Jorge Carls
19/01/2008 00:17

Considerados os vinhos mais apropriados para festas e comemorações — como casamentos, aniversários, réveillons etc. —, os espumantes, por isso mesmo, foram imensamente consumidos no mês de dezembro, conforme inclusive notícias que tive de alguns revendedores. Mas, apesar de bastante degustados por muitas pessoas, são poucas as que realmente sabem o que é um espumante, comumente confundido com o champagne. Todos os champagnes são espumantes, mas nem todos os espumantes são champagnes. Explico a diferença a seguir.
Na produção dos espumantes, podem ser empregadas as mais diversas castas de uvas, tintas ou brancas. Depois de concluída a primeira fermentação (que transforma o suco da uva em vinho), há necessidade de acontecer uma segunda fermentação — necessária para a produção das borbulhas chamadas perlage, que adjetivam e caracterizam os espumantes.
Existem dois métodos clássicos, utilizados no mundo inteiro, para se produzir espumantes:
método Champenoise, no qual a segunda fermentação, com a conseqüente formação da perlage, dá-se na própria garrafa em que o espumante vai para o mercado;
método Charmat, em que a segunda fermentação acontece num barril, geralmente de aço inoxidável, e somente depois da produção do perlage o espumante é engarrafado para comercialização.
Os espumantes são produzidos nas mais variadas regiões do mundo, empregando-se uma diversidade enorme de castas e utilizando qualquer um dos dois métodos (o Champenoise ou o Charmat). Entre os bons espumantes, podemos citar os produzidos no Norte da Itália (região do Vêneto), com as uvas da casta Prosecco, que têm excelente frescor e fragrância sutil, assim como também os excelentes espumantes produzidos no Sul do Brasil, principalmente o Casa Valduga Extra Brut, o Miolo Cave Geisse Tradicional Brut, o Chandon Reserve Brut, o Do Lugar Brut, o Pizzato Brut e muitos outros, pois, para a nossa felicidade, alguns terroirs do Brasil têm ótimas qualidades para a produção de excelentes uvas, apropriadas à produção de espumantes.
Quase todos estes maravilhosos espumantes brasileiros são elaborados com diferentes percentuais das uvas Pinot Noir e Chardonnay. Além destes grandes espumantes já citados, existe uma infinidade de outros na Espanha (chamados Cavas), em Portugal, na Argentina, no Chile, nos Estados Unidos e em muitos outros lugares do mundo.
Já os champagnes são vinhos espumantes com limitações das regiões de produção, determinações de castas específicas e obediência a muitas restrições no seu processo produtivo, que lhes conferem um determinado ôpedigree®, com um conseqüente e apelativo charme. Entre estas exigências (que, infelizmente, elevam os seus preços), podem ser citadas:
os champagnes somente poderão ser produzidos numa determinada região da França, chamada La Champagne, localizada no Nordeste de Paris, obedecendo a uma legislação específica muito rigorosa. Os vinhedos estão localizados em pequenas colinas (para uma boa drenagem e um melhor aproveitamento da luz solar), fator importante para a qualidade final do champagne;
na sua produção poderão ser usadas apenas três castas de uva – Pinot Noir, Pinot MeuniÕre e Chardonnay, duas tintas e uma branca, utilizadas isoladamente ou misturadas. As tintas tornam o vinho mais encorpado, com uma grande complexidade de aromas de frutas vermelhas, e a branca lhe conferem uma certa cremosidade e sutileza;
no seu processo produtivo será utilizado unicamente o método Champenoise (isto é, segunda fermentação na garrafa), o que confere aos champagnes, além de um perlage de melhor qualidade (bolhas menores e em maior quantidade), alguns aromas muito característicos — como os de leveduras, usadas nesta segunda fermentação (sabendo a casca de pão, torradas e afins) —, que os diferenciam de outros espumantes.
Depois de verificarmos estas diferenças, que não são pequenas, entre espumantes e champagnes, inclusive de preços, espero que os leitores e leitoras possam escolher com mais propriedade o que melhor lhes aprouver. Na certeza de que, na passagem do ano vocês tenham tomado todas, desejo-lhes muitas degustações de bons espumantes e champagnes no transcurso de 2008.
Saúde!!! Saudações vínicas.
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