Adriano de Lavor
24/02/2007 14:45
"Nesse momento, diante de um crime odioso, é mais fácil mandar quebrar o termômetro do que falar em enfrentar com seriedade a infecção que gera a febre". A frase do jornalista Gilberto Dimenstein, publicada no site do jornal Folha de São Paulo, na semana anterior ao Carnaval, mostra a diferença entre aproveitar um fato policial para pensar em melhores condições de vida para a população e aproveitar-se de um episódio trágico para contabilizar louros pessoais ou políticos.
Com exceção da família da criança morta no Rio de Janeiro, a maioria das vozes que se levanta para comentar o episódio só tem em vista seus próprios dividendos - políticos ou imagéticos. Os políticos se apressam para mostrar que estão discutindo aquilo que há tempos está engavetado no Congresso Nacional. O Governo do Rio, por outro lado, aproveita o início do mandato para mostrar serviço, oferecendo soluções "fáceis" e demagogas para a própria incompetência, no que diz respeito à segurança dos cidadãos.
À frente do bonde dos "indignados", os meios de comunicação dedicam horas de sua programação à discussão da redução da maioridade penal e a modificação do regime semi-aberto, enquanto solenemente ignoram o que seria essencial e preventivo: questionar as condições de vida da população, a falta de oportunidades para aqueles que vivem à margem dos centros urbanos. De soluções fáceis, o País está cheio. Difícil é detectar real boa vontade entre aqueles que se mostram chocados com as tragédias humanas que saem da ficção e se mostram cruéis e próximas no mundo real.
ATT...
Contra a tortura
A Anistia Internacional está realizando uma campanha de protesto no espaço virtual contra as atividades norte-americanas em Guantánamo, Cuba. É lá onde o governo de Washington mantém presos os acusados de terrorismo e outros crimes políticos - e não permite que estes sejam monitorados pelos defensores dos Direitos Humanos. Até a semana passada, mais de 16 mil pessoas, de mais de 90 países, participavam de uma viagem virtual ao centro de detenção, aderindo à campanha da Anistia para convencer o governo dos Estados Unidos a fechar a prisão. Por isso mesmo, a campanha continuará até 26 de junho, data em que será celebrado o Dia Internacional de Apoio às Vítimas da Tortura. Para participar, basta visitar o site http://amnesty.textdriven.com/guantanamo/home/
Legal, embora injusto
Desculpem-me a ignorância em assuntos jurídicos: mas qual é a vantagem para uma sociedade em se considerar "hediondo" um crime se, ao completar um sexto da pena o criminoso já é beneficiado com as vantagens da lei? Ou seja: alguém que é condenado a 40 anos passa, no máximo, seis destes na prisão. O que parece é que as penas são aplicadas, exclusivamente, para diminuir a pressão popular. Uma espécie de marketing jurídico! Esquecido o crime, passada a fase de exploração midiática, libera-se o criminoso! Por estas e por outras razões é que o descrédito é a marca registrada da Justiça brasileira e a maioria da população não respeita as mínimas regras de convivência social.