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Sobre o estigma do 5, o calanguinho e a miopia

Ana Cristina Cavalcante
24 Mai 2008 - 15h50min

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A inflação brasileira deve superar os 5%, até o final deste ano! O prognóstico do mercado ecoou como uma profecia durante a semana. O tom sinistro tem uma explicação: é a cultura inflacionária, que traz de volta a memória de tempos difíceis, nos quais os preços disparavam como mísseis da noite para o dia. Literalmente! Naquela época, o brasileiro amargava variações de 50% ao mês. No auge da crise nacional, chegamos a 5.000% num único ano. Eis o estigma da hiperinflação e seus números 5... que vêm dos anos 80 para nos atormentar. Será que, se não tivéssemos passado por tantos anos de instabilidade econômica, poderíamos todos enxergar na inflação de um dígito apenas o reflexo de uma economia que se move?

Este receio da população é um dos fatores que contribuem para que os índices mantenham-se em alta. Keynes* explica: economia se dá na expectativa. E o que vivemos hoje exemplifica a afirmação. O dragão inflacionário que alguns enxergam nesses anos 2000 não passa de um calanguinho, pouco habilitado para interromper o processo de desenvolvimento - que, diga-se, sequer começou. O Brasil passa, sim, por um momento de retomada, puxado pelo consumo e pelo atendimento de um déficit abissal verificado nas camadas da população, que só agora estão indo às compras. Mas o desenvolvimento está por vir. E virá, sim, quando alguns gargalos estruturais do País forem sanados.

A preocupação exagerada com a inflação acaba impedindo que se veja com clareza o que realmente precisa ser percebido: o fabuloso gasto público (tradição brasileira mantida com afinco neste Governo Lula), o altíssimo custo da produção, a pesada carga tributária, a legislação trabalhista inflexível (pretexto para uma expansão tímida dos postos de trabalho) e o grande desfalque de infra-estrutura do Brasil. Enquanto nenhum desses problemas é resolvido, a autoridade monetária (leia-se Banco Central, por meio do Copom) segue prescrevendo o seu simplório remedinho para febre: a alta dos juros.

É uma miopia. Como também o é atribuir ao consumo a culpa pela possível volta do monstro indestrutível da inflação. Aliás, consumo nunca foi - nem nos tempos da hiperinflação - argumento para justificar, sozinho, a instabilidade da moeda brasileira. Alta de preços é resultado direto de uma conta simples: escassez de produção = oferta pequena = produtos mais caros. Sendo assim, a vacina para a doença nacional é o investimento, que só acontecerá quando o País oferecer condições para tal. Em palavras mais diretas, quando o Governo parar com a única farra que o País vive hoje - a dos gastos público - e criar, de fato, o cenário do crescimento.


John Maynard Keynes, um dos mais importantes pensadores econômicos do início do século XX e um dos teóricos prediletos da colunista, como já devem ter notado.


Economia Real

Caravana do Palocci em Fortaleza

O ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci(foto), estará em Fortaleza, com a sua caravana. É a Conferência Nacional sobre Reforma Tributária, que acontece dia 30 deste mês, às 9 horas da manhã, no Marina Park Hotel. Palocci é o presidente da Comissão Especial que está estudando a fórmula mais próxima do ideal para a nova estrutura tributária e fiscal do País. Tarefa árdua, já que os interesses muitas vezes são conflitantes. Mas num ponto todos concordam: a reforma tributária é necessária. O deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores, José Pimentel, é o responsável pela inclusão da Capital na rota da caravana de Palocci. Segundo o parlamentar cearense, o objetivo da conferência é discutir a reforma com o setor produtivo, gestores governamentais, órgãos públicos federais, parlamentares, universidades, estudantes e líderes de classe patronal e dos trabalhadores. "Nós queremos ouvir a sociedade, suas preocupações e propostas para que possamos aprovar a melhor reforma tributária possível para o País", explica Pimentel, que integra a Comissão e coordena os debates sobre o tema na base aliada do Governo Lula.

A favorita
Não é nenhuma novela das nove, mas vale o título de favorita. A Oi foi a escolhida por quase metade dos novos clientes em telefonia móvel em sua área de atuação. A explicação da operadora está na estratégia de desbloqueio de aparelhos - adotada desde maio de 2007. As ofertas agressivas, também contribuíram. Com a política de mercado feroz, a empresa foi responsável por 48,5% do crescimento na região, segundo dados da Anatel, e ainda teve expansão em sua base de clientes superior à média do mercado no primeiro trimestre de 2008. Em números: enquanto a Oi cresceu 8,4%, o mercado nacional cresceu 4%. Não bastasse, foi a única entre as quatro maiores operadoras de telefonia móvel a registrar, neste primeiro trimestre, aumento significativo em sua participação de mercado tanto no Brasil como na região em que atua - onde detém 27,9% de market share. "Nossa expectativa é continuar superando metas como já estamos fazendo, mostrando para o cliente que ele pode comprar a melhor oferta de aparelho que ele achar no mercado e, depois, desbloquear seu aparelho e colocar um chip Oi. Tipicamente, nas grandes datas de varejo como Dia das Mães, Natal, Dia dos Pais, além do grande volume de vendas que normalmente temos até data, vendemos um volume alto de chips nos dias que se seguem. Pois, o cliente já gastou os créditos do aparelho que comprou da concorrência e, aí, parte para a escolha da operadora que mais gosta colocando um chip Oi", diz à Coluna, Flávia Bittencourt, diretora de Marketing da operadora.

Pensamento econômico
"Não ignorem esta possibilidade. A dívida nacional pode nos puxar para baixo como um polvo gigante. (...) Ao mesmo tempo, há uma crosta de ricos que vivem acima da podridão. Isto não é incrível?"

Fragmento da visão crua sobre economia do quase beatnik, o poeta e ensaísta norte-americano Charles Bukowski.

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02/05/2008
01:05

O aumento dos dígitos inflacionários não aparecem já com mais de 1 (um) dígito antes da vírgula (5,0)% não, eles vão aumentando lentamente. Portanto teremos que vigilantes. O real entrou em vigor no dia 01/07/1994 e de lá para cá já iremos acumular uma inflação de 5% este ano. Se o governo continuar aquecendo o mercado de empréstimo ao consumidor, principalmente em consignação - com juros baixos, isso vai concorrer para o aumento da inflação.

francisco.edilton

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