Bolsa S/A
BOLSA S/A
O santo cético e a refinaria
Ana Cristina Cavalcante
07 Jun 2008 - 14h19min
Reza (literalmente!) a tradição católica que a fé antagoniza com o ceticismo. Em outras palavras, para quem crê, não existe o benefício da dúvida. Há, sim, uma certeza muitas vezes cega. É natural. Mesmo assim, uma figura ficou célebre no ambiente cristão exatamente por duvidar: São Tomé. O que diria, então, o santo cético sobre a confirmação da Petrobras de uma refinaria no Ceará? Talvez um "Quero ver para crer".
Na avaliação de Tomé poderia pesar, como agravante, o fato de os parlamentares cearenses ouvirem apenas uma ratificação sem mais detalhes daquilo que o Ministro das Relações Institucionais do Governo Lula, José Múcio Monteiro, já antecipara aqui no O POVO: o Ceará, finalmente, terá a sua planta de refino de petróleo. Também seria importante, na santa análise, a informação de que não será nenhuma unidade premium, como se anunciou - vem para o Pecém uma base de beneficiamento de petróleo 50% menor que a maranhense. Mas, vá lá, já é alguma coisa.
A bandeira da refinaria, como redentora da economia cearense, tem pelo menos 50 anos. Passou por Virgílio Távora. Ganhou força no ciclo "das mudanças". Nos capítulos mais recentes desta batalha, assistimos às conquistas de Pernambuco e Maranhão. No último round, um anúncio do poderoso José Sérgio Gabrielli, presidente da estatal! Enviado, é bom que se diga, por seu imediato a deputados cearenses - que não conseguiram, sequer, chegar à ante-sala de Gabrielli.
Este é um dos projetos estruturantes decisivos para o crescimento industrial do Ceará. Embora não seja caminho único, claro, sua implantação é fundamental para elevar o nível de desenvolvimento socioeconômico local. E todos queremos avançar como economia pujante e capaz de distribuir renda. Nessa perspectiva, a refinaria é bem-vinda. Mas meio século e inúmeras idas-e-vindas depois, convenhamos, até os mais crédulos irão concordar com os discípulos de Tomé: a refinaria do Ceará? Só vendo para crer.
Economia Real
Três lados (ou mais)
A cena econômica é mesmo o ambiente das múltiplas visões do mesmo objeto. Senão vejamos. A questão dos juros suscita sempre, pelo menos, duas versões: uma delas é a de que juros altos emperram a economia por retrancarem o consumo; a outra, propõe o controle da inflação e representa aperto monetário - ou seja, crédito mais caro e menos acessível. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), João Claudio Robusti, fez uma comparação original ao criticar o fato de o Governo recorrer aos juros como arma contra a inflação - em vez de cortar despesas e investir mais, estimulando a produção. Ele disse: "Na Amazônia, quando se ameaça apreender bois em terras desmatadas ilegalmente, tenta-se arrefecer as expectativas futuras de que a derrubada da floresta continuará impune. Com a alta dos juros é semelhante: espera-se estimular a poupança, refrear o consumo, esfriar a demanda e desacelerar a inflação. Entretanto, se medidas destinadas a incentivar a produção e baratear a oferta de bens e serviços não forem seriamente adotadas e obsessivamente perseguidas, a demanda voltará a aquecer, exigindo novos aumentos de juros e sufocando a atividade produtiva". Já o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, é mais conservador na sua análise: "É preciso manter a inflação sob controle. Às vezes, tem que sacrificar no curto prazo para garantir o longo prazo. A confiança no longo prazo se garante com a realização dos investimentos. Eu vejo estas coisas muito integradas. É importante ter um banco central com credibilidade capaz de sustentar e cimentar a confiança do empresário para que não se interrompa o ciclo de investimento que está em curso", disse o presidente do BNDES.
Financial premia Banco Real
O Banco Real foi premiado por sua política de sustentabilidade por Financial Times, um dos mais importantes veículos de jornalismo econômico do mundo, e International Finance Corporation (IFC, braço financeiro do banco mundial). O Financial Times Sustainable Banking Awards foi entregue no último dia 3 de maio, em Londres. A instituição brasileira foi agraciada com os títulos de "Banco Sustentável do Ano" - considerado o grand prix da premiação - e "Bancos Sustentável do Ano em Mercado Emergentes". "Entendemos que é necessário buscar formas de conscientização sobre a sustentabilidade que mobilizem os diversos segmentos da sociedade, e é essa prática que tem norteado a construção da identidade do Banco. Estamos investindo cada vez mais na transparência e na interdependência", diz Fernando Byington Egydio Martins (foto), diretor-executivo de Estratégia da Marca e Comunicação Corporativa do Real. Em tempo: o relatório de sustentabilidade do banco também conquistou, em maio, a segunda colocação no ranking da Global Report Initivative (GRI) na categoria "Melhor Relatório - Todos os Grupos de Stakeholders".
Pensamento Econômico
"A Economia não está separada do mundo. Um grande economista liberal, Friederich Von Hayeck, disse que um economista que é somente economista é um animal pernicioso."
Pensamento de Edgar Morin, pensador francês dono do conceito de que a complexidade não é a chave do mundo, mas o desafio a enfrentar.
* Frase atribuída a São Tomé como resposta à notícia de que Jesus havia aparecido aos apóstolos.
Dê sua nota clicando nas estrelas
Comentar esta notícia
Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.
01/06/2008
02:03
Esse assunto de refinaria no Ceará já estáficando chato. Será que os jormais locais não têm outras novidades? A refinaria de Pernambuco já está em construção, a refinaria do Maranhão já foi anunciada pelo ministro maranhense de Minas e Energia, a refinaria do Rio Grande do Norte com menor capacidade já foi anunciada. E ainda acham que o Ceará vai ter refinaria? Por favor, me poupem... Refinaria e siderúrgica no Ceará: sonhos de uma noite de verão...
riclima
01/06/2008
01:04
Antonio Dias, que me antecede nos comentários merece ser bem lido. Tem total razão! Na terra brasilis, a empresa "quebra", mas o empresário sai riquinho da silva! O que fazer!? Continuar pagando 40% do PIB,de impostos!? Mas o povo nada sabe, quase nada vê. A imprensinha tem culpa no cartório. Pouco esclarece! 2010 vem aí: as promessas idem! Pobre Brasil!
pcsampaio
01/06/2008
01:03
Banana, bolo, siderúrgica, refinaria e mercado negro de incentivos fiscais Jan/07 Cid Gomes . "A incorporação da Troller pela Ford permite a manutenção da marca cearense que obteve sucesso no País e que passava por dificuldades, propiciando o crescimento das nossas exportações" Já para o Estado do Ceará a compra da Troller pela Ford é tão ou mais importante que o polo siderúrgico....Um grande salto. Zé Dirceu (mensaleiro) O presidente da Ford na América do Sul, Dominic DiMarco, diz que soube da mudança na legislação brasileira que regulamenta a cessão de benefícios fiscais na aquisição de empresas, mas garante que "não foi a Ford que pediu" . "A Troller fabrica veículos e a Ford também?. Governado Cid Gomes em Jogo Politico (imperdível) ?O advento da nova siderúrgica viabilizará inclusive , quem sabe, a implantação de uma indústria automobilística....?(grifo,) Pres. da Ford, Sr DiMarco"Não foi a Ford que pediu a Troller fabrica veículos e a Ford também?. ) sei de uma negociação envolvendo uma medida provisória para viabilizar o negócio?...?O Presidente Lula e o Ministro da Fazenda envolveram-se pessoalmente?...? E como tudo se passa no Brasil, onde pagamos impostos exobirtantes da ordem de 40% do PIB, resulta nesta sequencia um empresário quebrado passa a ser multimilionário e uma multinacional adquire a condição de ISENTA. Deixa de recolher cerca de $ 1 bilhão/ano. Inclusive I. Renda
dias.antonio@live.com
Mais Notícias
Conteúdo das Últimas Notícias
Conteúdo das Mais Lidas
Conteúdo das Mais Comentadas
Indique esta notícia









