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O (pré-)sal da terra e o sonho do presidente

Ana Cristina Cavalcante


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16/08/2008 17:14


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"Tudo é loucura ou sonho no começo.
Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira.
Mas já tantos sonhos se realizaram
que não temos o direito de duvidar de nenhum."*



O petróleo é nosso! Foi o que nos induziu a pensar Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada. Com o discurso da última terça-feira, no Rio de Janeiro, o chefe da Nação causou reações diferentes. Positivamente surpresos ou incrédulos de que a vontade presidencial possa tornar-se fato, os brasileiros puderam ter uma noção da importância das descobertas das reservas localizadas no litoral dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. A camada pré-sal (como é tecnicamente conhecida) certamente levará o Brasil para o grupo dos maiores produtores do combustível que ainda move o mundo. Isso torna o País poderoso. Mas, ao mesmo tempo, o coloca no olho do furacão.

Desde 1997, a exploração de petróleo não é exclusividade da União. A Lei do Petróleo, em vigor no Brasil e implementada ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, permite que companhias estrangeiras explorem o nosso subsolo em busca do combustível. Com a autorização, vieram para cá gigantes como Halliburton e Repsol. O grande nó da questão é: essas empresas também vão poder tirar petróleo da pré-sal?

Segundo Lula, todos os dividendos fósseis extraídos do nosso rico subsolo são, por direito, patrimônio da União. Legalmente, porém, não é bem assim. A legislação vigente por aqui autoriza estrangeiras a prospectarem petróleo no Brasil. É exatemente por querer trazer de volta a exclusividade da exploração que o presidente revela sua intenção de mudar a Lei do Petróleo. O desejo é nobre: com os recursos do óleo, pode-se educar mais brasileiros e tirar gente da pobreza. Resta saber se nosso bem intencionado presidente conseguirá atingir seu objetivo tão antagônico aos interesses do superpoderoso cartel do petróleo. Se seguir o exemplo de persistência de Monteiro Lobato, Lula pode até sair vencedor dessa dura batalha. Afinal... no começo, "tudo é loucura ou sonho" mesmo.

* Monteiro Lobato em Mundo da Lua, publicação de 1923. Lobato foi o grande defensor da exploração de petróleo no Brasil. Foi chamado de louco. Mas, não fosse seu “lunatismo”, não teríamos Júpiter e Tupi, agora.

Pensamento Econômico

"Deus não deu isso para que a gente continue fazendo burrice. Deus deu um sinal para nós. Mais uma chance para o Brasil."
Frase cheia de fé do presidente Lula, sobre as reservas de petróleo descobertas pela Petrobras que podem colocar o País entre os maiores produtores do mundo.


Caixa Preta
A propósito de petróleo vale lembrar que, até 1960, o monopólio da exploração estava concentrado nas mãos de sete empresas, cinco delas norte-americanas. Funcionando em forma de oligopólio, eram conhecidas como as Sete Irmãs. Para saber um pouquinho mais sobre elas, vale abrir a caixa preta.

Sete Irmãs: grupo de empresas que detinham o controle sobre a produção, refino e distribuição de petróleo. Era composto pelas americanas Standard Oil of New Jersey (Esso, depois Exxon) e Standard Oil of New York (Socony-Mobil), que se fundiram e formaram a ExxonMobil; a Texaco (após idas-e-vindas passou a chamar-se Chevron, depois Texaco e Chevron de novo); Standard Oil of California (Socal, hoje Chevron); Gulf Oil (que não existe mais); a holandesa Royal Dutch Shell (hoje só Shell); e a britânica Anglo-Persian Oil Company (Apoc, mais tarde British Petroleum, depois BP Amoco e, atualmente, conhecida pelas iniciais BP). Muito organizadas, formavam cartel com forte influência sobre os países produtores. Seu poder só cedeu quando surgiu a Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo). Comandada pelos países árabes, começou a controlar preços e produção e até hoje mantém domínio sobre essa importante commodity. Das Sete Irmãs, sobreviveram ExxonMobil, Chevron, Shell e BP.


Economia real

Cearense da gema
A empresa é cearense da gema e está ampliando sua operação para todo o Brasil. Trata-se da Dona Florinda, especializada em moda feminina para a faixa teen. A marca está investindo 15% de seu faturamento anual no plano de expansão de franquias. Para este segundo semestre, prevê a inauguração de três lojas nas cidades de Belém, Salvador e São Luís. A proposta é abrir cinco lojas franquedas no primeiro semestre de 2009. As novas unidades estão previstas para as cidades de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Hoje, já são cinco franquias: duas em Recife (a primeira franqueda, inaugurada em 2005), outras três em João Pessoa, Natal e Rio de Janeiro. A marca também possui quatro lojas próprias em Fortaleza e outra em Manaus. Dirigida pela empresária Fátima Brilhante (foto), a Dona Florinda foi criada em 2001 em Pacajus. Com parque fabril de 4 mil m², produz 80 mil peças por mês em média. Além das lojas e franquias, a marca está presente no País em 1.950 lojas multimarcas.

Prepare-se para o Reach
Os exportadores brasileiros que sonham com a União Européia (UE) precisam estar atentos. Em 1º de dezembro deste ano, o bloco regional mais poderoso do planeta fechará as portas produtos com substâncias químicas na sua composição e que não estejam devidamente autorizados a ultrapassarem as fronteiras européias. A exigência desse cadastro pode ser sintetizada no Reach - sigla em inglês para Regulamento para o Registro, Avaliação, Autorização e Restrição de Produtos Químicos, em vigor desde junho de 2007. O instrumento estabelece a legislação para substâncias químicas e pode ser considerada uma das barreiras mais importantes no comércio com o Velho Mundo. O problema é que não há levantamento de quantos empreendimentos nacionais já estão correndo para atender este pré-requisito - cujo não cumprimento pode ter repercussões importantes no desempenho da balança comercial nos próximos anos. A Confederação Nacional das Indústrias (CNI), junto com Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), quer sanar a lacuna com seminário nesta terça-feira, em São Paulo. A proposta é alertar o pólo brasileiro para a necessidade de conhecer o Reach.


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