Bolsa S/A
BOLSA S/A
O torcicolo do presidente
Ana Cristina Cavalcante
19 Abr 2008 - 15h29min
A verdade é que o duelo entre desenvolvimentistas e monetaristas ainda está longe de ter um vencedor, neste Governo. De um lado, Mantega quer investimentos para a economia avançar - leia-se desenvolvimento; do outro, Henrique Meirelles, freia o consumo para a inflação não sair de controle - ou seja, segurança monetária. Para o deputado federal, pelo PT, José Pimentel, os desenvolvimentistas têm razão. "A Selic teria é que ser reduzida para 10%. A decisão do Copom descumpriu o Orçamento - que previu essa taxa de juros para o País", afirmou o parlamentar, relator do Orçamento da União. Pimentel defende que o reinado dos monetaristas acabou: "Hoje, a realidade é diferente de 2003, quando havia o risco da moratória. Como aconteceu com a Argentina; e no nosso caso, seria ainda pior".
O petista refere-se ao momento de instabilidade que a própria eleição de Lula - um candidato de esquerda - provocou no mercado. Era necessário manter a cartilha neoliberal para que não houvesse perdas para a estabilidade econômica (que, diga-se, é um processo gradual que não se faz por decreto ou medida provisória). "Tínhamos dois caminhos: a moratória e a manutenção", sugere para, em seguida, insistir: "A situação agora é muito boa. Saímos de uma dívida externa enorme, fruto de três falências - 1986, 1998 e 2002", justificou, remetendo aos efeitos das crises econômicas mais intensas pelas quais o Brasil passou nos últimos 22 anos. "Pagamos a dívida externa e controlamos muito bem a dívida pública", arrematou.
De fato, vivemos outra conjuntura. Menos dramática do que a da época em que a vulnerabilidade brasileira nos tirava o sono. O problema é que essa tranqüilidade - classificada como pré-requisito para o crescimento - ainda não representou muito mais do que apenas uma barreira nada invisível contra retrocessos econômicos. E se o presidente quer mesmo que a economia deslanche, certamente, seu torcicolo não terá sido provocado pela goleada do Goiás sobre o seu time do coração.
Economia Real
Afinal, terceirizar é bom mesmo?
Já não é mais nem uma tendência, está consolidada como ferramenta de gestão. Mesmo assim, gera opiniões contrárias e muita polêmica. É o outsourcing - livre e simplificadamente traduzido em terceirização. "De um lado, se vê notícias de 'desastres' operacionais, contratos cancelados, riscos crescentes e benefícios esperados não atingidos. De outro, relatos de crescimento de 30% a 40%, ano após ano, na indústria de serviços terceirizados, surgimentos de novos países provedores de serviços, assim como funções cada vez mais estratégicas sendo entregues por serviços globais de outsourcing", retrata o consultor da PricewaterhouseCoopers, Ricardo Neves (foto). Em entrevista à Coluna, anuncia um veredito: "Essa ferramenta já evoluiu para objetivos além da simples redução de custos. Oferece foco no suporte ao crescimento do negócio e uso de modelos mais flexíveis às demandas do mercado". Do mesmo modo, alerta para os desafios que o modelo propõe. Segundo Neves, é preciso mantê-lo dentro dos padrões "mais abertos e colaborativos de governança" entre provedores e clientes. "O sucesso dos programas de terceirização passa hoje não somente pelas decisões do que, quando e onde realizar o outsourcing, mas principalmente do como será gerenciada a relação com os provedores de forma atingir uma real parceria colaborativa com eles", sintetiza Neves.
Caixa Preta
É fato: o ótimo desempenho da Bolsa de Valores brasileira (a Bovespa) tem atraído muitos investidores. E o Ceará está no topo do ranking dos estados de maior crescimento, no País, em número de pessoas que escolhem aplicar seu dinheiro em ações. Neste contexto, os clubes de investimento viraram uma verdadeira febre. Tanto que serão tema da Expo Money, que acontece em Fortaleza nos dias 13 e 14 do mês que vem. Durante o evento, especialistas vão ensinar aos interessados como funcionam esses clubes. Enquanto isso, uma prévia para os curiosos.
Clube de Investimentos > É a reunião de recursos de um número limitado de pessoas para aplicações no mercado de ações. Podem ser criados e administrados pelas DTVM - as Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários. Ou seja, são as instituições autorizadas pelo Banco Central para intermediar as negociações com títulos e valores no mercado de capitais.
Pensamento Econômico
"Prima facie, os heterodoxos parecem invariavelmente inovadores, ou mesmo revolucionários, pelo menos até se tornarem - quando suas idéias se mostram bem-sucedidas (o que nem sempre é o caso) - também parte do establishment".
Frase do monetarista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e criador da URV (Unidade Real de Valor), que se transformaria na moeda brasileira, o real.
Dê sua nota clicando nas estrelas
Comentar esta notícia
Importante: Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as conseqüências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.
01/05/2008
01:04
Certamente quando a inflação sair do controle, o deputado José Pimentel e outros que são contra a subida dos juros, serão os primeiros a condenar o presidente do BC por não ter feito nada...
riclima
02/04/2008
02:02
Ninguém comenta! Jogo rápido: quem opera em bolsa aqui no Ceará, que levante o dedo!? Aliás, cadê a "bolsa" do Ceará!? A
pcsampaio
Mais Notícias
Conteúdo das Últimas Notícias
- 17:35 Remuneração do Judiciário poderá superar teto de R$ 24,5 mil
- 17:24 STF arquiva reclamação de ex-ministro da Educação
- 17:23 Energia elétrica ficará 1% mais barata para os consumidores
- 17:19 Suspensão de contratos terá novos critérios, diz Lupi
- 16:56 Marc Coma vai mal, mas segue líder no Rali Dacar
Conteúdo das Mais Lidas
Conteúdo das Mais Comentadas
Indique esta notícia









