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Em busca da "Pasárgada"

Ana Cristina Cavalcante
31 Mai 2008 - 16h22min

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Cenário


"Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei ...
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização

(...)"*

O Brasil é um bom lugar para o desenvolvimento. É múltiplo, sob a perspectiva econômica, tem moeda estável... é dotado de energia. Vantagens competitivas que credenciam o País a estar exatamente onde está, hoje: no bloco das economias intermediárias com grande (grande mesmo!) potencial de expansão. Ao lado de pares como Índia, Rússia - companheiros de Bric (time de emergentes que ainda conta com a China)-, Líbano, Turquia e Vietnã, compõe o chamado Segundo Mundo. O conceito é do economista indiano, Parag Khanna. Além do seu second world, também ousou avisar ao planeta que os Estados Unidos deixarão de reinar sozinhos e terão que dividir a hegemonia da Terra com outros dois impérios: China e União Européia.

A proposta de Khanna é interessante: "O surgimento de outras superpotências não implica, necessariamente, no declínio do império americano". É o resultado de um dos processos mais importantes do capitalismo desde Adam Smith**. Segundo o pesquisador (do American Strategy Program, da New American Foundation), a perda de espaço é conseqüência direta da globalização - iniciada entre as décadas de 1970 e 1980, mas com grande impulso a partir dos anos 90, após o fim da guerra fria e dissolução da União Soviética. Assim, os americanos terão que aprender a dividir o pódio e admitir uma nova conjuntura econômica mundial, na qual prevalecerão outros modos de ver o mundo. Entenda-se, além do american dream, os european e chinese dreams.

E o brazilian dream? Haverá lugar para ele na conjugação de forças traçada, atualmente? Para Khanna, há sim! Mas só no longo prazo. O Brasil é um país muito interessante, avalia. Não resume-se a agricultura ou indústria madeireira. Tem diversidade econômica, tem petróleo, gás, siderurgia e indústria aeronáutica. Dispõe, ainda, mão-de-obra abundante - e barata. Só não tem influência suficiente sobre outras regiões. Ainda não! Para sonhar em ser a próxima superpotência, o Brasil ainda precisa caminhar milhas e milhas. Não há dúvida, porém, de que o momento brasileiro é sui generes: podemos nos tornar a terceira maior nação produtora de petróleo, mas o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ainda perde para o nosso vizinho, o Chile. É outro efeito da globalização: a assimetria, que dá feições desiguais a iguais... afinal, ainda não somos a terra onde todos são amigos do rei.

* "Quando eu tinha os meus 15 anos e traduzia na classe de grego a Ciropedia, fiquei encantado com esse nome de uma cidadezinha fundada por Ciro, o Antigo, nas montanhas do sul da Pérsia, para lá passar os verões. A minha imaginação de adolescente começou a trabalhar, eu vi Pasárgada e vivi durante alguns anos em Pasárgada."

Descrição do poeta Manuel Bandeira sobre a cidade que lhe inspirou o poema "Vou-me embora pra Pasárgada"

Adam Smith - economista e filósofo escocês, considerado o pai da economia moderna e o mais importante teórico do liberalismo econômico. Autor do conceito conhecido como mão invisível, que prega a auto-regulação do mercado


Economia Real

Antes da tríplice coroa
E a segunda, das três agências de classificação de risco mais importantes do mundo, deu o grau de investimento ao Brasil. Depois de Standard & Poors e Fitch, agora só falta a Moody's.

Enquanto a tríplice coroa não vem, é bom considerar que as expectativas de valorização do Real aumentam. É o que postula o consultor do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria e professor da Trevisan Escola de Negócios, Pedro Vartanian. "A taxa de câmbio inferior a R$ 1,60 por cada dólar é um patamar provável na medida em que o Copom poderá elevar a Selic na próxima reunião, quase que simultaneamente com a conquista do grau de investimento". Ainda de acordo com Vartanian, o aumento de produtos importados na cesta dos consumidores vem-se ampliando. "O Real valorizado tem efeito positivo por aumentar o poder de compra dos trabalhadores, mas pode ser prejudicial devido ao fechamento de empresas que não conseguem competir com produtos importados", finaliza, por e-mail à Coluna.

À CHINESA
Não basta ter preços competitivos e oferecer um bom produto. Na hora de negociar com o mercado externo, os aspectos comportamentais refletem no sucesso das negociações. É que ensina Isabella Braga (foto), especialista em etiqueta em Comércio Exterior, do Centro Internacional de Negócios (CIN). Para Isabella, é fundamental conhecer a cultura e os costumes de outros países para transitar no mundo dos negócios, sem medo de cometer gafes que possam prejudicar o sucesso do que poderia ser uma parceria promissora. "Na China, por exemplo, existem valores sólidos ligados à honestidade e à integridade que precisam ser observados. Eles também têm outro ritmo para estreitar relacionamentos. É preciso entender que, se ele não sorrir no primeiro contato, não é por antipatia; mas por respeito. Uma gafe é entregar ou receber um cartão de visita só com uma mão: na cultura chinesa, é preciso usar as duas mãos em sinal de respeito", exemplifica. Para a especialista, entender esses aspectos comportamentais coloca o profissional em outro patamar, durante rodadas de negócios e missões empresariais.


Pensamento Econômico

"A Matemática venceu a guerra!"
Primeira frase do filme Uma Mente Brilhante, de Ron Howard. Protagonizado por Russell Crowe, conta a história do matemático John Nash, prêmio Nobel de Economia em 1994. A frase refere-se à quebra de códigos secretos na Segunda Guerra Mundial, por meio da Teoria dos Jogos

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05/06/2008
01:05

Deus do céu!, fala-se demais da China e, em alguns casos, um monte de bobagens... como essa do cartão de visita ser entregue com as duas mãos!Já estive na China e no Japão (duas vezes). O negócio é simples: prêço, prêço, prêço. Teve prêço, tem negócio! Simples assim! O resto é "folklore"! www.benedictus.com.br (vejam lá fotos, se quiserem).

pcsampaio

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