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Uvas

Jorge Carls


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24/05/2008 01:32


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"Excelente exemplo de Cabernet Sauvignon, capaz de agradar aos mais exigentes paladares"

O primeiro e mais fácil caminho para identificarmos um vinho — com todos os seus predicados — é pela identificação da casta (quando varietal) ou castas (quando assemblage) de uva de que o vinho é feito. As castas, também chamadas cepas, são a matéria-prima dos vinhos e dão-lhes o caráter, enquanto o terroir (ambiente) dá a personalidade dos vinhos, sobre a qual o trabalho humano consegue influir.

A Ampelografia, ciência que estuda as cepas, identifica mais de 5.000 variedades delas, grupadas em três espécies botânicas:

Vitis vinífera, conhecidas por européias, oriundas da Bacia do Mediterrâneo e cultivadas nos países produtores da Europa. Englobam uvas de alta qualidade para a produção de vinhos finos;

Vitis lambrusca, chamadas americanas, originárias das Américas, são mais resistentes que as viníferas e têm maior produtividade, mas a qualidade dos seus vinhos é inferior;

Híbridas, resultantes do cruzamento (por enxertia) das européias com as americanas. São utilizadas nas regiões desfavoráveis à produção de vinhos finos.
Pelo visto, as uvas que nos interessam são apenas as da espécie Vitis vinífera, cujas cepas resultam de uma lenta e gradual adaptação de uvas primitivas às diversas condições de solo, de clima, de insolação e pluviometria, incluindo determinados terroirs. Em contrapartida, para cada terroir existem cepas que melhor se adaptam às suas características, adquirindo potencialidade para produzirem excelentes vinhos. Pelo contrário, uma boa cepa fora de seu terroir, produzirá vinhos apenas razoáveis — ou até mesmo péssimos. É o caso da excelente Pinot Noir, cepa que atinge o máximo de qualidade nos seus vinhos quando cultivadas na região de Bourgogne (França), feito impossível quando cultivada em outras regiões, tanto do Velho como do Novo Mundo. A mesma coisa acontece com castas como a Nebbiolo, característica do Nordeste da Itália, principalmente o Piemonte (onde é utilizada para produzir o excelente e único Barolo), a Touriga Nacional, cepa da região do Douro que entra na produção dos célebres Portos e a Gewurztraminer exclusiva da Alemanha e adjacências. E assim por diante: são cepas muito regionais, que não se adaptam bem quando cultivadas em outras regiões.

Porém, há uma cepa que, fugindo a esta regra da regionalização, tornou-se universal. É a Cabernet Sauvignon, chamada também de ôRainha das Uvas®. Trata-se de uma uva de origem francesa, ainda hoje cultivada na região de Bordeaux, que entra na composição de seus grandes vinhos, os mais imitados pelas suas qualidades no mundo todo — como os Châteaux Margaux, os Mouton Rotschild, os Latour e outros tantos, dando-lhes excelentes características de qualidade. Também obteve bons resultados ao ser introduzida clandestinamente pelo Marquês de Antinori na região da Toscana (Itália) e causou uma revolução sendo utilizada na produção dos Supertoscanos — os ôForas-da-Lei® —, excelentes vinhos melhorados com o toque da Cabernet Sauvignon.

Hoje, a Cabernet Sauvignon se espalhou e se deu muito bem em todo o universo produtor de vinhos, em países como Alemanha, Itália, Portugal, Brasil, Chile, Argentina, África do Sul, Austrália, Estados Unidos etc. Todos cultivam suas Cabernet Sauvignon que, isoladamente ou em assemblage produzem excelentes vinhos tintos.

Entre as principais características da Cabernet Sauvignon que justificam a sua adoção em todo o mundo vinícola, estão a sua boa produtividade, o fato de ser bastante resistente às pragas e mostrar-se muito dócil quando utilizada em cortes com outras uvas, além de seus vinhos adaptarem-se bem ao envelhecimento em barris de carvalho. Mais ainda, é capaz de produzir desde vinhos tintos encorpados, passando pelos leves e chegando até os rosados.

Depois de tudo isso, vamos levantar um brinde com um excelente Cabernet Sauvignon utilizado em assemblage com outras castas, como um Châteaux Margaux, fazendo votos para que nossas mulheres nunca fiquem viúvas (elas não merecem tal sofrimento). Saúde!!! Saudações vínicas.


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Comentários

Jorge, meu velho, glub!, aprecie com moderação!Boa, boa dica - boa! Tenho testado todas - todas! Eu disse todas...Ok, você já entendeu! Hum, e o vinho verde-e-amarelo, komékié!? Vai ter dica(s), não!? Quero testar todas, todas, todas... Ok, ok, glub!, você já entendeu! Saa-uu-dações!

Paulo César Sampaio

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