asiáticos, como Cingapura, Taiwan e o próprio Japão - de massacrado na guerra à grande potência econômica na década de 1980. Na virada para o século 21, o exemplo marcante é o da Irlanda. Ressurgido das cinzas, após uma longa história de pobreza, desemprego e fortíssima emigração (especialmente para a Inglaterra e os Estados Unidos), o país atingiu status de economia forte.
Em comum entre as nações que deram certo, a educação como prioridade zero. A Irlanda pode ter superado (segundo alguns cálculos) o PIB de sua vizinha poderosa, a Inglaterra. Atingiu o grau de Wellfare State (Estado de Bem-Estar Social) pela paradoxal via da liberalização. Trocou a agricultura pela tecnologia. Resultado: é, hoje, um dos maiores centros mundiais de software. Foi a educação que transformou a Irlanda no tigre celta. Tomara que o Brasil também tenha acordado definitivamente para a necessidade de educar. Só assim, nós também seremos os tigres da América Latina. Só é preciso ir rápido... senão o Chile chega primeiro.
* Trecho do poema irlandês de Amhairghen
Pensamento Econômico
"A educação é uma coisa admirável, mas é bom recordar que nada do que vale a pena saber pode ser ensinado."
>> Este é Oscar Wilde, irlandês e deliciosamente contestador, aplicando sua veia crítica ao conceito convencional de educação.
Economia real
Tempo bom, sujeito a nuvens no final...
O clima econômico do Brasil pode ser definido como bom. Melhor que as médias mundial, da América Latina e do grupo Bric (na ordem das letrinhas: Brasil, Rússia, China e Índia), o País tem, hoje, o terceiro melhor índice da América Latina, atrás de Uruguai e Peru. A conclusão é do Institute of Economic Research, da Universidade de Monique, na Alemanha, autor da pesquisa Índice de Clima Econômico (ICE) que, no Brasil, contou com a parceria da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os bons resultados por aqui podem ser atribuídos a uma combinação de fatores, entre os quais estão a forte atividade econômica, além da descoberta de petróleo; classificação do País como grau de investimento; e a posição credora em relação à dívida externa líquida - que desconta as reservas internacionais. É verdade. Estamos indo bem. Só precisamos assegurar que o crescimento de hoje seja o bem-estar social de sempre. Afinal ninguém quer sol de segunda a sexta, e aquela chuvinha chata no final de semana.
A experiência mexicana e o bairro novo
Bons exemplos existem para serem seguidos. Um deles é case mundial: o crédito imobiliário do México. O país, que chegou a apresentar déficit habitacional de mais de 6 milhões de unidades, sanou seu gargalo com a receita do empréstimo fácil. Hoje, a modalidade representa algo em torno de 12% do PIB do país e há incorporadoras vendendo 50 mil unidades por ano. A estimativa para o fechamento de 2008 é a comercialização de 1 milhão de imóveis.
No Brasil, o crédito habitacional representa só 2% do PIB, mas os sinais de crescimento do mercado incentivaram grandes empresas, como Odebrecht e Gafisa, a estudarem o modelo mexicano para adaptá-lo ao cenário econômico brasileiro. Os empresários Daniel Ruman e Marcelo Moacyr (foto), diretores da empresa que surgiu da joint venture entre as duas grandes construtoras, contam que vão construir, em Messejana, o Bairro Novo Fortaleza. Serão cerca de 5 mil unidades, entre apartamentos de 2 quartos e casas de 2 e 3 quartos. O empreendimento é focado no grande filão do momento: as classes mais populares com renda familiar de 3 a 10 salários mínimos. O bairro contará com comércio e serviços locais, aparelhos comunitários, segurança e itens de infra-estrutura como transporte, iluminação, rede de água e esgoto, coleta de lixo e ruas asfaltadas. Ao todo, estão planejados 12 condomínios.
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