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Vinhos verdes

Jorge Carls Coelho


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03/05/2008 01:14

Três excelentes vinhos verdes. Pessoalmente, prefiro o Alvarinho
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Três excelentes vinhos verdes. Pessoalmente, prefiro o Alvarinho

Um dia destes, reunido com amigos e amigas degustando um excelente vinho branco (nem só de tintos são feitas as degustações) -- um Gewurztraminer da Alsácia, uma preciosidade --, um dos companheiros presentes fez-me uma pergunta que demonstrava exatamente a nossa incipiente cultura em relação a vinhos: ôO vinho verde tem este nome porque é feito com uvas verdes, não completamente amadurecidas?®. Esta pergunta é completamente sem propósito e não tem qualquer embasamento que a possa justificar. Isto porque todos os vinhos são produzidos com uvas maduras. Aproveitando o ensejo, segue uma tentativa de explicação para o(a) leitor(a) que também tenha esta dúvida.

Na verdade, um ôvinho verde® não é um estilo de vinho, mas sim a denominação de uma região de produção, demarcada ao Norte de Portugal. É uma denominação semelhante a Douro, Dão, Bairrada, Alentejo e tantas outras. Tem este nome de ôverde® sem que se saiba exatamente por que: uma corrente diz que é porque é uma região muito fértil, talvez a mais fértil de Portugal -- por isso, sua vegetação é muito ôverde®... Em suma, é simplesmente o nome de uma região produtora de vinhos, sem qualquer alusão quanto à maturação da uva.

Tirando o Porto e o Madeira, os vinhos verdes são os mais característicos de Portugal, não se encontrando em parte alguma do mundo vinhos semelhantes. Deles, são produzidos tanto os brancos como os rosados e os tintos. Têm um estilo único, diferenciado e inimitável. Por conta das variedades de cepas desta região (destacando-se as alvarinho, loureiro, vinhão, borraçal etc.) e a forma como são plantados os parreirais, propiciando que as uvas recebam uma controlada radiação solar, nota-se que há uma formação exagerada de ácido málico no interior das uvas.

Como sabemos, no processo de produção da maioria dos vinhos sucedem-se duas fermentações: a ôfermentação alcoólica®, que transforma o açúcar do mosto em álcool e, em seguida, uma segunda, denominada ôfermentação malolática®, que transforma o ácido málico em ácido láctico, que é muito mais suave. Como as uvas da região de vinhos verdes têm ácido málico em excesso, quase sempre sobra este ácido no vinho, principalmente nos brancos -- o que faz com que os vinhos se tornem ligeiramente ácidos e espumantes, pétillants. Esta é uma característica típica dos vinhos desta região, que os torna ímpares e apropriado para serem degustados como aperitivos, ou harmonizando com peixes e frutos-do-mar em geral.

Os vinhos verdes brancos são normalmente leves, de pouco teor alcoólico, ácidos e pouco encorpados, muito adaptados para serem tomados no calor de um Verão como o nosso. Regra geral, têm que ser tomados novos, no ano da safra ou no ano seguinte. Os tintos são também ácidos, com alto teor de tanino, agressivos e rústicos e difíceis de harmonizar com comidas que não sejam as locais de sua região de produção.

Conclusão: todos os vinhos verdes são produzidos a partir de uvas devidamente amadurecidas, iguais aos vinhos das outras regiões produtoras portuguesas. São vinhos modernos e característicos, que nada ficam a dever aos outros bons vinhos portugueses. Vamos, pois, levantar um brinde com um Alvarinho, um dos melhores entre os vinhos verdes, tudo muito bem acompanhado por boas comidas, amigas e amigos. Saúde!!! Saudações vínicas.


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