Adriano de Lavor
17/02/2007 13:52
Inevitável comentar sobre o episódio violento que sacudiu, mais uma vez, o subúrbio carioca. Uma criança brutalmente assassinada por um grupo de jovens da periferia, durante uma tentativa de assalto, chocou o País e foi prato da semana na imprensa nacional. Juristas, psicólogos, legisladores, especialistas de toda sorte e, claro, apresentadores de TV - que se colocam como "opinadores" especializados em absolutamente tudo - repetiram imagens, exploraram a tristeza de familiares e reacenderam a polêmica discussão sobre a redução da maioridade legal e a instituição da pena de morte no País.
Interessante observar, no entanto, como estas discussões, ao calor da factualidade e das emoções mediadas, deixaram escapar outro episódio em São Paulo, face complementar da mesma moeda da violência que se instala no País. Um grupo de policiais, flagrado por um cinegrafista amador, espancou deliberadamente cerca de 40 pessoas, numa revista feita na área conhecida como "cracolândia". A indignação, neste caso, foi muito mais contida; afinal, quem iria considerar hedionda a ação truculenta dos homens de farda contra um grupo de viciados?
O que não se enxerga aí é que os dois fatos estão embrionariamente ligados. É por conta de comportamentos desta magnitude, quando o poder instituído coloca a força em favor da ordem e a truculência como forma de resolver os problemas daqueles menos favorecidos, que se criam os chamados "monstros" adolescentes. Gente como os garotos do subúrbio carioca, que devem ter muito apanhado da vida para considerá-la tão sem valor quanto uma partida de videogame.
O que as análises televisivas da violência não revelam é que o desinteresse e o desprezo com os quais são tratadas as questões sociais no Brasil são os responsáveis por comportamentos como o que resultou na morte da criança, semana que passou. Enquanto as cenas de violência policial se repetirem e não despertarem na população a mesma indignação que se sentiu com a morte bárbara desta criança, muitas outras serão vítimas de atos semelhantes.
O que se vive, nas grandes cidades brasileiras, é estado de guerra civil. E, como se sabe, em conflitos desta natureza, heróis e bandidos se confundem, de acordo com a ótica de quem conta a história. A violência só encontra terreno fértil para se desenvolver quando ela se mostra a única força capaz de se fazer ouvir. Pena que o País só dê ouvidos a esta questão quando uma criança é arrastada pela truculência até morrer.
Mãos vermelhas
Os números foram divulgados, esta semana, pelo Comitê Internacional da Cruz vermelha, no lançamento da campanha Mãos Vermelhas: em todo mundo, mais de 250 mil crianças foram recrutadas, somente em 2006, para combater como soldados em conflitos armados. O esforço do organismo é resgatar estas crianças e reintegrá-las à vida social.
Camisinha na Mangueira
O slogan da campanha de prevenção às DSTs/Aids do Ministério da Saúde para o Carnaval de 2007 é "com camisinha, a alegria continua durante e depois da festa". A campanha foi lançada na semana passada, no Centro Cultural Cartola, no bairro da Mangueira, Rio de Janeiro.