Ir para a página sobre a Publicidade
Capa O POVO

O POVO Digital

Leia aqui

O POVO Online

RSS - Noticias em Tempo Real

Saiba mais »

Bolsa S/A

BOLSA S/A

O torcicolo do presidente

Ana Cristina Cavalcante
19 Abr 2008 - 15h29min

A+ A- Mudar tamanho

A equipe econômica do Governo Lula está dividida. Isso não é nenhuma novidade para o bom observador do cenário nacional. As duas maiores autoridades da economia brasileira - Guido Mantega e Henrique Meirelles - estão de lados opostos desde sempre, alternando batalhas vencidas ao longo dos últimos dois mandatos presidenciais. Mas o que poucos conseguem saber ao certo, porém, é de que lado está o presidente da República. Nos últimos 10 dias, Lula tornou públicas pelo menos duas posições - antagônicas. Na primeira, disse não fazer diferença se os juros subissem 0,25 ou meio ponto percentual. Declaração que alguns interpretaram como uma "autorização" de Lula para o Copom elevar a taxa. Na segunda, culpou a alta (maior do que a esperada pelo mercado)por um torcicolo que o incomodou quinta-feira passada. "Não sei se o torcicolo é por causa do juro ou se é porque o Goiás massacrou o Corinthians", disse sem jamais perder a piada.

A verdade é que o duelo entre desenvolvimentistas e monetaristas ainda está longe de ter um vencedor, neste Governo. De um lado, Mantega quer investimentos para a economia avançar - leia-se desenvolvimento; do outro, Henrique Meirelles, freia o consumo para a inflação não sair de controle - ou seja, segurança monetária. Para o deputado federal, pelo PT, José Pimentel, os desenvolvimentistas têm razão. "A Selic teria é que ser reduzida para 10%. A decisão do Copom descumpriu o Orçamento - que previu essa taxa de juros para o País", afirmou o parlamentar, relator do Orçamento da União. Pimentel defende que o reinado dos monetaristas acabou: "Hoje, a realidade é diferente de 2003, quando havia o risco da moratória. Como aconteceu com a Argentina; e no nosso caso, seria ainda pior".

O petista refere-se ao momento de instabilidade que a própria eleição de Lula - um candidato de esquerda - provocou no mercado. Era necessário manter a cartilha neoliberal para que não houvesse perdas para a estabilidade econômica (que, diga-se, é um processo gradual que não se faz por decreto ou medida provisória). "Tínhamos dois caminhos: a moratória e a manutenção", sugere para, em seguida, insistir: "A situação agora é muito boa. Saímos de uma dívida externa enorme, fruto de três falências - 1986, 1998 e 2002", justificou, remetendo aos efeitos das crises econômicas mais intensas pelas quais o Brasil passou nos últimos 22 anos. "Pagamos a dívida externa e controlamos muito bem a dívida pública", arrematou.

De fato, vivemos outra conjuntura. Menos dramática do que a da época em que a vulnerabilidade brasileira nos tirava o sono. O problema é que essa tranqüilidade - classificada como pré-requisito para o crescimento - ainda não representou muito mais do que apenas uma barreira nada invisível contra retrocessos econômicos. E se o presidente quer mesmo que a economia deslanche, certamente, seu torcicolo não terá sido provocado pela goleada do Goiás sobre o seu time do coração.

Economia Real

Afinal, terceirizar é bom mesmo?
Já não é mais nem uma tendência, está consolidada como ferramenta de gestão. Mesmo assim, gera opiniões contrárias e muita polêmica. É o outsourcing - livre e simplificadamente traduzido em terceirização. "De um lado, se vê notícias de 'desastres' operacionais, contratos cancelados, riscos crescentes e benefícios esperados não atingidos. De outro, relatos de crescimento de 30% a 40%, ano após ano, na indústria de serviços terceirizados, surgimentos de novos países provedores de serviços, assim como funções cada vez mais estratégicas sendo entregues por serviços globais de outsourcing", retrata o consultor da PricewaterhouseCoopers, Ricardo Neves (foto). Em entrevista à Coluna, anuncia um veredito: "Essa ferramenta já evoluiu para objetivos além da simples redução de custos. Oferece foco no suporte ao crescimento do negócio e uso de modelos mais flexíveis às demandas do mercado". Do mesmo modo, alerta para os desafios que o modelo propõe. Segundo Neves, é preciso mantê-lo dentro dos padrões "mais abertos e colaborativos de governança" entre provedores e clientes. "O sucesso dos programas de terceirização passa hoje não somente pelas decisões do que, quando e onde realizar o outsourcing, mas principalmente do como será gerenciada a relação com os provedores de forma atingir uma real parceria colaborativa com eles", sintetiza Neves.

Caixa Preta
É fato: o ótimo desempenho da Bolsa de Valores brasileira (a Bovespa) tem atraído muitos investidores. E o Ceará está no topo do ranking dos estados de maior crescimento, no País, em número de pessoas que escolhem aplicar seu dinheiro em ações. Neste contexto, os clubes de investimento viraram uma verdadeira febre. Tanto que serão tema da Expo Money, que acontece em Fortaleza nos dias 13 e 14 do mês que vem. Durante o evento, especialistas vão ensinar aos interessados como funcionam esses clubes. Enquanto isso, uma prévia para os curiosos.

Clube de Investimentos > É a reunião de recursos de um número limitado de pessoas para aplicações no mercado de ações. Podem ser criados e administrados pelas DTVM - as Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários. Ou seja, são as instituições autorizadas pelo Banco Central para intermediar as negociações com títulos e valores no mercado de capitais.

Pensamento Econômico
"Prima facie, os heterodoxos parecem invariavelmente inovadores, ou mesmo revolucionários, pelo menos até se tornarem - quando suas idéias se mostram bem-sucedidas (o que nem sempre é o caso) - também parte do establishment".

Frase do monetarista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e criador da URV (Unidade Real de Valor), que se transformaria na moeda brasileira, o real.

Dê sua nota clicando nas estrelas

Espaço dos leitores:

Comentar esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Sua cidade:

Comentário:

Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.

01/05/2008
01:04

Certamente quando a inflação sair do controle, o deputado José Pimentel e outros que são contra a subida dos juros, serão os primeiros a condenar o presidente do BC por não ter feito nada...

riclima

Este comentário é inapropriado? Denuncie

02/04/2008
02:02

Ninguém comenta! Jogo rápido: quem opera em bolsa aqui no Ceará, que levante o dedo!? Aliás, cadê a "bolsa" do Ceará!? A elevou a taxa Selic para mais de 11%, sendo a real a 7.1/ano! Uau! Paraiso pra gringo existe e fica abaixo da linha do Equador! Hum, terceirizar é legal, dá certo!? Claro! Basta jogar tudo pra o povão idiotizado com BIGBROTHERS... pagar o pato, o cartão corporativo etc. Ah, brasilzin....!!!

pcsampaio

Este comentário é inapropriado? Denuncie

Ver todos os comentários

Botao para a página sobre a Publicidade

Indique esta notícia

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome do destinatário:

E-mail do destinatário:

Ir para a página sobre a Publicidade

Charge

Ir para a página sobre a Publicidade

© 2008 O POVO - Todos os direitos reservados