Adriano de Lavor
03/03/2007 13:42
Nem é preciso comentar: a indústria farmacêutica é uma das grandes mantenedoras do mercado publicitário brasileiro. Apesar dos esforços da Agência de Vigilância Sanitária em regular este mercado, os remédios são anunciados quase livremente em todo o território nacional. São medicamentos com indicações variadas, apresentados ao público por peças publicitárias que em nada diferem daquelas que anunciam outros tipos de produtos.
A falta de uma regulamentação mais rígida põe em risco a saúde da população. Em um país carente de cobertura de saúde pública, a mídia se transforma em um novo consultório, onde não são levadas em consideração as necessidades reais de cada indivíduo, transformados pelo mercado em meros consumidores. O resultado é o incentivo pesado a automedicação, cujo perigo há muito é alertado por especialistas.
Mesmo assim, o remedinho para ressaca, a pílula para enxaqueca e as gotas para verminose disputam, sem pudor, a preferência do público, como se fossem, todos, substâncias de uso seguro e não se tratassem de preparados químicos indicados para combater doenças e que precisam da orientação de um profissional. O que acontece é que, na falta do médico, sobram as celebridades de novela e os balconistas de farmácia como indicadores de saúde para a população, em especial aquela que depende da rede pública de saúde.
Em um tempo em que se discute a descriminalização do uso de drogas consideradas ilícitas, é preciso que se reveja a legislação - e a prática, principalmente - reguladora da publicidade de medicamentos e do álcool, a exemplo do que se fez com a nicotina, hoje banida do mercado publicitário. Sem a devida orientação, qualquer "neusa" - como o comercial de TV vende o segundo analgésico mais vendido no País - pode virar veneno e dar muita dor de cabeça, ao invés de curá-la.
ATT...
Vitória trans
O Grupo Somos - Comunicação, Saúde e Sexualidade, do Rio Grande do Sul, ONG que atua na defesa e promoção dos direitos humanos de gays, lésbicas e transgêneros no Rio Grande do Sul, comemora uma vitória: pela primeira vez a Justiça de 1º Grau autorizou a mudança de nome e de sexo - de masculino para feminino - de uma transexual. Em apenas seis meses a entidade conseguiu ganho de causa no processo que, até então, precisava recorrer ao Tribunal de Justiça.
Em português
João Pessoa irá sediar, entre 4 e 13 de maio, a terceira edição do Cineport, o Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa. Inscrições e informações: http://www.festivalcineport.com/