Bolsa S/A
BOLSA S/A
A gasolina do país do futuro
Ana Cristina Cavalcante
10 Mai 2008 - 16h57min
Cenário
O que é mais importante para sua vida: o movimento ascendente das bolsas, com a valorização das ações de empresas brasileiras, ou o preço da gasolina? Antes da resposta, vale uma reflexão sobre a feição da economia nacional. Somos uma nação que esperou tanto, em décadas perdidas enquanto estabilizava seu mercado interno, que perdeu o título de "país do futuro" para pares como China, Índia, Chile e Irlanda - já exemplos de crescimento, agora, no presente. É certo que vivemos momentos de certo triunfo, com conquistas do porte do grau de investimento, dívida externa zerada e liderança na América Latina e entre os Brics (grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China). O fato é que esses avanços não são diretamente determinantes de mudanças concretas no cotidiano do brasileiro.
Sem desprezar a imagem do Brasil no mundo, o que importa mesmo é o movimento da engrenagem aqui dentro, traduzido em emprego, acesso ao consumo, estabilidade de preços e salários com poder de compra. Em outras palavras, desenvolvimento econômico com qualidade de vida. O brasileiro quer mesmo é ir ao supermercado, encher o carrinho e levar as suas compras para casa própria, no carro do ano. É simples! Muito mais que entender como funciona o mecanismo que faz o dinheiro estrangeiro das bolsas, nem sempre chegar ao setor produtivo.
O diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia (EUA), o brasilianista Thomas Trebat, parece concordar com a tese do desenvolvimento ao alertar que o Brasil está em plena virada de um ciclo econômico, reflexo da globalização. Ou seja, desaceleração mundial, menor demanda por exportações brasileiras, queda nos preços de commodities e valorização do real. Isso, "fatalmente", pressionará a economia nacional.
Mais importante do que o grau de investimento, avalia Trebat, são reformas econômicas profundas (leiam-se tributária, administrativa, trabalhista e previdenciária). "Se observamos o que foi feito nesse sentido no País, foi quase nada", declarou. O especialista em Brasil também listou como principais motivos de preocupação o peso dos impostos, poupança abaixo da média de outros países também credenciados com o grau de investimento e a dívida pública. "O que o Brasil investe é pouco para crescer muito no longo prazo", avaliou. Diante do contexto, é certo afirmar que ainda há muita lenha para queimar (literalmente!), antes de considerarmos que todos os nossos problemas acabaram. E a propósito disso, agora pode responder à pergunta.
Economia Real
Educar é preciso
O cidadão comum passou os últimos dias sendo bombardeado por informações sobre o mercado financeiro. Isso ocorreu em boa parte devido à certificação de grau de investimento obtida pelo Brasil. Mas, para as pessoas entenderem o que isso pode representar em suas vidas, é necessário compreender o processo econômico. Em momentos como esse, fica clara a importância da educação financeira e da cultura do investimento. "Houve aumento significativo do número de investidores, no País. Saltamos de 80 mil, em 2002, para 400 mil, este ano. Mas é preciso que o mercado entenda a necessidade de ser ter corretoras locais e mais agentes. Em estados como o Ceará, onde o crescimento do número de aplicadores é enorme, existem poucos agentes (de corretoras)", informa Raimundo Magliano Neto (foto), presidente do maior evento do setor, no País, a Expo Money. Esta semana, Fortaleza é uma das sedes da feira cuja proposta é, justamente, educar para o mercado financeiro. O evento acontece nos dias 13 e 14, no Villa Galé. A entrada é franca.
Falando nisso...
Orlando Zainaghi, superintendente da Santander Corretora, reforçou à Coluna que o número de investidores em ações está crescendo fora do eixo São Paulo-Rio de Janeiro - em especial, no Ceará. O banco no qual atua, o espanhol Santander, está alinhado a esse movimento, buscando parceiros por aqui. Da palavra à ação, a corretora está contratando corretoras regionais em Fortaleza, registradas na Comissão de Valores Mobiliários - CVM. Segundo Zainaghi, a proposta é atender mais de perto atuais e futuros clientes cearenses. A única exigência é a qualificação: os escritórios devem ter profissionais experientes e com bom conhecimento sobre o mercado financeiro, já que atuarão como agentes autônomos do Banco na região. "Nosso objetivo é contratar escritórios, com muita experiência no mercado financeiro, para atender as pessoas que planejam investir ações com o Santander. Ofereceremos todo o apoio do back office da Santander, para que os corretores regionais possam repassar aos investidores informações de qualidade", diz o superintendente da Santander Corretora.
De geração em geração
A empresa familiar é um traço muito forte do Ceará. O mercado imobiliário é uma prova dessa vocação econômica local. Para manter o script, a imobiliária A Predial fez a sua sucessão como manda a tradição: o pai, João Holanda Gondim, passou o comando da empresa para seu filho, João Carlos (foto). Com graduação em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Ceará (UFC), MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e MBA em Marketing nos Estados Unidos, pela University of Tennessee, o hoje diretor comercial da A Predial até segue os passos do antecessor, mas inova ao optar por uma gestão participativa para expandir os negócios da imobiliária. "Estamos apostando bastante no mercado de compra e venda que vive atualmente um verdadeiro 'boom' no Ceará, por conta das facilidades de financiamento", disse. Com essa estratégia, a expectativa para a próxima alta estação, incluindo o mercado de locação, é a expansão de até 20% nos negócios da empresa. Só lembrando: a empresa está completando 35 anos de fundação com parcerias no mercado imobiliário europeu e uma carteira de imóveis de mais de 1 mil unidades, só em Fortaleza.
Pensamento Econômico
"Somos um povo que deve as calças e as cuecas desde que o samba é samba."
Conclusão do cantor Leo Jaime, sobre a cultura financeira do brasileiro. A frase foi dita em 1999. Qualquer semelhança...
O que é mais importante para sua vida: o movimento ascendente das bolsas, com a valorização das ações de empresas brasileiras, ou o preço da gasolina? Antes da resposta, vale uma reflexão sobre a feição da economia nacional. Somos uma nação que esperou tanto, em décadas perdidas enquanto estabilizava seu mercado interno, que perdeu o título de "país do futuro" para pares como China, Índia, Chile e Irlanda - já exemplos de crescimento, agora, no presente. É certo que vivemos momentos de certo triunfo, com conquistas do porte do grau de investimento, dívida externa zerada e liderança na América Latina e entre os Brics (grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China). O fato é que esses avanços não são diretamente determinantes de mudanças concretas no cotidiano do brasileiro.
Sem desprezar a imagem do Brasil no mundo, o que importa mesmo é o movimento da engrenagem aqui dentro, traduzido em emprego, acesso ao consumo, estabilidade de preços e salários com poder de compra. Em outras palavras, desenvolvimento econômico com qualidade de vida. O brasileiro quer mesmo é ir ao supermercado, encher o carrinho e levar as suas compras para casa própria, no carro do ano. É simples! Muito mais que entender como funciona o mecanismo que faz o dinheiro estrangeiro das bolsas, nem sempre chegar ao setor produtivo.
O diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia (EUA), o brasilianista Thomas Trebat, parece concordar com a tese do desenvolvimento ao alertar que o Brasil está em plena virada de um ciclo econômico, reflexo da globalização. Ou seja, desaceleração mundial, menor demanda por exportações brasileiras, queda nos preços de commodities e valorização do real. Isso, "fatalmente", pressionará a economia nacional.
Mais importante do que o grau de investimento, avalia Trebat, são reformas econômicas profundas (leiam-se tributária, administrativa, trabalhista e previdenciária). "Se observamos o que foi feito nesse sentido no País, foi quase nada", declarou. O especialista em Brasil também listou como principais motivos de preocupação o peso dos impostos, poupança abaixo da média de outros países também credenciados com o grau de investimento e a dívida pública. "O que o Brasil investe é pouco para crescer muito no longo prazo", avaliou. Diante do contexto, é certo afirmar que ainda há muita lenha para queimar (literalmente!), antes de considerarmos que todos os nossos problemas acabaram. E a propósito disso, agora pode responder à pergunta.
Economia Real
Educar é preciso
O cidadão comum passou os últimos dias sendo bombardeado por informações sobre o mercado financeiro. Isso ocorreu em boa parte devido à certificação de grau de investimento obtida pelo Brasil. Mas, para as pessoas entenderem o que isso pode representar em suas vidas, é necessário compreender o processo econômico. Em momentos como esse, fica clara a importância da educação financeira e da cultura do investimento. "Houve aumento significativo do número de investidores, no País. Saltamos de 80 mil, em 2002, para 400 mil, este ano. Mas é preciso que o mercado entenda a necessidade de ser ter corretoras locais e mais agentes. Em estados como o Ceará, onde o crescimento do número de aplicadores é enorme, existem poucos agentes (de corretoras)", informa Raimundo Magliano Neto (foto), presidente do maior evento do setor, no País, a Expo Money. Esta semana, Fortaleza é uma das sedes da feira cuja proposta é, justamente, educar para o mercado financeiro. O evento acontece nos dias 13 e 14, no Villa Galé. A entrada é franca.
Falando nisso...
Orlando Zainaghi, superintendente da Santander Corretora, reforçou à Coluna que o número de investidores em ações está crescendo fora do eixo São Paulo-Rio de Janeiro - em especial, no Ceará. O banco no qual atua, o espanhol Santander, está alinhado a esse movimento, buscando parceiros por aqui. Da palavra à ação, a corretora está contratando corretoras regionais em Fortaleza, registradas na Comissão de Valores Mobiliários - CVM. Segundo Zainaghi, a proposta é atender mais de perto atuais e futuros clientes cearenses. A única exigência é a qualificação: os escritórios devem ter profissionais experientes e com bom conhecimento sobre o mercado financeiro, já que atuarão como agentes autônomos do Banco na região. "Nosso objetivo é contratar escritórios, com muita experiência no mercado financeiro, para atender as pessoas que planejam investir ações com o Santander. Ofereceremos todo o apoio do back office da Santander, para que os corretores regionais possam repassar aos investidores informações de qualidade", diz o superintendente da Santander Corretora.
De geração em geração
A empresa familiar é um traço muito forte do Ceará. O mercado imobiliário é uma prova dessa vocação econômica local. Para manter o script, a imobiliária A Predial fez a sua sucessão como manda a tradição: o pai, João Holanda Gondim, passou o comando da empresa para seu filho, João Carlos (foto). Com graduação em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Ceará (UFC), MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e MBA em Marketing nos Estados Unidos, pela University of Tennessee, o hoje diretor comercial da A Predial até segue os passos do antecessor, mas inova ao optar por uma gestão participativa para expandir os negócios da imobiliária. "Estamos apostando bastante no mercado de compra e venda que vive atualmente um verdadeiro 'boom' no Ceará, por conta das facilidades de financiamento", disse. Com essa estratégia, a expectativa para a próxima alta estação, incluindo o mercado de locação, é a expansão de até 20% nos negócios da empresa. Só lembrando: a empresa está completando 35 anos de fundação com parcerias no mercado imobiliário europeu e uma carteira de imóveis de mais de 1 mil unidades, só em Fortaleza.
Pensamento Econômico
"Somos um povo que deve as calças e as cuecas desde que o samba é samba."
Conclusão do cantor Leo Jaime, sobre a cultura financeira do brasileiro. A frase foi dita em 1999. Qualquer semelhança...
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